PF aciona empresa ligada ao Mossad em investigação do caso Master
A Polícia Federal passa a usar serviços da Black Wall Global, empresa israelense-emiradense ligada à inteligência do Mossad, nas apurações do caso Master. A contratação, em curso em 13 de fevereiro de 2026, leva tecnologia estrangeira de espionagem digital para dentro das investigações coordenadas sob a supervisão do ministro Alexandre de Moraes.
Empresa de espionagem digital entra no centro do caso
A Black Wall Global atua a partir de Israel e dos Emirados Árabes Unidos e oferece ferramentas de espionagem digital, monitoramento de comunicações e proteção de sistemas. O objetivo é ampliar a capacidade de rastrear articuladores, financiadores e canais de comunicação envolvidos no caso Master, considerado hoje uma das principais frentes de investigação da PF.
Ao ouvir o relato sobre o uso da empresa, Moraes reage de imediato: “Eu conheço. Isso aí é o pessoal do Mossad”. A frase ecoa entre delegados e assessores, reforça a percepção de que a companhia está conectada a círculos de inteligência israelense e ajuda a dimensionar o peso político da decisão. A aproximação brasilera com um grupo que trabalha no limite entre cibersegurança e operações de contraespionagem marca um novo patamar nas apurações.
A PF não detalha valores, prazos contratuais ou o escopo técnico exato, mas admite que a parceria envolve tecnologias de interceptação digital avançada, análise massiva de dados e reforço de infraestrutura cibernética. Na prática, a corporação busca acelerar a identificação de redes complexas, que usam criptografia, múltiplos aplicativos de mensagem e servidores no exterior para ocultar rastros.
Investigadores afirmam reservadamente que, sem apoio externo, certas frentes do caso poderiam levar anos para produzir provas consistentes. Com acesso a ferramentas de vigilância digital de última geração, a expectativa é encurtar esse tempo para meses e diminuir o risco de vazamento de informações sensíveis, hoje um dos temores centrais do grupo que atua no inquérito.
Soberania, sigilo e o custo político da tecnologia estrangeira
A menção pública de Moraes à Black Wall Global funciona como gatilho para um debate mais amplo sobre soberania em ações de inteligência. Especialistas em direito digital e segurança nacional apontam um dilema: ao mesmo tempo em que a PF ganha poder de fogo, o Estado brasileiro passa a depender, em parte, de códigos, servidores e metodologias controlados fora do país.
Analistas ouvidos veem na parceria um passo consistente com o movimento global de internacionalização da segurança pública. Em grandes investigações de corrupção, terrorismo ou ataques cibernéticos, fronteiras jurídicas se mostram frágeis diante de criminosos que usam redes privadas, moedas digitais e empresas de fachada em diferentes fusos horários. Nesse cenário, a cooperação com grupos estrangeiros, inclusive privados, torna-se peça de um tabuleiro que envolve sigilo, confiança e barganha política.
Críticos alertam, porém, para o risco de transferência silenciosa de dados sensíveis de cidadãos brasileiros a estruturas fora do alcance direto do Congresso e dos órgãos de controle. Eles defendem regras claras sobre o que a Black Wall pode acessar, por quanto tempo manter informações e como eventuais abusos serão responsabilizados. A discussão atinge também a fronteira entre investigação penal e vigilância em massa, tema que já provoca controvérsia em países europeus e nos Estados Unidos.
Dentro da própria PF, o uso intensivo de tecnologia estrangeira desperta desconforto entre grupos que defendem o fortalecimento de soluções nacionais. Esses setores lembram que investimentos em inteligência digital no Brasil ainda patinam, com projetos interrompidos, defasagem de equipamentos e dificuldades de contratação de especialistas. A entrada da Black Wall, nesse quadro, expõe a distância entre a ambição de autonomia tecnológica e a urgência de resultados em casos de alto impacto político.
Investigações aceleram e pressionam por novas regras
A aposta na Black Wall Global sinaliza a intenção da PF de trazer o caso Master para o centro da disputa por recursos e prioridade institucional. Ao associar a investigação a uma estrutura ligada ao Mossad, o governo federal envia recado de que está disposto a atravessar fronteiras tecnológicas e geopolíticas para responder a ataques considerados graves à ordem democrática e à segurança digital.
A curto prazo, a expectativa é de que a cooperação com a empresa estrangeira produza relatórios, cruzamentos de dados e mapas de relacionamentos capazes de redesenhar a linha de investigação. Isso pode alcançar setores econômicos, grupos políticos e núcleos empresariais que ainda aparecem apenas nas margens do inquérito. Cada novo vínculo mapeado, dizem investigadores, aumenta a pressão por blindagem jurídica das provas obtidas com apoio externo.
No horizonte de médio prazo, especialistas projetam que a experiência com a Black Wall sirva de modelo para novas parcerias internacionais em cibersegurança, tanto com empresas privadas quanto com agências governamentais. Essa expansão tende a provocar reação do Congresso, de tribunais superiores e de entidades da sociedade civil, interessadas em estabelecer limites, mecanismos de transparência e regras de auditoria independente.
A decisão de recorrer a uma empresa associada ao Mossad transforma o caso Master em laboratório para a política de segurança digital do país. As investigações seguem sob sigilo, mas o debate público sobre até onde o Brasil está disposto a ir na terceirização de sua inteligência apenas começa. A resposta, dizem observadores, pode definir não só o desfecho deste inquérito, mas o padrão de cooperação internacional que vai balizar as próximas grandes operações da Polícia Federal.
