Nikolas convoca ato “Acorda, Brasil” na Paulista contra Lula e STF
O deputado Nikolas Ferreira convoca para 1º de março o ato “Acorda, Brasil”, na avenida Paulista, em São Paulo, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação nasce como reação política à troca de relator do chamado Caso Master dentro da Corte.
Caso Master leva disputa das redes à avenida Paulista
A convocação é feita pelo próprio parlamentar em vídeos e postagens nas redes sociais, onde ele soma milhões de seguidores e se tornou um dos principais porta-vozes da oposição de direita. O ato está marcado para um sábado, data em que a avenida Paulista costuma ser fechada para carros e transformada em espaço de lazer e manifestações políticas, o que aumenta a expectativa de adesão.
Nikolas apresenta a manifestação como resposta direta à mudança de relatoria do Caso Master no Supremo. O processo sai das mãos do ministro Dias Toffoli e passa ao ministro André Mendonça, nomeado por Jair Bolsonaro em 2021. “A troca de relator mostra a gravidade do que estamos enfrentando. É hora de o povo dizer basta”, afirma o deputado em convocação pública.
Troca de relator no STF alimenta discurso de reação
A alteração na relatoria, decisão interna do STF, torna-se o combustível político para a nova mobilização de rua. Nikolas trata o movimento como um “chamado nacional” e tenta transformar uma disputa técnica de gabinete em bandeira de massa contra o governo federal e o tribunal. O Caso Master, que já provoca embates entre ministros e investigados, vira também um símbolo da insatisfação de grupos conservadores com a atuação da Corte.
Desde 2022, manifestações convocadas por figuras da direita concentraram-se em temas como liberdade de expressão, atuação do Judiciário e denúncias de suposto cerceamento de opositores. O “Acorda, Brasil” segue essa trilha, mas mira simultaneamente o Planalto e o Supremo. Ao mirar Lula e o STF no mesmo palanque, o deputado tenta unificar diferentes vertentes do campo conservador em torno de um inimigo comum.
A avenida Paulista volta ao centro do tabuleiro político. Ao longo da última década, o endereço se consolida como palco das maiores manifestações nacionais, das jornadas de 2013 aos protestos pró-impeachment de Dilma Rousseff em 2015 e 2016, passando por atos bolsonaristas em 2019, 2020 e 2021. A escolha do local não é casual: cada metro de asfalto ocupado é convertido depois em narrativa de força ou desgaste, a depender do lado que observa.
Peso político da adesão e riscos da escalada
A adesão ao ato de 1º de março será medida em números concretos e em imagens. Organizadores falam em atrair dezenas de milhares de pessoas à Paulista, mas ainda não divulgam estimativas oficiais. O tamanho da manifestação pode influenciar negociações políticas em Brasília, alimentar pedidos de novas CPIs e servir de argumento para ampliar a pressão sobre ministros do STF envolvidos no Caso Master.
Aliados de Lula acompanham o movimento com atenção. Uma mobilização volumosa pode fortalecer a ala conservadora no Congresso, que hoje reúne mais de 100 deputados declaradamente alinhados à oposição. Uma manifestação esvaziada, por outro lado, enfraquece a estratégia de transformar o Caso Master em estopim de uma nova onda nacional de protestos. A disputa por narrativas começa antes mesmo do ato, com vídeos, hashtags e campanhas digitais que buscam ocupar o debate público.
Especialistas em comunicação política apontam que a Paulista funciona, há pelo menos 10 anos, como termômetro da polarização. A cada grande ato, cresce o risco de escalada verbal e de radicalização. Com ataques frontais ao Supremo na convocação do “Acorda, Brasil”, a linha entre crítica institucional e incitação contra ministros volta a ser tema de preocupação entre autoridades de segurança.
Próximos passos e disputa pelo dia seguinte
Até o dia 1º de março, o entorno do deputado intensifica a agenda de viagens, lives e encontros regionais para inflar o público na Paulista. Caberá ao governo federal e à cúpula do STF decidir se respondem politicamente aos ataques ou se optam pelo silêncio estratégico, deixando que a dimensão real do ato fale por si. A segurança pública em São Paulo também entra na equação, com necessidade de planejamento de efetivo para a avenida, que costuma receber centenas de milhares de pessoas aos domingos e feriados.
O desfecho do “Acorda, Brasil” não se esgota na tarde do protesto. O tamanho do ato, o tom dos discursos e eventuais desdobramentos judiciais sobre o Caso Master vão orientar os próximos movimentos de governo, oposição e STF. A pergunta que permanece é se a avenida Paulista, mais uma vez, será ponto de virada na crise política ou apenas mais um capítulo em uma polarização que parece não ter prazo para acabar.
