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Polícia identifica mulher esquartejada em mala achada em córrego de SP

A Polícia Civil identifica como sendo de uma mulher de 34 anos o corpo encontrado esquartejado dentro de uma mala, na tarde de 19 de fevereiro de 2026, em Parelheiros, zona sul de São Paulo. O cadáver é achado por funcionários de uma obra, dentro de um córrego às margens da estrada Ecoturística. A investigação corre sob responsabilidade do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que ainda busca o autor e as circunstâncias do crime.

Crime brutal em área de mata na zona sul

O caso ganha contornos de choque imediato na região de Parelheiros, um dos distritos mais afastados do centro da capital, marcado por áreas de mata e trânsito reduzido à noite. A mala é localizada na altura do número 4.470 da estrada Ecoturística, ponto cercado por obras viárias e pouco movimento de pedestres. O corpo, segundo a perícia inicial, está esquartejado e tem partes embaladas em sacos plásticos pretos, fechados com fita adesiva, o que indica uma tentativa de dificultar a identificação da vítima e o trabalho da polícia.

A mulher, cujo nome não é divulgado pela Secretaria da Segurança Pública, tem um antecedente criminal por roubo registrado em 2016, quando tinha cerca de 24 anos. A ficha policial não aponta histórico de violência doméstica ou ameaças recentes. Investigadores do DHPP afirmam, em caráter reservado, que esse passado não define a linha principal da apuração, mas passa a ser um dos elementos analisados para entender o círculo de relações da vítima e seus possíveis algozes.

O corpo está incompleto. A cabeça não é encontrada na mala, o que amplia a dimensão da brutalidade e levanta a hipótese de que parte dos restos mortais tenha sido abandonada em outro ponto da cidade. Peritos do Instituto Médico Legal (IML) iniciam, ainda na noite de quinta, exames para detalhar causa da morte, tempo de óbito e possíveis sinais de tortura. O laudo preliminar deve ficar pronto nos próximos dias e será anexado ao inquérito.

Trabalhadores percebem vazamento e acionam ajuda

A mala é avistada por um operador de retroescavadeira que trabalha na obra da via. Ele nota um volume escuro na água rasa do córrego e repara, ao se aproximar, que um líquido vermelho escorre pela parte inferior da bagagem. O trabalhador relata à Polícia Civil que a mala está fechada, mas rasgada em alguns pontos, e exala cheiro forte, incompatível com lixo doméstico descartado na região. Ao lado do volume, um pé de chinelo preto chama a atenção dos funcionários.

Assustados, os operários param o serviço e acionam a Guarda Civil Metropolitana (GCM). Minutos depois, uma viatura chega ao trecho apontado pelos trabalhadores. Os agentes aproximam-se da mala, constatam o rasgo e veem sacos plásticos pretos amarrados com fita adesiva dentro dela. Segundo o boletim de ocorrência, é possível identificar parte de um corpo humano ainda antes da abertura completa da bagagem. A confirmação vem em seguida: dentro da mala estão membros da vítima, separados e envolvidos pelos sacos.

O córrego é isolado com fitas e os agentes impedem a aproximação de curiosos e de motoristas que tentam registrar imagens com o celular. Moradores da região, abordados pela reportagem, relatam medo e surpresa com a cena. Um comerciante que tem um pequeno bar a menos de 300 metros do local afirma que não ouviu barulho de carro ou movimentação estranha na madrugada anterior. “Aqui é escuro, mas geralmente é tranquilo. Ver isso muda a forma como a gente olha para a estrada”, diz.

O caso passa, ainda na noite de quinta-feira, para a responsabilidade do DHPP, unidade da Polícia Civil especializada em homicídios. Um delegado e uma equipe de investigadores seguem para o ponto, onde acompanham os trabalhos da perícia técnica. O material recolhido, incluindo a mala, os sacos plásticos, a fita adesiva e o chinelo, é embalado e levado para análise detalhada em laboratório.

Mistério sobre motivação acende alerta na comunidade

A falta de suspeitos até a manhã de sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, alimenta dúvidas na comunidade de Parelheiros e pressiona as autoridades por respostas rápidas. O DHPP evita cravar linhas de investigação, mas trabalha com diferentes hipóteses: execução ligada ao crime organizado, acerto de contas pessoal ou feminicídio configurado, por ora, como homicídio qualificado. A forma como o corpo é tratado, com esquartejamento e ocultação em área afastada, é vista por investigadores como um recado de violência extrema.

Moradores relatam aumento da sensação de insegurança na região nos últimos anos, impulsionado por registros de roubos em pontos de ônibus, desova de veículos roubados e disputas entre grupos criminosos em áreas de mata. A estrada Ecoturística, embora receba turistas aos fins de semana, tem trechos pouco iluminados e longos intervalos sem presença policial. O crime expõe, de forma concreta, o contraste entre o discurso oficial de queda em determinados índices e a percepção de risco vivida por quem mora ali.

Especialistas em segurança ouvidos pela reportagem avaliam que casos de corpos abandonados em córregos, terrenos baldios ou margens de rodovias se tornam mais visíveis à medida que obras e empreendimentos avançam sobre áreas antes ermas. A movimentação de máquinas, como a retroescavadeira que encontra a mala, acaba revelando crimes que poderiam permanecer ocultos. Dados consolidados da SSP mostram que a capital registra, em média, dezenas de homicídios dolosos por mês, mas a proporção de corpos encontrados em locais de difícil acesso ainda é subdimensionada.

Para a população, pouco importa a tipificação exata do crime. O que pesa é a sensação de vulnerabilidade. Pais relatam que pretendem reduzir a circulação de adolescentes à noite na região e comerciantes consideram ajustar horários de funcionamento. Em bairros próximos, grupos de moradores reforçam redes de mensagens em aplicativos para alertas de risco e pedidos de ajuda em tempo real.

Investigação busca autor, motivação e partes do corpo

O inquérito aberto pelo DHPP mira agora três frentes principais: a reconstituição dos últimos passos da vítima, a localização de possíveis câmeras de segurança no trajeto até o córrego e a busca pela cabeça e por eventuais partes ainda desaparecidas. Investigadores tentam levantar, com familiares e conhecidos, com quem a mulher se encontra nos dias anteriores ao crime e se ela relata ameaças ou conflitos recentes. A polícia rastreia ainda boletins de ocorrência de desaparecimento registrados na mesma semana, em busca de conexões.

Peritos analisam a mala, os sacos plásticos e a fita adesiva em busca de impressões digitais, vestígios de DNA e marcas de transporte que indiquem se o objeto passa por rodoviárias, estações de trem ou carros de aplicativo. O entorno do córrego também é vasculhado em um raio de centenas de metros para localizar a cabeça ou outros objetos descartados pelo autor. A polícia trabalha com a possibilidade de que a mala tenha sido lançada da estrada durante a madrugada, em um intervalo de menor circulação de veículos.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informa que “o DHPP instaurou inquérito policial para investigar todas as circunstâncias do caso” e afirma que diligências estão em andamento. Até o momento, não há suspeitos identificados. A expectativa interna é que os primeiros resultados dos exames do IML, somados ao cruzamento de imagens de câmeras públicas e privadas, ofereçam, nas próximas semanas, as primeiras pistas concretas sobre o autor ou autores do crime.

Enquanto a investigação avança, a mala retirada do córrego de Parelheiros se torna símbolo de um crime que, por ora, tem mais perguntas do que respostas. A principal delas segue em aberto: quem esquarteja uma mulher, espalha partes do corpo pela cidade e se sente seguro o suficiente para tentar esconder tudo em plena capital paulista?

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