Neymar admite possível aposentadoria em 2026 e diz viver “ano a ano”
Neymar admite, em entrevista à CazéTV em fevereiro de 2026, que pode se aposentar em dezembro e afirma viver a carreira “ano a ano”, após longa recuperação de lesão.
Um futuro em aberto no Santos e na seleção
O principal nome do Santos e ainda referência da seleção brasileira coloca o futuro em suspenso. Aos 34 anos, Neymar fala em tom raro de incerteza e não descarta encerrar a carreira já no fim de 2026. A declaração, dada em entrevista à CazéTV, mexe com o planejamento do clube, da CBF e de um mercado que ainda o trata como ativo central dentro e fora de campo.
O atacante evita qualquer promessa de longo prazo. “Não sei o que vai acontecer daqui para frente. Pode ser que chegue em dezembro e eu queira aposentar. Estou vivendo ano a ano”, diz. Na mesma resposta, ele reforça o peso da temporada atual. “Tem esse ano, que é muito importante não só para o Santos, mas para a seleção brasileira, e para mim também.”
Lesão, paciência e retomada gradual
A mudança de discurso nasce do corpo. Depois de mais uma lesão grave, que o tirou de boa parte da temporada passada e exigiu meses de fisioterapia diária, Neymar passa a tratar o calendário com mais cautela. Ele admite que segurou a volta aos gramados, mesmo sob pressão, para tentar romper um ciclo de retornos apressados que marcaram os últimos anos.
“Queria voltar a jogar essa temporada estando totalmente 100%, por isso que segurei alguns jogos”, afirma. Ele relata a distância entre o que se diz nas arquibancadas e o que vive em silêncio no departamento médico. “Sei que muita gente fala muita besteira e não sabe do dia a dia, mas tenho que aguentar.” A escolha, segundo o jogador, segue um plano construído com o clube. “O Santos fez um planejamento muito bom neste quesito. Obviamente que eu queria voltar para ajudar meu time, mas acabei segurando para voltar 100%, sem dor, sem medo e sem nada.”
O retorno recente, em partida oficial pelo Santos, funciona como primeiro teste desse novo método. Neymar destaca que sente diferença em campo. “Consegui voltar muito bem neste último jogo. Fico feliz e tranquilo por ter voltado um pouco melhor do que estava antes.” Ele reconhece, porém, que a forma ideal ainda está distante. “Óbvio que preciso adquirir um pouco mais de ritmo, mas é com perseverança que vou alcançar meu 100%.”
Impacto para Santos, seleção e mercado
A possibilidade de aposentadoria em dezembro coloca luz sobre a dependência que Santos e seleção ainda mantêm do camisa 10. No clube que o revelou e voltou a recebê-lo como grande aposta para 2026, o atacante é peça central de um projeto esportivo e financeiro que envolve bilheteria, sócios-torcedores, venda de camisas e acordos comerciais. Um adeus precoce obrigaria a diretoria a redesenhar o elenco e a estratégia de médio prazo já a partir de 2027.
Na seleção brasileira, o impacto é ainda mais simbólico. Desde 2010, Neymar participa de todas as grandes campanhas da equipe, de Copas do Mundo a Copas América, e divide com ídolos históricos o protagonismo em audiência e arrecadação. A simples hipótese de aposentadoria em menos de um ano acende alerta na CBF, que tenta construir uma nova geração capaz de assumir o protagonismo técnico e midiático. Perder um jogador desse porte afeta não só a qualidade em campo, mas também contratos de transmissão, patrocínios e a capacidade de mobilizar público em amistosos e torneios.
O mercado publicitário também observa com atenção. Marcas associadas a Neymar há mais de uma década trabalham com campanhas de ciclo longo, muitas vezes planejadas com um ou dois anos de antecedência. Se ele decidir parar em dezembro de 2026, esses contratos terão de ser reavaliados, acelerando a busca por novos rostos capazes de sustentar engajamento semelhante nas redes e nas transmissões. Aos torcedores, resta conviver com a ideia de que cada jogo no Santos pode ser um dos últimos capítulos de uma carreira que movimenta bilhões desde a estreia profissional em 2009.
Um dia de cada vez e a dúvida sobre o fim
Neymar insiste que não há decisão tomada. Ele repete, mais de uma vez, que vive “ano a ano” e não cria metas distantes. “Vou vivendo ano a ano. Não sei o que vai acontecer daqui para frente, vai ser do meu coração. É um dia de cada vez”, afirma. A fala resume o momento de transição de um jogador que já atravessou três Copas, passou por Barcelona e PSG, bateu recordes de gols pela seleção e hoje mede cada passo pelo termômetro da dor e da confiança física.
Enquanto o calendário avança, Santos, CBF, patrocinadores e torcedores observam os próximos jogos em clima de vigilância. O desempenho nas próximas semanas, a resposta do corpo à sequência de partidas e o ambiente em torno do atacante devem pesar na escolha que ele promete tomar apenas mais perto de dezembro. Até lá, o futebol brasileiro convive com a pergunta que ronda o vestiário e as arquibancadas: 2026 será o ano da retomada definitiva de Neymar ou o último capítulo de sua carreira profissional?
