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Aos 41, LeBron é o mais velho a fazer triplo-duplo na NBA

LeBron James se torna, aos 41 anos, o jogador mais velho a registrar um triplo-duplo na NBA. O feito ocorre nesta quinta-feira (12) em vitória do Los Angeles Lakers sobre o Dallas Mavericks por 124 a 104, em Los Angeles.

Recorde de longevidade em noite de controle total

O veterano ala domina o jogo do início ao fim e fecha a partida com 28 pontos, 10 rebotes e 12 assistências. O resultado recoloca o Lakers na quinta colocação da Conferência Oeste e aprofunda a crise do Mavericks, que soma nove derrotas seguidas e ocupa o 12º lugar.

A três dias de seu 22º All-Star Game consecutivo, LeBron transforma uma noite comum de temporada regular em marco histórico. Nenhum outro jogador havia alcançado um triplo-duplo aos 41 anos. O recorde anterior pertence a Karl Malone, que em 2003 soma 10 pontos, 11 rebotes e 10 assistências aos 40 anos e 127 dias, então pelo Utah Jazz.

O contexto da partida amplia o peso da atuação. Luka Doncic, astro esloveno do Mavericks e referência ofensiva da equipe, está fora por lesão. Sem o principal rival em quadra, a responsabilidade de ditar o ritmo recai ainda mais sobre LeBron, que responde com controle de jogo raro mesmo para seus padrões.

Quadra em pé, filho em campo e coleção de marcas

O simbolismo da noite se concentra nos minutos finais. Com a vitória praticamente assegurada, James permanece em quadra até garantir o último rebote, a pouco menos de dois minutos para o fim. Assim que segura a bola, o ginásio em Los Angeles se levanta em um aplauso prolongado. O público reconhece que presencia algo que ultrapassa a estatística: um atleta em sua 23ª temporada ainda capaz de decidir jogos em alto nível.

Segundos depois, LeBron deixa a quadra e é substituído pelo próprio filho, Bronny James, em uma cena que sintetiza o choque de gerações em tempo real. Enquanto o pai amplia uma coleção de recordes improvável para alguém com mais de quatro décadas de vida, o filho tenta construir seu espaço na liga. A imagem corre as redes sociais e se torna instantaneamente um dos momentos mais compartilhados da rodada.

O técnico JJ Redick, em sua primeira experiência no comando do Lakers, evita superlativos, mas admite surpresa com o padrão de entrega do veterano. “Eu nunca subestimo o quão bom ele é”, afirma. “O mais surpreendente é o quanto ele se importa, em seu 23º ano e com todas as suas conquistas.” A fala ecoa uma percepção cada vez mais consolidada entre analistas: mais do que acumular números, LeBron segue disposto a jogar duro em noite comum de fevereiro.

O novo triplo-duplo se soma a outras marcas que já reconfiguram a história da liga. LeBron é o maior pontuador de todos os tempos, atravessa sua 23ª temporada e chega ao último ano de contrato com o Lakers sem indicar claramente qual será o próximo passo. Em público, repete que vive “ano a ano” e evita promessas sobre aposentadoria ou mudança de time.

Impacto esportivo, debate sobre longevidade e All-Star à vista

Em termos práticos, a atuação desta quinta-feira reforça o papel de LeBron como eixo do projeto esportivo do Lakers. Aos 41 anos, ele ainda é o jogador que organiza o ataque, dita o ritmo, escolhe o momento de acelerar ou cadenciar. O triplo-duplo contra o Mavericks confirma que o time continua dependente de sua leitura de jogo, mesmo com a presença de outros nomes importantes no elenco.

Do outro lado, o Mavericks sente a ausência de Luka Doncic e de sua jovem promessa Cooper Flagg, também fora. Sem seus principais talentos, a equipe acumula a nona derrota seguida e vê a tabela se tornar mais hostil. A queda para o 12º lugar no Oeste aumenta a pressão sobre direção e comissão técnica, que precisam encontrar soluções rápidas para evitar o risco de ficar fora até mesmo do torneio classificatório, o play-in.

O recorde também alimenta um debate mais amplo sobre longevidade no esporte de alto rendimento. A combinação de preparação física especializada, ajustes de dieta e controle de minutagem em quadra permite que jogadores estendam carreiras antes impensáveis. No caso de LeBron, a manutenção de um nível de impacto digno de candidato a prêmio individual, mesmo após 20 anos de NBA, se torna referência para uma geração inteira de atletas.

A proximidade do All-Star Game, marcado para domingo, amplia a repercussão. LeBron deve ser escolhido para seu 22º jogo das estrelas consecutivo, uma sequência sem paralelo na história da liga. O desempenho contra o Mavericks fortalece a narrativa de que sua presença no evento deixa de ser apenas homenagem a um ícone veterano e segue se justificando por critérios esportivos concretos.

Um futuro em aberto para um corpo que ainda responde

As perguntas que cercam o futuro de LeBron ganham nova camada após a noite histórica em Los Angeles. Se o corpo ainda responde com atuações como a desta quinta-feira, o limite prático para sua carreira volta a ser discutido. Dirigentes, analistas e torcedores se perguntam até quando ele conseguirá manter esse nível de entrega em uma liga cada vez mais veloz e física.

O último ano de contrato com o Lakers se torna, assim, menos um encerramento anunciado e mais uma encruzilhada. A possibilidade de uma renovação curta, a chance de jogar ao lado de Bronny em diferentes mercados ou até um adeus triunfante em Los Angeles entram no radar das especulações. Por enquanto, LeBron evita qualquer definição e concentra o discurso no presente, jogo a jogo.

O que está claro, nesta noite de 12 de fevereiro de 2026, é que a linha do tempo da NBA volta a se ajustar em torno de seu nome. O recorde de triplo-duplo mais longevo não altera sozinho a hierarquia da liga, mas reforça uma mensagem simples e desconfortável para quem esperava sua decadência: aos 41 anos, LeBron James ainda dita o enredo. A temporada agora se desenrola sob uma dúvida central, em Los Angeles e além: até onde esse corpo e essa mente ainda conseguem empurrar os limites do basquete profissional?

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