Após pênalti perdido, Julimar desabafa e recebe apoio até de rival
O atacante Julimar, do Athletico, desabafa nas redes sociais na madrugada deste sábado (21) após perder um pênalti na derrota para o Corinthians, pelo Brasileirão de 2026. O erro ajuda a encerrar a invencibilidade rubro-negra no torneio e tira a equipe da disputa momentânea pela liderança, mas o post do jogador transforma a frustração em símbolo de união no elenco — e rende apoio até de um zagueiro do rival Coritiba.
Desabafo após a noite mais dura do ano
O pênalti desperdiçado por Julimar pesa no placar e no vestiário. A derrota interrompe a sequência positiva do Athletico em 2026 e impede que o time alcance a ponta da tabela em 21 de fevereiro, num jogo que poderia redesenhar o cenário do campeonato. O atacante responde à pressão poucas horas depois do apito final, em um texto longo publicado no Instagram.
“Carrego comigo a responsabilidade e o privilégio de vestir essa camisa todos os dias. Nunca fui de me esconder e nunca vou ser”, escreve o jogador, que chega ao Athletico em 2020 após passagem pela base do Criciúma. O recado mira diretamente a reação natural da torcida diante de um lance decisivo, mas também revela a forma como o próprio atleta lida com o erro.
O tom do desabafo é de compromisso mais do que de justificativa. “Nos momentos bons ou difíceis, a única coisa que sempre pude prometer foi trabalho incansável e entrega total. É exatamente isso que vou continuar fazendo. Obrigado pelo vosso apoio. Seguimos juntos, mais unidos e mais fortes do que nunca”, completa o atacante, em um trecho que rapidamente circula entre torcedores e páginas especializadas.
A publicação vira ponto de convergência para o grupo rubro-negro. Colegas de posição, como os atacantes Renan Peixoto e Felipe Chiqueti, deixam mensagens públicas de apoio. Ex-companheiros que deixaram o clube em 2025, caso do volante Falcão e dos atacantes Alan Kardec e Luciano Arriagada, também se manifestam. O gesto indica que a repercussão do pênalti perdido ultrapassa o resultado isolado e toca a rotina de um vestiário que disputa ao mesmo tempo o Brasileirão e o Campeonato Paranaense.
Solidariedade em meio à rivalidade
Entre dezenas de comentários, um nome chama a atenção de torcedores de Athletico e Coritiba. “Você é referência meu mano”, escreve o zagueiro Jacy, hoje aos 28 anos e peça do sistema defensivo alviverde. A frase simples vem de um jogador que também atravessa uma semana pesada, marcada por cobranças da própria torcida.
Jacy é alvo de xingamentos e ouve gritos de “mercenário” no empate em 2 a 2 com o Operário, no último sábado (14), pelo jogo de ida da semifinal do Campeonato Paranaense. O defensor deixa o clube de Ponta Grossa em julho do ano passado para assinar com o Coritiba. Meses depois, explica que a decisão tem um motivo central: o salário mais alto, necessário para bancar o tratamento de saúde da mãe.
O histórico do zagueiro adiciona outra camada ao gesto público de apoio. Formado nas categorias de base do Athletico, Jacy defende o clube rubro-negro entre 2013 e 2018, quando se transfere para o Criciúma. Julimar faz o caminho oposto: começa justamente na base do Tigre catarinense e amadurece no Furacão a partir de 2020. A troca de trajetórias reforça o vínculo entre os dois, mesmo separados hoje pela maior rivalidade do Estado.
O comentário do coritibano rompe a lógica de arquibancada. Rivais históricos desde as primeiras décadas do século passado, Athletico e Coritiba acumulam 19 finais de Campeonato Paranaense entre si, com leve vantagem rubro-negra: são 10 títulos para o Furacão, em 1943, 1945, 1983, 1990, 1998, 2000, 2005, 2016, 2018 e 2020, contra 9 conquistas alviverdes, em 1941, 1968, 1972, 1978, 2004, 2008, 2012, 2013 e 2017.
A rivalidade, porém, dá lugar à empatia quando o foco recai sobre a figura do jogador em erro. Nas redes, torcedores dos dois lados destacam o apoio cruzado entre clubes como exemplo do que não costuma aparecer em campo. Em vez de provocações, prevalece a leitura de que o pênalti perdido faz parte da rotina de quem decide jogos sob pressão constante.
Pressão, pênaltis e o que vem na sequência
A derrota para o Corinthians muda pouco a matemática do Athletico no longo prazo, mas mexe com o ambiente imediato. A invencibilidade cai em 21 de fevereiro, ainda nas rodadas iniciais do Brasileirão 2026, e recoloca o tema da pressão sobre cobradores de pênalti em jogos grandes. O clube passa a administrar não só a pontuação, mas também o aspecto emocional de um elenco que volta a campo já no fim de semana em uma competição diferente.
No Campeonato Paranaense, Athletico e Coritiba disputam vaga na final em condições idênticas. Os jogos de ida das semifinais terminam em 2 a 2, e os confrontos de volta, marcados para este fim de semana, podem novamente levar as decisões para as penalidades máximas. O Coritiba recebe o Londrina neste sábado (21), às 16h, no Couto Pereira. O Athletico enfrenta o mesmo Londrina no domingo (22), também às 16h, na Arena da Baixada.
O regulamento é direto: novo empate leva tudo para os pênaltis. A perspectiva recoloca Julimar e todos os cobradores sob o holofote. Erros recentes costumam pesar na escolha de quem vai para a marca da cal, mas a reação do elenco e o apoio público indicam que o atacante permanece prestigiado internamente. O clube não se pronuncia oficialmente sobre mudanças na hierarquia das cobranças, mas a leitura nos bastidores é de proteção ao jogador.
Se Athletico e Coritiba avançarem, o Campeonato Paranaense de 2026 registra o 20º Atletiba em finais estaduais. O cenário alimenta ainda mais a narrativa construída nesta semana: dois clubes rivais, atletas pressionados por decisões em série e uma rede de solidariedade que atravessa fronteiras de camisa. A próxima cobrança de pênalti de Julimar, seja no Estadual ou no Brasileirão, deixa de ser apenas um lance técnico e passa a carregar uma história de responsabilidade, apoio e reconstrução de confiança.
