Corinthians oficializa Zakaria Labyad até 2026 e mira experiência no meio
O Corinthians oficializa nesta sexta-feira (20) a contratação do meio-campista Zakaria Labyad, de 33 anos, até 31 de dezembro de 2026. O marroquino, que já treina com o elenco, torna-se o sexto reforço alvinegro para a temporada e chega com cláusula de renovação automática até o fim de 2027, condicionada ao cumprimento de metas de desempenho.
Reforço discreto, contrato robusto
A confirmação acontece poucos dias depois de Labyad aparecer nas arquibancadas da Neo Química Arena, durante a derrota por 2 a 0 para o Palmeiras, pelo Campeonato Paulista. O meio-campista já vinha trabalhando no CT Joaquim Grava enquanto o clube finalizava detalhes do vínculo e alinhava sua inscrição para as competições de 2026.
O contrato prevê duração inicial até 31 de dezembro de 2026 e gatilhos esportivos que podem estender a permanência até o fim de 2027. As metas envolvem participação em número mínimo de jogos oficiais, tempo em campo e desempenho coletivo, parâmetros que o Corinthians trata com reserva, mas que seguem o padrão adotado em acordos recentes com atletas acima dos 30 anos.
Labyad ocupa vaga em um setor em reformulação. O elenco passa por ajuste após temporadas irregulares no Brasileirão e campanhas aquém do esperado em torneios continentais. A diretoria aposta na rodagem internacional do jogador, formado no futebol holandês, para equilibrar um meio-campo que alterna jovens em afirmação e veteranos sob cobrança constante.
Entre desconfiança e oportunidade
A chegada do marroquino não nasce de um pedido direto do técnico Dorival Júnior. Em fevereiro, ainda antes da assinatura, o treinador admite que pouco conhece o reforço e deixa clara a origem da contratação. “Com relação ao Zakarias, não foi um pedido meu, mas eu estou aqui para treinar a equipe. A equipe que me for dada na mão, é o que eu vou fazer”, afirma, após o clássico contra o Palmeiras.
Dorival tenta, ao mesmo tempo, se afastar da decisão e acolher o jogador. “Conheço pouco do atleta, tive algumas informações do Memphis, mas estamos no aguardo. Que venha, que possa acrescentar, e será tratado como todos aqui dentro. Não foi uma indicação do treinador, mas isso não tem problema nenhum. Vai ser um atleta importante, e que tenha condições de mostrar em campo”, completa.
O nome de Memphis Depay aparece nos bastidores desde 2025. Companheiro de Labyad no PSV, o atacante tenta viabilizar a vinda do amigo ao Brasil ainda naquele ano. A negociação esbarra em resistência interna: Fabinho Soldado, então responsável pelo departamento de futebol, entende que o custo não se justifica e veta o investimento.
Um ano depois, com o cenário esportivo mais pressionado e o Corinthians em busca de alternativas de baixo risco financeiro, a diretoria retoma o contato. A passagem recente de Labyad pelo Dalian Yingbo, da China, facilita a conversa, já que o jogador está livre no mercado e disposto a se recolocar em um centro competitivo após experiências em ligas menos visíveis.
Nascido na Holanda e naturalizado marroquino desde 2011, Labyad constrói carreira em clubes tradicionais. Passa por PSV, Vitesse, Fulham e Ajax antes de se aventurar no futebol chinês. Leva para o Parque São Jorge o rótulo de meia técnico, de boa bola parada, capaz de atuar centralizado ou partindo da ponta para dentro, característica valorizada em elencos que buscam variação tática.
O que muda no meio-campo corintiano
A aposta no marroquino se encaixa em uma estratégia mais ampla de reforçar o setor de criação sem grandes desembolsos. Como sexto reforço para 2026, Labyad amplia o leque de opções de Dorival para montar o time em diferentes formações, sobretudo em jogos de mata-mata, nos quais a experiência pesa. A presença de um meia habituado a decisões na Europa e a ambientes hostis pode ajudar em estádios cheios na Libertadores ou na Copa do Brasil.
A curto prazo, o principal impacto recai sobre a disputa por minutos no meio. Jogadores que vinham alternando entre titularidade e banco ganham um concorrente com currículo robusto, ainda que sem lastro recente no futebol brasileiro. A comissão técnica acompanha atentamente a adaptação física do atleta, que chega aos 33 anos após calendário menos intenso na China, e mede com cuidado a carga de treinos antes de colocá-lo em campo em sequência.
No plano político, a movimentação reforça o protagonismo da diretoria na montagem do elenco. Quando um reforço chega sem ser indicação do treinador, o clube envia recado de que decisões estratégicas de mercado passam pelo núcleo de futebol e pelos conselheiros mais influentes, não apenas pela comissão técnica. O arranjo aumenta a responsabilidade dos dirigentes em caso de fracasso e abre margem para questionamentos se o jogador não se firmar.
Torcedores dividem impressões nas redes sociais desde a primeira aparição de Labyad na arena corintiana. Parte da torcida celebra a chegada de um meia com passagem por ligas europeias e vê na contratação uma tentativa coerente de elevar o nível técnico. Outra parte demonstra cautela diante do histórico recente do clube, que convive com reforços de nome forte e entrega irregular. A percepção geral, no entanto, é de curiosidade: o desempenho em campo tende a definir rapidamente o tom da recepção.
Teste imediato e metas no horizonte
A estreia oficial depende agora de trâmites burocráticos e da avaliação física final. A expectativa interna é de que Labyad esteja à disposição ainda na fase decisiva do Campeonato Paulista e chegue em ritmo competitivo para o início do Brasileiro e dos torneios continentais. Cada minuto em campo passa a contar para os gatilhos que podem estender o contrato até dezembro de 2027.
A forma como Dorival encaixa o novo reforço no desenho tático também vira ponto de observação. O treinador pode utilizá-lo como meia central, recuando um armador tradicional para organizar a saída de bola, ou como meia aberto, cortando para o meio para finalizar. Se a aposta der certo, o Corinthians ganha uma peça capaz de desequilibrar jogos travados e de aliviar a pressão sobre outros protagonistas do elenco. Se falhar, a pergunta que ecoa nas arquibancadas será inevitável: quem, afinal, responde pela construção desse elenco que carrega a responsabilidade de recolocar o clube entre os protagonistas do continente?
