Esportes

Botafogo promove nova onda de demissões e mexe em base e feminino

O Botafogo demite mais de dez funcionários entre quinta e sexta-feira, 19 e 20 de fevereiro de 2026, em uma nova onda de cortes internos. As mudanças atingem setores estratégicos como scout da base, preparação física e futebol feminino, em meio ao esforço da SAF por mais eficiência e redução de custos.

Reestruturação avança no quarto ano de SAF

O movimento atinge o clube em cheio quase quatro anos depois da transformação em Sociedade Anônima do Futebol. A direção trata os desligamentos como etapa “esperada” desse ciclo, segundo informou o “GE”. A lógica é clara: enxugar setores considerados inchados, reorganizar departamentos e liberar receita para o time principal.

O impacto aparece primeiro nas categorias de base. O scout do sub-17 e do sub-20, um dos pilares na formação e na prospecção de talentos, perde parte importante de sua estrutura. A preparação física, responsável pelo planejamento de cargas de treino e prevenção de lesões, também sofre baixas. No futebol feminino, ainda em fase de consolidação no clube, cortes atingem diretamente a continuidade de projetos e o planejamento de elenco.

Saídas de nomes de referência e efeito no dia a dia

Entre os demitidos estão profissionais com trânsito diário no campo e no vestiário. O auxiliar fixo Cláudio Caçapa, que participa da rotina do elenco principal e serve de ponte entre comissões técnicas, deixa o clube. O coordenador de scout Raphael Rezende, responsável pela análise de desempenho e mapeamento de reforços nas divisões de base, também é desligado. O técnico do sub-17, Jardel Zamberlan, perde o cargo em meio à preparação para a temporada.

As trocas não se limitam a nomes. A comissão técnica de base e a coordenação de diferentes setores entram na lista de dispensas, num movimento que pode se ampliar nos próximos dias. Internamente, a cúpula alvinegra sustenta que o objetivo é “obter retorno em gestão e eficiência operacional, assim como redução de custos”, para que mais dinheiro chegue ao departamento de futebol profissional.

A estratégia segue a cartilha de clubes que adotam o modelo SAF: concentrar investimento no elenco principal e em ativos considerados de maior retorno esportivo e financeiro. O risco, porém, aparece no médio prazo. Menos gente no scout e na base significa menos olhos sobre possíveis talentos, menos acompanhamento detalhado de desempenho e maior pressão por resultados imediatos nas categorias de formação.

Base, feminino e preparação física sob pressão

As demissões alteram a dinâmica diária de trabalho. No sub-17 e no sub-20, treinadores e remanescentes da comissão técnica precisam redistribuir tarefas que antes estavam nas mãos de analistas e coordenadores. Relatórios de desempenho, estudos de adversários e acompanhamento estatístico tendem a ser simplificados até que nova estrutura seja definida. No futebol feminino, a preocupação é com a continuidade do calendário e a manutenção do elenco, num cenário em que a modalidade ainda luta por espaço e investimento estável dentro do clube.

Na preparação física, cortes mexem com planejamento integrado entre base e profissional. Menos profissionais no setor podem gerar sobrecarga e reduzir o grau de personalização dos treinos, algo sensível em um calendário que empilha jogos, viagens e competições simultâneas. Jogadores em formação, que dependem de acompanhamento individual para crescer de forma segura, sentem primeiro qualquer falha de transição entre as categorias.

Torcedores acompanham o processo com atenção, sobretudo depois de seguidas mudanças desde 2022, quando o clube dá os primeiros passos como SAF. A reestruturação atual, divulgada às 14h07 desta quinta-feira e atualizada às 14h48, é lida por parte da torcida como mais um capítulo de um processo ainda em curso de profissionalização, mas também de afastamento de figuras conhecidas do cotidiano alvinegro.

O que o Botafogo mira e o que ainda está em aberto

A direção projeta ganho de eficiência e melhora de resultados esportivos a partir de um orçamento mais concentrado no elenco principal. O discurso interno é de que cada real economizado em estruturas de apoio precisa se transformar em investimento em jogadores, tecnologia e reforço do time que disputa os principais campeonatos. A aposta é que uma gestão mais enxuta permita ao Botafogo competir com orçamentos que, em alguns rivais, superam em dezenas de milhões de reais o montante disponível em General Severiano.

O desafio passa por executar a transição sem perda de qualidade em áreas que não aparecem na arquibancada, mas definem o futuro esportivo do clube. A base, responsável por revelar atletas que podem ser vendidos por milhões de euros, e o futebol feminino, cada vez mais exigido em termos de estrutura e desempenho, são termômetros importantes para medir se a economia de hoje não custará caro amanhã. A próxima temporada deve mostrar se a aposta em cortes e centralização de recursos se traduz em campo ou se o Botafogo precisará recalibrar o plano em meio à pressão de torcedores, atletas e mercado.

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