MetSul alerta para vendavais de até 120 km/h no Oeste do RS
A MetSul Meteorologia emite alerta de alto risco para vendavais intensos no Rio Grande do Sul nesta quinta-feira (19). As rajadas podem superar 120 km/h na metade oeste do estado, com potencial para danos estruturais, queda de árvores e transtornos no fornecimento de energia.
Calor extremo no interior do continente alimenta tempestades
O aviso desta quinta-feira nasce longe das fronteiras gaúchas. Desde a quarta-feira (18), uma bolha de calor cobre o Paraguai e o Norte da Argentina, com temperaturas pouco comuns até para o verão. Na Argentina, os termômetros chegam a 44,0 ºC em Rivadavia, 41,8 ºC em Presidencia Roque Saenz Peña, 41,3 ºC em Resistencia e 41,1 ºC em Corrientes. Em Formosa, a máxima atinge 40,7 ºC, enquanto Tartagal registra 40,1 ºC. No Paraguai, estações acusam 42 ºC no interior e 41,4 ºC no aeroporto de Assunção.
Esse ar extremamente quente funciona como combustível para tempestades que avançam a partir do Centro da Argentina. Na noite de quarta, áreas de instabilidade fortes e severas cruzam as províncias de Santa Fé e Entre Rios e formam um grande sistema convectivo, um aglomerado de nuvens de tempestade que se organiza em bloco. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a força do vento na Ruta 9, na altura de Cañada de Gomez, em Santa Fé, onde vários caminhões tombam sob rajadas violentas.
Metade oeste concentra maior risco de vendavais
A MetSul acompanha esse sistema desde a noite de quarta e projeta o avanço das tempestades em direção ao Uruguai e, depois, ao Rio Grande do Sul. A previsão indica que as áreas de instabilidade alcançam o estado entre a madrugada e a manhã desta quinta. A combinação do sistema de onda curta na atmosfera com a massa de ar quente sobre o interior da América do Sul cria o cenário ideal para temporais com vento muito forte.
Os modelos atmosféricos de alta resolução, como o WRF, alimentados por dados dos modelos globais GFS, dos Estados Unidos, e ECMWF, da Europa, apontam para rajadas perto e acima de 100 km/h em diversos pontos da metade oeste gaúcha. Em alguns setores, o índice chega a 120 km/h ou mais, patamar associado a vendavais capazes de destelhar casas, derrubar árvores de grande porte e comprometer redes elétricas.
O mapa de risco traçado pela MetSul coloca no mesmo quadrante de atenção o Oeste, a Campanha, o Centro, o Noroeste e o Norte do estado. A avaliação interna dos meteorologistas considera a possibilidade de vendavais isoladamente destrutivos, aqueles em que o vento atinge força suficiente para causar danos concentrados em bairros, estradas ou zonas rurais específicas.
A chuva também preocupa, embora em segundo plano em relação ao vento. A previsão indica pancadas localmente fortes, com maior probabilidade na fronteira com o Uruguai e na região da Campanha. Em alguns pontos, os volumes se elevam em curto intervalo de tempo e aumentam o risco de alagamentos e enxurradas, sobretudo em áreas urbanas com drenagem precária.
Impacto no cotidiano e menor risco em Porto Alegre
O avanço das tempestades ocorre ao longo do dia. O sol ainda aparece com nuvens em boa parte do Rio Grande do Sul nesta quinta, mas a instabilidade se instala cedo no Oeste e progride para Noroeste, Campanha, Centro e Sul. O modelo WRF indica que a chuva pode alcançar grande parte do estado até o fim do dia, cenário mais agressivo que o sugerido pelos modelos globais.
Na prática, o potencial de danos se traduz em interrupções de energia, bloqueios de vias por queda de árvores e galhos, destelhamentos e prejuízos em lavouras expostas. Em áreas rurais, estruturas como galpões, silos e estufas se tornam vulneráveis às rajadas mais fortes. Em áreas urbanas, o vento intenso aumenta o risco de objetos arremessados, placas quebradas e fachadas danificadas. Linhas de ônibus intermunicipais que cruzam o Oeste e a Campanha podem enfrentar atrasos por conta de pistas sujas ou parcialmente interrompidas.
Na Região Metropolitana de Porto Alegre, o quadro é diferente. O sol aparece entre nuvens e a temperatura sobe, com máxima entre 31 ºC e 33 ºC na maior parte da área metropolitana. Em alguns bairros a sensação de calor é ainda maior. Áreas de instabilidade vindas do interior podem provocar chuva ou temporal na segunda metade do dia, mas os dados indicam risco bem menor de tempo severo em comparação com a metade oeste. A capital, apesar de não estar livre de pancadas fortes, não figura entre as regiões com previsão de vendavais mais intensos.
O histórico recente de episódios de vento forte no estado pesa na forma como o alerta é recebido. Vendavais que atingem a zona rural e periferias urbanas costumam deixar rastro de telhados arrancados, postes caídos e bairros no escuro por horas ou dias. A MetSul reforça a necessidade de atenção especial a construções frágeis, redes elétricas antigas e áreas com vegetação alta próxima a residências e estradas.
Atenção redobrada e próximos desdobramentos
O monitoramento das tempestades segue ao longo do dia com atualização constante de imagens de radar e satélite. A orientação de meteorologistas é que moradores das áreas sob maior risco acompanhem os boletins oficiais, protejam veículos em locais cobertos sempre que possível e afastem objetos soltos de pátios e sacadas, como móveis leves, vasos e antenas improvisadas. Em caso de tempestade iminente, a recomendação é buscar abrigo em área interna, longe de janelas e estruturas metálicas.
A atuação desse sistema de instabilidade marca mais um capítulo de um verão em que extremos de calor e episódios de tempo severo se tornam mais frequentes na região Sul. A trajetória das tempestades desta quinta-feira ainda pode redefinir, nas próximas horas, o balanço de danos e a extensão dos transtornos. A pergunta que se impõe é se o estado conseguirá adaptar rotina, infraestrutura e planejamento para uma temporada em que o vento deixa de ser apenas um elemento do clima e passa a ser fator central de risco.
