João Fonseca perde virada para Buse e cai nas oitavas do Rio Open
João Fonseca é eliminado nas oitavas de final do Rio Open após levar a virada do peruano Ignacio Buse, na noite desta quinta-feira (19), no Rio. O brasileiro vence o primeiro set, mas cai por 2 a 1, com parciais de 7/5, 3/6 e 4/6, em 2h27 de partida.
Virada em noite longa e atraso pela chuva
A principal esperança local entra em quadra sob forte expectativa, mas enfrenta uma noite em que quase nada funciona depois do início promissor. O jogo, previsto para começar por volta das 19h, só começa às 21h30, após mais de duas horas de atraso por causa da chuva e do trabalho de secagem da quadra central no Jockey Club Brasileiro.
No primeiro set, Fonseca resiste à pressão inicial de Buse no saque e confirma os dois primeiros serviços, mesmo com um smash errado e uma dupla falta no quarto game. A partir dali, os dois mantêm o padrão de confirmar seus games até o 11º. O brasileiro, empurrado pela torcida, arrisca mais, mistura bolas profundas com uma curta precisa e consegue a primeira quebra da noite, abrindo caminho para fechar o set em 7/5 com autoridade e punhos cerrados.
O cenário muda logo na abertura do segundo set. Fonseca entra desconcentrado, acumula erros não forçados e desperdiça três chances de quebra no primeiro game. Buse se segura, confirma o serviço e, na sequência, aproveita a instabilidade do rival para conseguir a primeira quebra, abrindo 3/0. O peruano, número 91 do mundo, passa a ditar o ritmo com um jogo mais limpo, enfileira bons primeiros saques e controla melhor as trocas de bola do fundo de quadra.
Sem repetir o volume do set inicial, o brasileiro não encontra brechas no serviço do adversário. A frustração aparece em gestos, olhares para a própria raquete e reclamações breves com a equipe no box. Buse mantém o plano tático, evita riscos desnecessários e fecha o segundo set em 6/3, igualando o duelo e esfriando a atmosfera que até então parecia favorável ao dono da casa.
Queda de ritmo expõe limitações e abre espaço ao peruano
O set decisivo começa com um novo esforço de reação de Fonseca, que confirma o primeiro saque e tenta reativar a conexão com a torcida. Buse responde com um game firme de serviço e volta a explorar a pressa do brasileiro nos pontos longos. No terceiro game, o peruano conquista outra quebra após três break points seguidos, todos construídos a partir de erros do número 38 do ranking da ATP, que volta a demonstrar irritação em quadra.
Com 3/1 no placar, Buse administra a vantagem com maturidade inesperada para um jogador de 21 anos em sua primeira grande campanha em nível ATP. Fonseca ainda arranca um ponto espetacular no quinto game, que levanta a arquibancada e renova o clima de confiança por alguns minutos. O peruano, porém, reduz o ritmo, respira fundo entre os saques e volta a encaixar primeiras bolas, esfriando qualquer tentativa de reação.
O brasileiro cria três oportunidades de quebra em um game decisivo do terceiro set, na última janela real para voltar ao jogo. As chances escapam uma a uma, sempre com um golpe precipitado ou uma escolha mal calculada nas devoluções. Buse confirma o serviço na marra, fecha a porta para o rival e conduz o duelo até o 6/4 final, que sela a virada histórica em seu primeiro confronto profissional com Fonseca. Antes desta noite, os dois só se cruzam em torneios de base, com vantagem do brasileiro.
A derrota representa um freio momentâneo na trajetória de Fonseca em casa, no torneio que ajuda a projetá-lo ao grande público nacional. Aos 19 anos, ele chega ao Rio Open como nome mais comentado do tênis brasileiro, entra na chave principal como top 40 e carrega a expectativa de uma campanha longa diante da torcida. A queda nas oitavas, em um jogo que começa bem e se desmancha na sequência, expõe a necessidade de ajustes de controle emocional, gestão de energia e tomada de decisão sob pressão.
Buse avança, Fonseca mira reação nas duplas
Ignacio Buse transforma a noite em ponto de virada pessoal. O peruano, 91º do mundo, avança às quartas de final e encara já nesta sexta-feira o italiano Matteo Berrettini, ex-top 10, que elimina o sérvio Dusan Lajovic também em três sets. A vitória em 2h27, em ambiente hostil e sob forte expectativa para o adversário, reforça o momento de ascensão do tênis peruano no circuito, ainda sem tradição de grandes resultados em nível ATP 500.
O roteiro no Rio também redesenha o mapa de interesses do público local. Com a eliminação de Fonseca nas simples, a atenção se desloca para a chave de duplas, na qual o jovem brasileiro forma parceria com o veterano Marcelo Melo, de 40 anos. A dupla está na semifinal e volta à quadra nesta sexta contra os alemães Jakob Schnaitter e Mark Wallner, algozes dos brasileiros Gustavo Heide e Luís Miguel nas quartas. Um título nas duplas, em plena quadra central, teria peso simbólico importante neste início de carreira profissional.
O revés desta quinta não apaga a ascensão recente de Fonseca, mas reposiciona o debate em torno de sua preparação para partidas longas, em piso de saibro e sob holofotes de um ATP 500. A lição desta noite, com vantagem construída e desperdício na sequência, tende a reforçar o trabalho de equipe em torno de resistência física, consistência de saque e leitura de momentos-chave, como os break points que escapam no segundo e no terceiro sets.
O Rio Open segue, agora sem o principal nome brasileiro na chave de simples, mas com a promessa de novos testes para Fonseca nas duplas. A forma como ele reage à derrota, dentro e fora da quadra, ajuda a indicar se a queda nas oitavas será apenas um tropeço pontual ou o início de uma curva de aprendizado mais profunda em sua ainda curta carreira profissional.
