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Vitinho critica gramado sintético da Arena da Baixada às vésperas de Athletico x Corinthians

O atacante Vitinho, do Corinthians, critica o gramado sintético da Arena da Baixada na véspera do duelo com o Athletico, marcado para esta quarta-feira (19), às 19h30, pelo Brasileirão de 2026. O jogador aponta riscos à saúde dos atletas e diz que o piso interfere diretamente na qualidade do jogo.

Crítica pública às vésperas de jogo decisivo

A entrevista de Vitinho ao canal Desimpedidos coloca novamente o gramado da Arena da Baixada no centro do debate nacional. Em tom respeitoso, mas firme, o atacante reconhece a decisão do Athletico de manter a grama artificial, porém questiona o impacto do piso no corpo dos jogadores e no nível técnico das partidas.

“Eu respeito cada clube, mas acho que até pela qualidade do jogo e para a nossa saúde o campo sintético não é um dos melhores”, afirma o corintiano. A fala ganha peso porque surge às vésperas de um confronto direto na luta pelas primeiras posições do Campeonato Brasileiro, em jogo atrasado da segunda rodada, e porque o estádio atleticano ostenta certificação da Fifa renovada em fevereiro, com validade até 2 de fevereiro de 2027.

Pressão crescente sobre o gramado do Athletico

Vitinho não é voz isolada. O piso da Arena da Baixada vira alvo de críticas desde o início da temporada, intensificadas após a vitória do Athletico sobre o Santos, pela Série A. Na ocasião, Neymar comenta nas redes sociais que o gramado prejudica o andamento da partida, reforçando a percepção de que a bola quica demais e os movimentos dos atletas ficam mais bruscos.

Dentro do próprio Athletico, o desconforto aparece de forma incomum. Depois da goleada por 5 a 0 sobre o Foz do Iguaçu, pelas quartas de final do Campeonato Paranaense, o técnico Odair Hellmann admite que o piso atrapalha os jogadores. Em público, o comandante reconhece que a grama não oferece as condições ideais, o que obriga a comissão técnica a adaptar treinos e estratégias.

A diretoria reage com pressa. Entre 18 e 23 de janeiro, o clube realiza manutenção completa no sintético, em processo acompanhado para nova vistoria da Fifa. Para cumprir exigências técnicas, os responsáveis aumentam o uso de fibra de coco no enchimento do campo. A alteração rende o certificado internacional, mas gera queixas de atletas, que relatam piso mais pesado e irregular.

Às vésperas do jogo com o Corinthians, o Athletico decide recuar. O clube determina a retirada do excesso de fibra de coco para tentar deixar o gramado mais leve, mais verde e com aparência mais próxima da grama natural. A mudança busca melhorar o conforto dos jogadores e reduzir desgaste físico e impacto nas articulações, principal temor em superfícies artificiais.

Vantagem esportiva, saúde em disputa

As declarações de Vitinho expõem um conflito conhecido no futebol brasileiro: até que ponto o gramado sintético representa inovação ou desequilíbrio competitivo. O atacante admite que a Arena da Baixada impõe um nível extra de dificuldade para visitantes, algo visto internamente como trunfo do Athletico. “Sempre é um campo muito difícil, onde a qualidade do jogo é bem complicada e eles usam isso como um fator positivo”, diz.

Jogadores relatam que, em campos artificiais, a intensidade das arrancadas aumenta, as mudanças de direção ficam mais bruscas e o corpo sofre mais. Médicos ouvidos em diferentes temporadas apontam maior incidência de dores em joelhos, tornozelos e coluna, além de queimaduras em divididas, embora os estudos ainda sejam divergentes. Na prática, a percepção do elenco visitante influencia preparação, tempo de recuperação e até decisões de rodízio de atletas em semanas com calendário apertado.

O Corinthians desembarca em Curitiba ciente desse cenário. A comissão técnica planeja treino adaptado, com simulações de jogo em gramado mais duro e ênfase em passes rápidos e bolas rasteiras. Vitinho admite que a equipe precisa reagir dentro de campo, sem transferir toda a responsabilidade para o piso. “Pela experiência que a gente tem e pelos jogos que a gente jogou a gente vai tentar se adaptar o mais rápido possível dentro da partida para que isso não seja um fator desequilibrante para nós”, completa.

No bastidor, dirigentes de outros clubes acompanham a situação com atenção. A discussão sobre gramados artificiais toca diretamente as finanças dos times, já que o sintético permite agenda mais intensa de jogos, shows e eventos, e reduz custos de manutenção em comparação à grama natural. A conta, porém, inclui eventual aumento de lesões e perda de qualidade técnica, o que pode afetar audiência, bilheteria e valor de direitos de transmissão.

Debate técnico ganha força e pode chegar às regras

O caso da Arena da Baixada se torna laboratório para o futebol brasileiro. A Fifa chancela o gramado, mas a série de críticas de atletas de elite, como Neymar e agora Vitinho, pressiona entidades nacionais a revisarem protocolos. A CBF acompanha o tema e, segundo dirigentes ouvidos em outras ocasiões, pode discutir parâmetros específicos para campos artificiais em competições nacionais.

Um eventual endurecimento das regras, com limites mais claros para tipo de enchimento, altura da grama e frequência de manutenção, impactaria diretamente clubes que estudam migrar para o sintético. A decisão do Athletico de ajustar o gramado em pleno andamento da temporada indica que, mesmo com o selo internacional, o padrão ideal ainda está em disputa.

O confronto desta quarta-feira funciona como novo teste ao vivo. Jogadores, treinadores e torcedores observarão não só o placar, mas também como a bola corre, como os atletas se comportam fisicamente e se o gramado responde às mudanças recentes. Cada entrada dura, cada escorregão e cada reclamação pública alimentam um debate que vai além de Athletico x Corinthians.

Ao fim dos 90 minutos, a discussão sobre o sintético dificilmente se encerra. A fala de Vitinho, somada à de Neymar e ao reconhecimento do próprio Odair Hellmann, coloca pressão permanente sobre o clube paranaense e sobre as autoridades esportivas. O próximo passo passa por uma definição clara: o Brasil tratará o gramado artificial como solução definitiva ou como experiência ainda em fase de testes, com a saúde dos jogadores no centro da decisão.

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