Perfil do Flamengo no X é hackeado durante jogo da Recopa
A conta oficial do Flamengo no X é invadida na noite de 19 de fevereiro de 2026, durante o jogo da Recopa Sul-Americana contra o Lanús, e passa a publicar mensagens aleatórias com menções ao rival argentino. A ação, atribuída a hackers, interrompe a comunicação oficial do clube em um dos momentos mais tensos da partida.
Invasão em tempo real de jogo decisivo
O ataque começa enquanto a bola ainda rola, em um jogo que vale taça continental e concentra a atenção de milhões de torcedores. A cada minuto, novos posts desconexos surgem no perfil rubro-negro, alguns com provocações sutis, outros com menções diretas ao Lanús, o adversário da noite em Buenos Aires.
Os administradores do perfil tentam reagir, mas a linha do tempo do clube vira um fluxo caótico de publicações, apagadas e substituídas em questão de segundos. Torcedores percebem a anomalia quase de imediato e começam a registrar as telas, enquanto buscam explicações oficiais que demoram a aparecer.
O episódio expõe um ponto sensível: o Flamengo disputa um título internacional, tenta controlar a narrativa do jogo em tempo real, mas perde o comando do seu principal canal de comunicação digital. “É assustador ver o clube sem controle da própria voz durante uma final”, escreve um torcedor em outra rede social, refletindo o sentimento de parte da torcida.
Vulnerabilidade digital em clubes bilionários
A invasão acontece em um cenário em que o Flamengo se consolida como uma potência econômica no futebol sul-americano, com receitas anuais na casa de centenas de milhões de reais e mais de 20 milhões de seguidores somando todas as plataformas digitais. A estrutura é de clube global, mas o ataque revela fragilidades em camadas básicas de proteção.
Especialistas em segurança digital ressaltam que episódios assim costumam envolver falhas em senhas, descuido com autenticação em duas etapas ou acesso indevido por aplicativos de terceiros. “Quando um perfil desse porte é tomado, o recado é claro: qualquer clube está sujeito a esse tipo de incidente”, avalia um consultor ouvido pela reportagem. Sem controle do canal, o Flamengo fica exposto a riscos de disseminação de fake news, golpes e links maliciosos.
O impacto imediato se concentra na credibilidade das informações publicadas em tempo real. Parte dos torcedores hesita em confiar em qualquer novo conteúdo que aparece, inclusive quando o clube retoma a conta e tenta normalizar a cobertura da partida. A dúvida sobre o que é oficial e o que é fruto do ataque se espalha em segundos, alimentada por prints e repostagens.
O contexto amplia a gravidade do episódio. A Recopa, que reúne o campeão da Copa Libertadores e o vencedor da Copa Sul-Americana da temporada anterior, coloca o Flamengo em vitrine continental em plena quarta semana de fevereiro. Em vez de apenas narrar o jogo, o perfil do clube vira palco de disputa simbólica, em que o adversário argentino é citado em posts que não passam pelo crivo da comunicação rubro-negra.
Confiança em teste e pressão por mudanças
O episódio pressiona o Flamengo e outros clubes a revisarem a governança de suas redes sociais, hoje tratadas como ativos estratégicos, capazes de influenciar contratos, receitas de patrocínio e engajamento global. A invasão não causa apenas constrangimento público; ela questiona o nível de proteção de dados internos, acesso de funcionários e protocolos em dias de jogos decisivos.
A experiência recente de grandes marcas mostra que um único ataque pode comprometer campanhas inteiras. Em clubes de futebol, o dano se espalha na confiança do torcedor. “Se hackers entram fácil assim, o que mais está vulnerável?”, pergunta outro flamenguista, em mensagem que ecoa nas comunidades digitais. A imagem do Flamengo, construída ao longo de anos de investimentos em marketing e presença internacional, passa por um estresse inesperado em menos de noventa minutos de bola rolando.
Dirigentes de outros times acompanham o caso com atenção. Grêmios, paulistas, mineiros e clubes do Nordeste intensificam conversas com suas áreas de tecnologia e comunicação, temendo virar o próximo alvo em uma temporada com calendário cheio até dezembro. Entre as medidas em discussão estão revisão de acessos, contratação de empresas de cibersegurança e treinamentos específicos para equipes de redes sociais.
O debate extrapola o futebol. A invasão ao perfil do Flamengo reacende alertas sobre a fragilidade das grandes contas esportivas em ambientes tomados por apostas, rivalidades extremadas e campanhas orquestradas de desinformação. O episódio reforça que a disputa por títulos hoje passa também por firewalls, autenticações e respostas rápidas a ataques.
Reação, apuração e próximos capítulos
O Flamengo tenta, nos bastidores, recuperar a normalidade digital enquanto ainda administra o resultado em campo. Internamente, a tendência é abrir uma apuração detalhada sobre a origem do ataque, o tempo de exposição da conta e possíveis falhas internas, com participação do departamento jurídico e de tecnologia. A diretoria também avalia acionar formalmente o X e, se necessário, autoridades policiais especializadas em crimes cibernéticos.
Nos próximos dias, a pressão por transparência aumenta. Torcedores cobram explicações objetivas, prazos para conclusão da investigação e garantias de que novos episódios não se repetirão, sobretudo em jogos decisivos, finais e anúncios de contratações relevantes. A forma como o Flamengo responde a esse episódio tende a servir de referência, positiva ou negativa, para o restante do mercado esportivo.
O caso pode acelerar a criação de protocolos mínimos de segurança digital para clubes, federações e entidades internacionais, com exigências claras de autenticação reforçada, planos de contingência e equipes dedicadas à proteção de contas oficiais. Enquanto a bola segue rolando na América do Sul, a pergunta que permanece em aberto é se o futebol brasileiro vai tratar a segurança de suas redes com o mesmo rigor que dedica à preparação em campo.
