Esportes

Sem espaço no Athletico, joia do Palmeiras vê empréstimo emperrar

Emprestado pelo Palmeiras até o fim de 2026, o lateral-direito Gilberto, 20, não consegue espaço no time principal do Athletico-PR no início da temporada. A promessa da base alviverde atua só no Campeonato Paranaense, com a equipe de aspirantes, e vê a concorrência aumentar mesmo longe de casa.

Do destaque na base à fila no Furacão

Gilberto deixa a Academia de Futebol no fim de 2025 em alta. Fecha o ano pelo sub-20 com 3 gols e 13 assistências em 36 jogos, números raros para um lateral-direito. O Palmeiras se apoia nesses dados e no histórico de regularidade para apostar que o empréstimo ao Athletico, assinado até dezembro de 2026, acelera a transição ao profissional.

A aposta não se confirma nos primeiros dois meses. Em 11 partidas do Athletico em 2026, o jovem entra em campo 8 vezes, todas pelo Campeonato Paranaense, torneio que o clube reserva ao time de aspirantes. No Brasileirão, onde o time principal atua, Gilberto ainda não soma um minuto. A lateral direita tem dono: o argentino Gastón Benavídez, 30, escolhido como titular pelo técnico Odair Hellmann.

O cenário fica ainda mais duro quando o próprio treinador pede outro jogador para a posição. Ao sinalizar à diretoria que quer a contratação de mais um lateral-direito, Odair desenha um horizonte curto para o palmeirense. Mesmo como alternativa, Gilberto vira terceira opção num setor que já parecia congestionado antes do empréstimo.

No Palmeiras, a leitura é semelhante. A diretoria entende que a lateral direita está fechada com Khellven e Giay. Gilberto seria reserva de dois atletas consolidados e, na prática, terceira alternativa, com chance mínima de sequência. O clube observa que o jogador completa 21 anos em março e já não pode seguir na base. O salto para o profissional vira condição, não escolha.

Dentro da Academia, o defensor passa por treinos com a comissão de Abel Ferreira antes da saída. Testa a rotina do elenco principal, convive com titulares e reservas, mas não causa o mesmo impacto de outras revelações recentes. A avaliação técnica interna aponta qualidade, mas não urgência para promovê-lo. O empréstimo ao Athletico aparece como solução intermediária.

Concorrência intensa e risco de estagnação

A travessia mostra os limites do modelo. Ao chegar a Curitiba, Gilberto encontra um clube que também encara a lateral direita como posição sensível. Benavídez assume a titularidade e não demora a se firmar. A confiança do treinador no argentino deixa pouco espaço para testes no Brasileirão, competição que decide o ano esportivo e financeiro.

Os minutos sobram no Paranaense. Ao longo de 8 jogos, o lateral tenta repetir o protagonismo ofensivo da base, volta com frequência ao ataque e busca cruzamentos. As atuações, porém, acontecem em um ambiente de menor pressão, com estádio vazio em várias rodadas e adversários de orçamento reduzido. A vitrine que deveria projetar o jovem acaba confinada a um torneio regional, distante dos holofotes do Campeonato Brasileiro.

As decisões da comissão técnica do Athletico revelam um dilema comum no futebol brasileiro. Treinadores pressionados por resultados imediatos se apoiam em nomes de maior rodagem, deixam apostas para momentos de calmaria e raramente arriscam mudanças em setores considerados sensíveis, como a defesa. A lateral direita, porta de entrada e de saída das jogadas, vira um dos espaços menos tolerantes a erros.

Para um jogador em formação, esse contexto cobra preço alto. Sem sequência contra rivais mais fortes, a curva de aprendizado desacelera. O risco não é só a falta de vitrine, mas a estagnação competitiva. A cada rodada do Brasileirão em que não entra, Gilberto vê outros jovens do país ganharem espaço, valorização e mercado, enquanto seu nome permanece restrito a relatórios internos.

No Palmeiras, a preocupação ainda não dispara alarmes. O empréstimo está no início, restam mais de 30 meses de contrato, até 31 de dezembro de 2027, e a diretoria lembra que o calendário brasileiro acumula mais de 60 jogos por ano. A leitura é que o lateral ainda terá oportunidades, seja em Curitiba, seja em uma eventual reavaliação de rota.

Próximos passos e disputa por futuro

O desenho da temporada coloca pressão silenciosa sobre todas as partes. O Athletico busca no mercado mais um lateral para dividir a posição com Benavídez. Se essa contratação se concretiza, Gilberto passa a depender de contusões, suspensões ou mudanças drásticas de plano para entrar no time principal. A janela de desenvolvimento, curta por natureza, encolhe ainda mais.

O Palmeiras acompanha à distância e monitora relatórios de desempenho. A evolução do quadro pode influenciar estratégias futuras na gestão da base. Um empréstimo com poucos minutos em nível alto serve de alerta sobre o destino de outras promessas, em especial quando o clube já conta com duas peças consolidadas na mesma função. A discussão interna tende a crescer caso o cenário de 2026 se encerre com Gilberto ainda longe dos holofotes.

Para o jogador, cada partida do Paranaense ganha peso desproporcional. As atuações com o time de aspirantes viram argumento para tentar furar a barreira do elenco principal, seja em Curitiba, seja em um eventual retorno antecipado ao Allianz Parque. O histórico de 3 gols e 13 assistências na base ancora o discurso de que existe potencial, mas o futebol profissional costuma cobrar provas semanais.

O caminho de Gilberto também se encaixa em um debate mais amplo sobre o uso de empréstimos no país. Clubes de ponta enxergam nas saídas temporárias uma forma de aliviar elencos, ganhar rodagem para jovens e preservar ativos. Na prática, muitos desses jogadores ficam presos em uma terra de ninguém: sem espaço no time que os formou e sem protagonismo onde se apresentam.

Aos 20 anos, o lateral do Palmeiras entra nesse cruzamento. O futuro imediato depende de uma combinação de fatores que foge ao seu controle: escolhas de Odair Hellmann, eventuais lesões no elenco, idas e vindas no mercado de transferências. A temporada ainda é longa, como lembra a diretoria alviverde, mas a janela para transformar promessa em realidade não costuma ser tão paciente quanto o relógio do calendário.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *