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Fluminense abre check-in com biometria obrigatória para semifinal no Maracanã

O Fluminense abre neste sábado (21) o check-in de sócios para o jogo de volta da semifinal do Campeonato Carioca contra o Vasco, no Maracanã, em 1º de março, às 18h. A partida marca a adoção plena da biometria facial em todos os acessos do estádio, que passa a ser condição obrigatória para quem comprar ingresso pela internet ou em pontos físicos.

Venda escalonada e foco no sócio

O calendário de vendas segue uma lógica que privilegia a base de associados antes de liberar os bilhetes ao público geral. Os primeiros a terem acesso ao check-in, a partir das 10h deste sábado, são os sócios dos planos Arquiba 100%, Arquiba Família, Maraca+, Maraca+ Família e Pacote Futebol. No domingo (22), no mesmo horário, entram Arquiba 75% e Pacote Jogos. Na segunda-feira (23) é a vez do plano Arquiba Raiz, e na terça (24) o benefício chega aos sócios do plano Guerreiro.

A venda para não-sócios e o resgate de gratuidades começam na quarta-feira (25), às 10h, pelos canais oficiais da FutebolCard. Os ingressos físicos passam a ser comercializados apenas no sábado (28), em bilheterias do Maracanã, na sede das Laranjeiras e em lojas oficiais em Copacabana e Ipanema, com horários que variam entre 10h e 18h, dependendo do ponto. A venda on-line segue até o fim do primeiro tempo do clássico do dia 1º de março.

A estratégia ajuda a controlar a demanda por um jogo de alto apelo, com duas torcidas de massa em disputa direta por vaga na decisão estadual. O modelo premia quem mantém mensalidade em dia e, ao mesmo tempo, reduz a pressão inicial sobre os sistemas de venda, comuns em partidas decisivas. Sócios de todos os planos podem adquirir mais um ingresso no valor de inteira, além do próprio, e, nos planos com convidados, esses convidados herdam o mesmo desconto do titular.

Biometria muda a rotina de entrada

O ponto de maior mudança para o torcedor é o controle por reconhecimento facial. O Fluminense exige que o cadastro da biometria seja feito antes mesmo do check-in ou da compra, no site fluminense.bepass.com.br. Quem ainda não se registra não consegue concluir a aquisição do ingresso, seja pela internet, seja no ponto físico. O clube orienta que o processo seja realizado com antecedência, para evitar filas virtuais às vésperas da partida.

A medida vale para todos os setores do Maracanã e para todos os tipos de ingresso, inclusive gratuidade. O ingresso em si deixa de ser um papel ou um cartão físico e passa a ser o próprio rosto do torcedor. No acesso, o sistema cruza a biometria com o CPF e com os dados informados no momento da compra. Quem adquire mais de um bilhete precisa apresentar documentos originais dos demais torcedores, e todos devem ter cadastro facial ativo. Para meia-entrada, o beneficiário deve comparecer com documentação e comprovação do direito, além do registro biométrico.

O objetivo declarado é reduzir fraudes, coibir o repasse irregular de ingressos e aumentar a identificação de quem entra no estádio. A experiência recente em grandes arenas mostra que tecnologias desse tipo encurtam o tempo médio de liberação nas catracas, mas também exigem um período de adaptação, sobretudo em jogos com grande público. Em clássicos como Fluminense x Vasco, qualquer gargalo se reflete em filas longas e tensão do lado de fora.

Os preços variam de acordo com o setor e o plano de associação. No setor Sul, destinado à torcida tricolor, sócios de categorias como Arquiba 100%, Arquiba Família, Maraca+, Maraca+ Família e Pacote Futebol pagam R$ 0, enquanto um ingresso inteiro custa R$ 100 e a meia-entrada, R$ 50. No Leste Inferior, com torcida mista, a inteira sai por R$ 140, e a meia, por R$ 70. Já no Maracanã Mais, que inclui buffet e bebidas não alcoólicas, o valor chega a R$ 750 para o público geral.

Há também estacionamento pré-pago, vendido exclusivamente a quem já tem ingresso, por meio da FutebolCard. O serviço custa R$ 60 para sócios e R$ 100 para não-sócios, com vagas no Estádio Célio de Barros, ao lado do Maracanã. O acesso é feito por QR Code, liberado seis horas antes da partida, com fechamento uma hora após o apito final.

Gratuidades, segurança e efeito no futuro

A política de gratuidades segue o padrão das leis estaduais, mas também passa pelo filtro da biometria. Crianças de 7 a 11 anos, pessoas com deficiência e idosos a partir de 60 anos precisam fazer cadastro prévio e resgatar os ingressos em plataforma específica. O benefício é restrito aos setores Sul e Norte, destinados às duas torcidas. Crianças até 6 anos, acompanhadas de responsáveis com ingresso para o mesmo setor, podem entrar sem retirada antecipada, indo diretamente à catraca.

O resgate on-line de gratuidades é feito em site separado, com login por e-mail ou CPF. O procedimento espelha o fluxo de compra de um ingresso comum, mas sem cobrança, e exige a indicação do responsável que acompanhará menores de idade. Acompanhantes de pessoas com deficiência também precisam resgatar o próprio bilhete, vinculado ao cadastro do beneficiário. Em todos os casos, o acesso final se dá pela leitura facial, e o comprovante segue por e-mail.

As regras de segurança completam o pacote de controle. O clube proíbe a entrada com alimentos e bebidas, reforça a necessidade de documento físico com foto e CPF e lembra que os portões fecham no início do segundo tempo. Depois disso, o acesso pode ser negado por decisão do policiamento, sem reembolso do valor pago. A orientação é chegar cedo, sobretudo para quem ainda não testou o sistema de biometria em jogos anteriores.

A adoção em larga escala do reconhecimento facial no Maracanã insere o clássico em uma tendência que ganha força em grandes eventos esportivos. A tecnologia, defendida como ferramenta de segurança e combate à fraude, também levanta debates sobre privacidade e armazenamento de dados. A experiência de Fluminense e Vasco nesta semifinal pode servir de laboratório para a própria federação estadual e para outros clubes interessados em implantar o mesmo modelo.

Uma possível consequência é a consolidação da venda escalonada, com prioridade para sócios, como padrão em jogos decisivos. O desenho atual incentiva o torcedor a se associar, oferece ingressos a partir de R$ 0 em determinados planos e cria uma base de dados detalhada sobre o público que frequenta o estádio. O resultado, a depender do desempenho do sistema e da adesão ao cadastro, pode redesenhar a relação entre clubes, arenas e torcedores no futebol brasileiro. A semifinal do dia 1º de março indica um caminho; as próximas temporadas dirão se ele veio para ficar.

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