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Avalanche em Castle Peak mata 8 e deixa 1 desaparecido na Califórnia

Uma avalanche em Castle Peak, na Sierra Nevada, mata ao menos oito pessoas e deixa uma desaparecida na manhã desta terça-feira (17) na Califórnia. O deslizamento de neve atinge um grupo de esquiadores por volta das 11h30, em meio a uma tempestade de inverno com neve profunda e visibilidade quase zero.

Tragédia em meio à tempestade de inverno

O grupo, composto por cinco clientes e um guia, pratica esqui em área de montanha quando a encosta desaba sobre eles. A região de Castle Peak, a cerca de 3 mil metros de altitude na cadeia da Sierra Nevada, enfrenta uma forte tempestade de inverno, com mais de 60 centímetros de neve recente acumulada em alguns trechos.

Equipes do Nevada County Sheriff’s Office são acionadas no fim da manhã e correm contra o tempo em meio ao mau tempo. As buscas se estendem pela tarde e avançam pela noite, com vento forte, frio intenso e trechos em que a visibilidade praticamente desaparece. Helicópteros têm a operação limitada pelas nuvens baixas e pela nevasca constante.

Resgate difícil e revisão do número de vítimas

Socorristas conseguem localizar seis integrantes com vida ainda na noite de terça-feira. Dois sobreviventes apresentam ferimentos mais graves e são encaminhados a um hospital da região. Entre os resgatados estão os cinco clientes e o guia que lidera a expedição.

O balanço inicial das autoridades fala em 16 pessoas na montanha, o que leva a uma corrida para localizar todos os possíveis soterrados. Horas depois, o número é revisado para 15 participantes, após a confirmação de que um esquiador desiste da saída minutos antes da partida do grupo. A correção reduz o universo de buscas, mas não altera a dimensão da tragédia: oito corpos são encontrados sob a neve e uma pessoa segue desaparecida.

Avalanche mais mortal em 40 anos nos EUA

O episódio em Castle Peak já entra para a história recente das montanhas americanas. Dados de monitoramento de avalanches nos Estados Unidos apontam que este é o evento mais letal em mais de 40 anos. A última vez em que um deslizamento de neve causou tantas mortes no país ocorre em 21 de junho de 1981, no Mount Rainier, no estado de Washington, quando 11 pessoas morrem.

O desastre desta terça-feira se torna a segunda avalanche com maior número de vítimas fatais desde 1950, superando episódios que marcaram a memória dos esportes de inverno. Em 31 de março de 1982, uma avalanche atinge Alpine Meadows, também na Califórnia, e mata sete pessoas. Em 28 de maio de 2014, outro deslizamento no Mount Rainier deixa seis mortos. Castle Peak passa a integrar a lista trágica, agora com oito vítimas confirmadas.

Neve instável e alerta máximo de risco

As condições na Sierra Nevada ajudam a explicar o que acontece nesta manhã. A região enfrenta uma forte tempestade de inverno, com sucessivas rodadas de neve farta sobre camadas mais antigas e endurecidas. O acúmulo supera 60 centímetros em alguns pontos, criando um tapete recente, mais leve e mal aderido à base compactada.

O Sierra Avalanche Center emite, desde a véspera, um alerta de risco elevado de avalanches para encostas inclinadas, inclusive em áreas com árvores. O boletim destaca “neve amplamente instável” e possibilidade de deslizamentos deflagrados tanto por esquiadores quanto de forma espontânea, por sobrecarga do manto de neve. Na prática, isso significa que qualquer passagem em terreno íngreme pode funcionar como gatilho para uma ruptura.

Impacto para esportes de inverno e turismo

A tragédia repercute entre praticantes de esportes de neve e operadores de turismo de montanha em toda a Costa Oeste dos Estados Unidos. A temporada de inverno movimenta milhares de pessoas em busca de neve profunda e encostas fora das pistas demarcadas, conhecidas como “backcountry”. Nessas áreas, porém, não há a mesma proteção oferecida por estações de esqui estruturadas, que monitoram encostas e fazem detonações preventivas para soltar a neve acumulada.

Autoridades e centros de avalanche reforçam o alerta. A recomendação imediata é evitar a prática de esqui fora de pista, trilhas em alta montanha e expedições em regiões íngremes enquanto o padrão de tempestade persiste. Operadores ajustam roteiros, cancelam saídas e revêm protocolos de segurança. Em Castle Peak e arredores, as equipes mantêm áreas isoladas e pedem que curiosos e aventureiros não se aproximem, para não se exporem a novos deslizamentos nem atrapalharem o trabalho de resgate.

Buscas seguem e investigação analisa causas

A polícia do condado de Nevada afirma que as buscas continuam “conforme as condições meteorológicas permitirem”. O objetivo imediato é localizar a pessoa ainda desaparecida e garantir que não haja vítimas adicionais. As equipes alternam janelas de operação em solo com monitoração aérea, sempre que a tempestade dá trégua suficiente para o uso de helicópteros e drones.

Paralelamente, autoridades e especialistas iniciam a investigação sobre a sequência de fatores que leva ao colapso da encosta em Castle Peak. Técnicos analisam o perfil da neve, a inclinação do terreno, o histórico de tempestades das últimas semanas e a rota escolhida pela expedição. A resposta deve orientar futuros alertas e protocolos. Em uma temporada em que a neve volta a se intensificar na Sierra Nevada, a pergunta que permanece é até que ponto turistas e montanhistas vão ajustar o próprio comportamento diante de um risco que, como a avalanche desta terça-feira mostra, não admite erro.

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