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Com uma a menos, Fluminense arranca empate do Corinthians no fim

O Fluminense arranca um empate por 2 a 2 com o Corinthians, na noite desta sexta-feira (20), em São Paulo, em jogo dramático do Brasileirão Feminino. Mesmo com a expulsão da zagueira Karine ainda no primeiro tempo, o time tricolor resiste à pressão e busca o gol da igualdade aos 50 minutos da etapa final, com Bruna Pelé, em lance que muda o roteiro da partida e o peso do resultado na segunda rodada da competição.

Virada de roteiro em Itaquera

O encontro entre Corinthians e Fluminense, no início da campanha nacional de 2026, parece definido ainda aos 20 minutos de jogo. O time paulista abre 2 a 0 em casa e controla as ações, diante de um adversário que se vê acuado e com dificuldades para sair do campo de defesa. A reação tricolor, porém, nasce de um raro momento de precisão e coragem.

Belén Aquino inaugura o placar logo aos oito minutos, finalizando cruzado após jogada pela direita e aproveitando a primeira grande chance criada pelas corintianas. A vantagem acalma o time alvinegro, que mantém a posse de bola e avança as laterais para empurrar o Fluminense contra a própria área. Em novo vacilo da defesa, aos 20, Jaqueline aparece livre na pequena área e só empurra para o gol: 2 a 0, sob aplausos da torcida que enche o estádio.

O placar elástico tão cedo expõe o contraste entre os elencos. O Corinthians é uma das referências do futebol feminino no país, acumula títulos recentes e entra no Brasileirão novamente entre as principais favoritas. O Fluminense, ainda em processo de consolidação na elite, encara a partida como um teste de maturidade. A diferença de investimento e de estrutura se reflete no início do jogo.

Aos poucos, porém, o time carioca encontra uma rota de escape. As atacantes recuam para compactar a marcação e, quando recuperam a bola, tentam acelerar pelos lados. Aos 34 minutos, Patrícia Sochor recebe na intermediária, corta para o meio e acerta um chute preciso, no ângulo, num lance que foge ao roteiro. O gol, uma “obra-prima” como descrevem integrantes da comissão técnica, recoloca o Fluminense na partida e reduz a pressão emocional sobre a equipe.

O cenário muda de novo pouco antes do intervalo. A zagueira Karine se envolve em falta dura na entrada da área e recebe o cartão vermelho direto. A expulsão, ainda na primeira etapa, obriga o Fluminense a refazer a estratégia. A equipe desce para o vestiário em desvantagem dupla: 2 a 1 no placar e 10 contra 11 em campo.

Resistência numérica e peso simbólico do empate

O segundo tempo começa com o Corinthians buscando o terceiro gol para liquidar a partida. Com uma atleta a mais, o time alvinegro adianta as linhas, roda a bola com paciência e acumula oportunidades. As finalizações saem, mas param na goleira tricolor, em chutes para fora ou em bloqueios da zaga, que se fecha dentro da área como último recurso.

As chances desperdiçadas vão alimentando a tensão em campo e nas arquibancadas. O ditado do futebol se impõe: quem perde tantos gols passa a conviver com o risco. O Fluminense, mesmo acuado, evita o desespero. As jogadoras administram o relógio, travam o jogo no meio-campo e tentam esticar bolas para as pontas na esperança de um contra-ataque preciso.

À medida que o cronômetro se aproxima dos 45 minutos, o Corinthians recua um pouco, preocupado em não se expor a um último lance. As mudanças feitas pelas duas comissões técnicas revelam como cada lado enxerga o momento: de um lado, a tentativa de renovar o fôlego para manter a pressão; do outro, a busca por uma bola parada ou uma jogada individual que possa empatar o jogo.

O desfecho vem nos acréscimos, já aos 50 minutos, quando a arbitragem sinaliza o último ataque tricolor. A bola é levantada na área e, após desvio, sobra para Bruna Pelé finalizar. O chute, rápido e firme, escapa do alcance da goleira e silencia parte do estádio. O gol transforma um cenário que parecia derrota certa em ponto precioso fora de casa.

O empate, em termos de tabela, coloca Corinthians e Fluminense com 4 pontos após duas rodadas, em terceiro e quarto lugar, respectivamente. No aspecto simbólico, porém, o impacto é maior para o clube carioca. Jogar praticamente todo o segundo tempo com dez atletas, fora de casa, diante de uma potência da modalidade, e ainda assim arrancar o 2 a 2, reforça o discurso de competitividade do elenco.

O resultado também ajuda a alimentar o interesse pelo Brasileirão Feminino no início da temporada. Jogos decididos nos acréscimos, com expulsão, viradas de roteiro e gol salvador, aproximam o campeonato da dramaturgia que costuma cercar as grandes competições masculinas. Para as atletas, isso se traduz em maior visibilidade, mais minutos em destaque na televisão e maior circulação de vídeos e estatísticas nas redes sociais.

Próximos passos e disputa por espaço no calendário

O empate em São Paulo projeta dois caminhos distintos para as equipes. O Corinthians, acostumado a impor respeito como mandante, sente o peso de deixar escapar uma vitória que parecia encaminhada desde os 20 minutos do primeiro tempo. A comissão técnica terá de lidar com a frustração e ajustar a eficiência ofensiva para não repetir o roteiro de chances desperdiçadas.

O Fluminense volta ao Rio com a sensação de que ganha mais do que um ponto na tabela. A atuação, especialmente pela entrega defensiva após a expulsão de Karine, serve como cartão de visitas para o restante do campeonato. Atletas como Patrícia Sochor e Bruna Pelé, autoras dos gols, ampliam o protagonismo dentro do elenco e se colocam no radar de quem acompanha a competição com mais atenção.

O equilíbrio entre os dois clubes, ambos com 4 pontos e posicionados no meio da tabela, ajuda a desenhar um Brasileirão Feminino de 2026 menos previsível. A diferença entre elencos tradicionais e projetos em ascensão parece diminuir, ao menos nos primeiros jogos, o que tende a manter o campeonato aberto por mais rodadas. Em um calendário já apertado por Libertadores, Copa do Brasil e estaduais, cada ponto conquistado em fevereiro pode se revelar decisivo na reta final.

As próximas rodadas vão indicar se o Fluminense transforma a noite em São Paulo em ponto de virada na temporada ou se o empate será lembrado apenas como façanha isolada. Do lado corintiano, a resposta passa por demonstrar que a falha em fechar o jogo com superioridade numérica não é sintoma de algo mais profundo. A torcida, que já se acostuma a cobrar desempenho alto e regular no futebol feminino, observa de perto.

O Brasileirão Feminino segue, assim, com uma mensagem clara logo no começo de 2026: mesmo os favoritos precisam jogar até o último minuto, e nenhum placar está seguro enquanto houver tempo no relógio. Depois da bola de Bruna Pelé aos 50 minutos, qualquer lance final passa a carregar um pouco mais de expectativa.

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