Conselho do São Paulo apura denúncia de ingressos no Morumbi
O Conselho Consultivo do São Paulo marca para 20 de fevereiro de 2026 a reunião que vai apurar denúncia de venda ilegal de ingressos para shows no Morumbi. No centro da acusação está Christina Massis, filha do novo presidente do clube, o que leva a crise diretamente ao núcleo da gestão recém-empossada.
Pressão sobre a nova gestão no Morumbi
A denúncia chega em um momento em que a diretoria tenta se firmar após a troca de comando político no clube. A suspeita é de que ingressos para shows no estádio, realizados nos últimos meses, tenham sido desviados do circuito oficial de venda e comercializados de forma irregular, à margem do sistema de bilheteria e sem registro contábil. O caso expõe não só a filha do presidente, mas também os mecanismos internos de controle do São Paulo.
Conselheiros relatam, em caráter reservado, que o tema circula pelos bastidores há pelo menos algumas semanas, com relatos sobre supostos lotes de ingressos vendidos por fora por valores superiores ao preço de face, em torno de 30% a 50% acima da tabela oficial. A convocação formal da reunião do Conselho Consultivo, instância composta por ex-presidentes e figuras históricas do clube, é vista como resposta à crescente cobrança por transparência, especialmente de torcedores organizados e de conselheiros de oposição.
Transparência, credibilidade e impacto no futebol
A investigação abre uma frente sensível para a gestão recém-iniciada. Ainda que o foco imediato seja a área de eventos e hospitalidade do Morumbi, a repercussão atinge diretamente o futebol. A imagem do clube, que movimenta mais de R$ 500 milhões por ano em receitas, depende da confiança de torcedores, patrocinadores e parceiros comerciais. Irregularidades em algo tão básico quanto a venda de ingressos levantam dúvidas sobre a governança em outras áreas.
Conselheiros ouvidos pela reportagem afirmam que a principal preocupação é o desgaste público. “Qualquer indício de favorecimento ou caixa paralelo corrói a credibilidade da diretoria”, resume um integrante do Conselho, sob condição de anonimato. A presença do nome de Christina Massis na denúncia amplia a sensação de conflito de interesses e reacende o debate sobre a participação de familiares em atividades próximas ao caixa do clube. Em um cenário de maior escrutínio sobre dirigentes no futebol brasileiro, episódios como esse encontram eco imediato na opinião pública e ganham espaço na mídia esportiva.
Reunião decisiva e próximos passos no caso
A reunião de 20 de fevereiro é tratada internamente como um divisor de águas. A expectativa é que os conselheiros tenham acesso a documentos, relatórios preliminares e versões formais dos envolvidos. Caso se confirme qualquer irregularidade, o Conselho pode recomendar desde medidas administrativas, como afastamento de funções e revisão de contratos, até a abertura de um procedimento disciplinar mais amplo, com consequências políticas para a atual diretoria.
Dirigentes avaliam que o clube terá de responder de forma mais estruturada às acusações, seja com uma auditoria independente, seja com a adoção de novos protocolos para venda e controle de ingressos, incluindo o cruzamento em tempo real entre bancos de dados e relatórios financeiros. Torcedores, por sua vez, esperam que a apuração não termine em um acordo de bastidores. O desfecho do caso, qualquer que seja, tende a servir como termômetro da disposição da nova gestão em encarar cobranças por ética, responsabilidade e transparência no Morumbi.
