João Fonseca desperdiça chances e cai para Buse no Rio Open
João Fonseca perde para o peruano Ignacio Buse nas oitavas de final do Rio Open, nesta quinta-feira (19), no Rio de Janeiro, e deixa o torneio frustrado com o próprio desempenho. O brasileiro de 19 anos admite que desperdiça chances decisivas e não consegue reagir depois do segundo set, em uma noite marcada por interrupções pela chuva e queda de rendimento.
Chuva, oscilação e um jogo que escapa pelas mãos
A partida, adiada por horas por causa das fortes chuvas na capital fluminense, começa sob expectativa alta em torno do jovem brasileiro. Fonseca chega ao Rio Open de 2026 tentando repetir, ao menos, a campanha de 2024, quando avança até as quartas de final e termina entre os oito melhores. Desta vez, para novamente nas oitavas e se vê fora da chave de simples antes do fim de semana decisivo.
No início, o roteiro parece favorável. Fonseca faz um bom primeiro set, controla melhor os nervos e aproveita uma brecha rara no saque do peruano. “Eu consegui fazer um bom primeiro set. Não busquei muita coisa, mas consegui fazer uma quebra que as coisas estavam relativamente difíceis e eu consegui uma quebra, que foi muito mais demérito dele que mérito meu”, admite. A vantagem, porém, não se transforma em domínio duradouro.
O segundo set vira ponto de virada mental e técnica. Buse ajusta o saque, alonga as trocas e começa a explorar os erros não forçados do brasileiro. Fonseca encontra a grande chance do jogo quando abre 0-40 no serviço do adversário, com possibilidade concreta de assumir o controle da parcial. Em cenário de alto nível, três pontos bem jogados podem decidir uma noite.
Fonseca não aproveita. Buse se salva, confirma o saque e, a partir dali, cresce. “Oportunidade. Nesse nível não dá pra perder oportunidades. Bobagem da minha parte, afobado em alguns momentos”, reconhece o carioca, ainda na quadra, minutos depois do aperto de mãos na rede. O peruano passa a comandar os pontos longos, empurra o rival alguns passos para trás e impõe um ritmo que o brasileiro não acompanha.
Derrota expõe limites atuais e peso da gestão emocional
A chave do jogo, na visão do próprio Fonseca, está menos do outro lado da rede e mais na cabeça. Ele admite que, após a perda da chance de quebra no segundo set, não consegue se reencontrar. “No segundo set perdi uma oportunidade grande e não consegui me encontrar novamente. Ele fez um bom jogo e eu não consegui fazer uma reviravolta. Ele foi ganhando confiança e eu fui afrouxando um pouco. Tem coisa a melhorar”, diz.
A leitura é dura, mas coerente com o que se vê em quadra. O brasileiro passa a errar bolas simples, força golpes em momentos inoportunos e deixa escapar a agressividade controlada que o empurra no início do confronto. O ímpeto vira precipitação. A consistência, tão exigida no circuito profissional, não aparece com a regularidade necessária para fechar sets apertados.
Em competições como o Rio Open, que distribui pontos importantes no ranking e coloca jovens jogadores em contato com a elite, cada detalhe pesa. Uma quebra desperdiçada em 0-40, um game mal jogado depois de uma paralisação pela chuva, uma escolha apressada em um ponto-chave. Para quem ainda constrói currículo, essas falhas custam não apenas a vaga entre os oito melhores, mas também projeção, convites futuros e espaço em quadras centrais.
Fonseca não se esconde atrás do discurso fácil de que “faz parte do jogo”. Ele tenta transformar a queda em matéria-prima de evolução. “Era eu errar menos. É uma pergunta clara. Se eu não errasse eu teria ganhado, provavelmente. Mas sabemos que o tênis não é assim. Enfim, vão ter jogos que você vai errar mais. Foi um dia que eu não consegui jogar bem. Coisas do tênis”, analisa.
A eliminação nas oitavas impede que o brasileiro iguale a melhor campanha da carreira no Rio, alcançada em 2024. Pelo segundo ano consecutivo, ele termina a campanha entre os 16 da competição. Em termos de ranking, isso significa menos pontos do que o planejado para a gira sul-americana de quadra de saibro e, na prática, um caminho mais duro nas próximas chaves, com possíveis confrontos antecipados contra cabeças de chave.
Aprendizado em quadra e próximos passos na carreira
O Rio Open, maior torneio de tênis da América do Sul, funciona como vitrine e laboratório para jovens como Fonseca. A presença em quadra central, o contato direto com jogadores mais rodados e a pressão de decidir pontos sob holofotes ajudam a acelerar processos que, em torneios menores, demoram meses. No caso do carioca, a semana termina com frustração esportiva, mas também com respostas claras sobre o que precisa mudar.
Fonseca fala em “processo” e repete a ideia de seguir trabalhando, expressão comum no circuito, mas que para ele ganha contorno concreto. A prioridade agora é ajustar a parte mental para equilibrar agressividade e paciência, além de consolidar padrões táticos que evitem oscilações bruscas como as vistas após o segundo set. Em um cenário em que cada ponto vale, controlar a ansiedade pode ser tão decisivo quanto aprimorar o forehand.
O calendário das próximas semanas deve incluir mais torneios em saibro, etapa crucial para acumular vitórias, somar pontos e testar, em jogos reais, as lições tiradas no Rio. O objetivo imediato é voltar a avançar em chaves principais, furar novamente a barreira das oitavas e recolocar o nome entre as promessas em ascensão do tênis brasileiro.
A derrota para Ignacio Buse não interrompe a trajetória de João Fonseca, mas coloca um freio temporário em uma curva de crescimento que vinha embalada desde 2024. Resta saber como o jovem de 19 anos vai transformar a frustração desta quinta-feira em combustível para os próximos torneios. O que ele fizer a partir de agora definirá se a noite chuvosa no Rio ficará apenas como tropeço ou como ponto de virada na carreira.
