Esportes

Fifa barra Santos por dívida com Arouca e trava registro de reforços

O Santos sofre, nesta quinta-feira (20), um transfer ban da Fifa por dívida de 2,6 milhões de euros (cerca de R$ 15,9 milhões) com o Arouca, de Portugal, ligada à contratação do zagueiro João Basso. A punição impede o clube de registrar novos jogadores por três janelas de transferências e atinge de imediato a montagem do elenco para a sequência da temporada.

Decisão chega antes do esperado e expõe crise

A restrição é publicada após o Santos ser condenado pelo CAS, a Corte Arbitral do Esporte, no mês passado, e não chegar a um acordo definitivo com o Arouca para quitar o débito. O clube paulista sabia que o prazo de 45 dias dado após a decisão estava perto do fim, mas dirigentes trabalhavam com a data de 26 de fevereiro como limite para que o bloqueio fosse efetivado.

A entrada antecipada do Santos na lista da Fifa de clubes proibidos de registrar atletas surpreende a diretoria e reforça a imagem de um futebol pressionado por problemas financeiros e jurídicos. Arouca exige pagamento integral dos 2,6 milhões de euros para retirar a ação, enquanto o Santos tenta parcelar o valor e já descumpre tentativas de acordo anteriores.

O caso de João Basso, zagueiro que chega do futebol português para ser referência defensiva na Vila Belmiro, vira símbolo de uma gestão que acumula pendências internacionais. Mesmo condenado no CAS, o clube não consegue avançar para um entendimento que evite a sanção esportiva mais temida: a proibição de reforçar o elenco.

A decisão em Zurique atinge um Santos que tenta reconstruir o futebol depois do rebaixamento à Série B em 2023 e da volta à elite no ano seguinte. O transfer ban agora adiciona uma nova camada de incerteza sobre um time que ainda busca estabilidade técnica e administrativa.

Transfer ban trava elenco e bloqueia chegada de Christian Oliva

O efeito mais imediato do bloqueio aparece no meio-campo. O Santos acerta a compra do volante uruguaio Christian Oliva, que defende o Nacional, do Uruguai, e já treina com o elenco no CT Rei Pelé. O planejamento era registrá-lo até amanhã para ter o jogador à disposição contra o Novorizontino, domingo, pelas quartas de final do Campeonato Paulista. A punição da Fifa torna esse plano inviável.

Sem poder inscrever Oliva e qualquer outro reforço, o clube perde margem de manobra para ajustar o grupo em um momento decisivo da temporada. A sanção por três janelas de transferências pode atravessar competições como Brasileirão, Copa do Brasil e, dependendo do calendário, até o próximo Campeonato Paulista. Cada janela perdida representa menos opções para suprir lesões, saídas imprevistas ou falhas de planejamento.

O transfer ban da Fifa não impede o Santos de negociar jogadores nem de firmar novos contratos em tese. O bloqueio recai sobre o ato formal de registrar atletas, etapa necessária para que um reforço apareça no boletim informativo da CBF e tenha condição de jogo. Na prática, o clube pode até anunciar nomes, mas não consegue colocá-los em campo enquanto a dívida seguir pendente.

Nos bastidores, interlocutores do clube admitem que a situação esportiva e financeira se misturam. A necessidade de montar um elenco competitivo pressiona o caixa, enquanto as cobranças internacionais, como a do Arouca, fecham portas justamente quando o Santos tenta se recolocar com força no mercado de transferências.

Negociação travada e futuro em aberto

O Arouca mantém a exigência de pagamento à vista para retirar a ação na Fifa e liberar o Santos do transfer ban. Pessoas próximas às tratativas relatam que o clube brasileiro apresenta propostas de parcelamento, mas não cumpre os compromissos assumidos, o que leva a desconfiança do lado português e esvazia qualquer tentativa de conciliação. “Enquanto não houver o pagamento integral, não há conversa sobre suspensão da sanção”, aponta um dirigente ligado ao caso.

A diretoria santista tenta, em paralelo, organizar o fluxo de caixa para viabilizar o acerto sem comprometer por completo o orçamento da temporada. O valor de 2,6 milhões de euros pesa em um clube que ainda lida com heranças de passagens anteriores pelo mercado internacional. A experiência recente com outros bloqueios da Fifa por dívidas de transferências eleva a pressão sobre o atual comando.

O impacto vai além do gramado. A imagem institucional do Santos, um dos clubes mais tradicionais do país, volta a ser desgastada em um cenário global de maior vigilância sobre contratos e atrasos. Agentes, jogadores e outros clubes acompanham o caso e medem riscos ao negociar com uma instituição que aparece novamente no noticiário por descumprir prazos e perder disputas em tribunais esportivos.

A solução passa, em última instância, por uma escolha de prioridades. Ou o clube encontra meios de pagar à vista, ainda que com sacrifícios em outras áreas, ou aceita navegar por uma temporada com elenco engessado e menos competitivo. A janela de negociação não para, e a cada semana sem acordo a distância para rivais com maior poder de investimento tende a aumentar.

Enquanto o imbróglio com o Arouca permanece sem desfecho, o Santos vive de urgências simultâneas: precisa vencer em campo para manter a torcida mobilizada e, ao mesmo tempo, fechar a conta que hoje o impede de reforçar o time. A dúvida agora é se a diretoria conseguirá transformar uma nova crise internacional em ponto de virada ou se o transfer ban da Fifa se tornará mais um capítulo de um ciclo de dificuldades que parece longe do fim.

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