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Mulher de tenente-coronel da PM é encontrada morta em casa em SP

A mulher de um tenente-coronel da Polícia Militar é encontrada morta com um tiro na cabeça, em 20 de fevereiro de 2026, na casa do casal em São Paulo. A Polícia Civil investiga se a morte tem relação com conflitos recentes no relacionamento e relatos de ciúmes do oficial.

Investigações iniciais e cenário dentro de casa

O corpo é localizado no quarto do casal, em um condomínio de classe média alta na zona sul de São Paulo. A cena é isolada por equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil, que chegam ao local poucas dezenas de minutos após o chamado de emergência. Peritos do Instituto de Criminalística recolhem a arma, que pertence ao tenente-coronel, e fazem medições de distância e trajetória do disparo.

Investigadores ouvem, nas primeiras horas, familiares próximos e vizinhos do casal. Moradores relatam discussões frequentes, muitas delas em voz alta, nas últimas semanas. Um deles resume a tensão diária: “A gente ouvia briga quase todo dia, sempre à noite. Parecia que as coisas estavam fugindo do controle”. Os depoimentos se somam a relatos de pessoas do círculo íntimo da vítima sobre crises de ciúmes e instabilidade na relação.

Violência doméstica, armas em casa e papel das instituições

O caso ganha repercussão imediata por envolver a mulher de um oficial de alta patente da PM e por ocorrer em um ambiente que, em tese, deveria ser mais protegido. A presença de uma arma funcional dentro de casa acende um alerta antigo entre especialistas em segurança e em direitos das mulheres. Levantamentos recentes mostram que, no Brasil, mais de 60% das mortes de mulheres por arma de fogo acontecem dentro de casa, quase sempre em contexto de conflito íntimo.

Pesquisadoras de gênero e violência defendem que situações como a de São Paulo expõem fragilidades de controle interno das próprias corporações. “Quando o agressor potencial é alguém armado e treinado, o risco para a vítima cresce de forma brutal”, afirma uma criminóloga ouvida pela reportagem. Organizações de defesa das mulheres cobram investigações sem interferência hierárquica e proteção à memória da vítima, para evitar que a narrativa seja reduzida a uma suposta crise emocional isolada.

Pressão por transparência e próximos passos

A morte da mulher do tenente-coronel provoca cobrança imediata de transparência. Entidades civis pedem que o inquérito seja conduzido com rigor, com perícia independente e reconstituição detalhada do episódio. A expectativa é que laudos preliminares, incluindo exame residuográfico e análise balística completa, fiquem prontos em até 30 dias, prazo usual em casos de morte violenta com arma de fogo na capital paulista.

No Congresso e nas assembleias estaduais, parlamentares retomam projetos que tratam de controle de armas em residências de agentes de segurança e de protocolos específicos para atender mulheres que convivem com policiais armados. A morte em São Paulo tende a alimentar essa pressão legislativa e pode abrir caminho para novas regras de monitoramento de antecedentes por violência doméstica dentro das corporações. As próximas semanas dirão se o episódio será mais um caso arquivado em silêncio familiar ou um ponto de inflexão na forma como o país enfrenta a violência contra a mulher dentro de casa.

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