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Avalanche na Califórnia mata mães esquiadoras da Baía de São Francisco

Um grupo de mães esquiadoras experientes morre em uma avalanche na Califórnia neste sábado, 21 de fevereiro de 2026. As vítimas, muitas da região da Baía de São Francisco, participavam de uma viagem de esportes de inverno em área montanhosa.

Viagem de lazer termina em tragédia nas montanhas

O grupo viaja para a Califórnia para alguns dias de atividades ao ar livre, em plena alta temporada de esportes de inverno. A previsão de neve atrai turistas e praticantes mais experientes, que buscam trilhas desafiadoras e pistas menos cheias. Em poucas horas, o que começa como um fim de semana de descanso e adrenalina se transforma em cenário de resgate e luto.

As mães, que conciliam rotina de trabalho, filhos e treinos, costumam se encontrar em estações de esqui da região oeste dos Estados Unidos. Muitas vivem há anos na área da Baía de São Francisco, onde o acesso a viagens curtas para as montanhas faz parte do calendário de inverno de diversas famílias. Nesta viagem, elas se reúnem para esquiar e praticar outras modalidades na neve, como caminhadas com raquetes e snowboard fora de pista.

Durante uma das descidas em área montanhosa, uma avalanche se desloca com força sobre o trecho em que parte do grupo se encontra. O deslizamento de neve surpreende mesmo as mais experientes, que conhecem a dinâmica do terreno e levam equipamentos adequados. Em poucos segundos, toneladas de neve cobrem a encosta, arrastam pessoas e espalham esquis, bastões e mochilas por dezenas de metros.

Equipes locais de resgate são acionadas por outros praticantes que veem o movimento da encosta e notam o desaparecimento de integrantes do grupo. Em operações desse tipo, cada minuto conta. Profissionais usam sondas, cães treinados e aparelhos de localização para tentar encontrar sobreviventes sob a neve compactada, que pode endurecer em questão de minutos e reduzir drasticamente as chances de resgate com vida.

Familiares e amigos na Califórnia e na Baía de São Francisco começam a receber mensagens confusas ao longo da tarde, com relatos de que “houve uma avalanche” e de que algumas integrantes estão desaparecidas. Grupos de conversa de pais de escola, colegas de trabalho e vizinhos se enchem de perguntas, checagens e tentativas de contato direto. A notícia de mortes confirmadas chega primeiro por telefonemas e, depois, é confirmada por autoridades locais.

Risco constante em esportes de inverno e impacto na comunidade

A tragédia reacende o alerta para os riscos inerentes aos esportes de inverno, mesmo entre praticantes experientes. Avalanches são deslizamentos rápidos de grandes massas de neve em encostas íngremes. Podem ser disparadas por fatores naturais, como novo acúmulo de neve e mudança brusca de temperatura, ou por vibrações provocadas pela passagem de pessoas e equipamentos. Em muitos casos, a diferença entre uma descida segura e um deslizamento fatal está em detalhes quase invisíveis a olho nu.

Moradores da Baía de São Francisco relatam choque com a notícia e descrevem o grupo como formado por mulheres atentas à segurança. “Elas não eram aventureiras inconsequentes. Planejavam tudo, checavam previsões, conversavam com guias”, afirma um amigo de família, que pede para não ter o nome divulgado. O contraste entre a experiência acumulada e o desfecho trágico reforça, para muitos, a sensação de vulnerabilidade diante das forças da natureza.

Dados de centros de pesquisa em montanhismo indicam que avalanches respondem por uma parcela significativa das mortes em esportes de inverno em áreas fora das pistas controladas. Em temporadas de neve abundante, o número de ocorrências pode subir mais de 30% em comparação a anos de inverno mais seco. O risco é maior em regiões onde o relevo é acentuado e onde camadas de neve recente se depositam sobre bases instáveis, criando uma espécie de “tapete” pronto para deslizar.

O impacto emocional entre familiares e amigos vai além das estatísticas. Em bairros da região da Baía, escolas e grupos comunitários começam a organizar rodas de conversa e apoio psicológico para filhos e parentes próximos. “As crianças sabem que perderam mães que estavam fazendo algo que amavam. É uma dor difícil de explicar”, diz uma psicóloga que acompanha famílias da comunidade. O luto atravessa fronteiras, com mensagens de condolências vindas de outras estações de esqui e grupos de esportes de inverno em diferentes estados.

Para gestores de áreas de montanha, acidentes como este geram pressão imediata por respostas. Resorts de esqui, agências de turismo e empresas que organizam viagens de aventura passam a ser cobrados por informações claras sobre protocolos de segurança, monitoramento de risco e comunicação com clientes em caso de emergência. Em muitas regiões, esses setores movimentam dezenas de milhões de dólares por temporada e dependem diretamente da confiança do público.

Debate sobre segurança e próximos passos nas montanhas

A morte das esquiadoras deve alimentar um debate mais amplo sobre como equilibrar turismo, esporte e segurança em áreas de avalanche. Especialistas defendem a combinação de informação detalhada, tecnologia e treinamento constante. Mapas de risco atualizados, boletins diários sobre condições da neve e cursos acessíveis de leitura de terreno são citados como ferramentas essenciais para quem entra em áreas montanhosas, mesmo em trilhas consideradas conhecidas.

Autoridades locais e gestores de estações de esqui podem rever protocolos nos próximos dias. Entre as medidas em avaliação estão a ampliação de zonas interditadas em dias de neve intensa, a exigência de equipamentos específicos de emergência em determinadas rotas e campanhas de comunicação mais incisivas, com alertas visíveis em entradas de trilhas e pontos de acesso a áreas fora de pista. “Não basta deixar o aviso em um site. A mensagem precisa chegar a quem está com o esqui no pé, prestes a entrar na montanha”, resume um instrutor de esportes de inverno ouvido pela reportagem.

Na Baía de São Francisco, a expectativa é de que grupos de pais, escolas e clubes esportivos também passem a discutir com mais frequência os riscos de viagens de aventura, especialmente com crianças e adolescentes. Organizações que promovem atividades ao ar livre avaliam incluir módulos sobre leitura de boletins de avalanche, uso de equipamentos de localização e decisão de recuar em condições adversas. A ideia é transformar a tragédia em gatilho para uma cultura mais madura de prevenção.

As próximas semanas devem ser marcadas por velórios, homenagens e atos simbólicos nas comunidades afetadas. Amigos planejam encontros em praias e parques da região de São Francisco, lugares associados ao convívio diário com as vítimas, para lembrar histórias e reconstruir redes de apoio. O luto se mistura à tentativa de entender por que, mesmo com planejamento e experiência, o grupo é surpreendido pela força da montanha.

À medida que autoridades concluem investigações sobre as condições da avalanche, uma pergunta permanece em aberto: até que ponto é possível reduzir o risco em ambientes que, por natureza, nunca serão totalmente controláveis? A resposta, reconhecem especialistas e familiares, não apagará a dor desta temporada, mas pode definir o modo como milhões de pessoas encaram a próxima viagem às montanhas.

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