Atlético atropela Barcelona por 4 a 0 e encaminha vaga na Copa do Rei
O Atlético de Madrid goleia o Barcelona por 4 a 0 nesta quinta-feira (13), em Madri, e abre enorme vantagem na semifinal da Copa do Rei de 2026. O time de Hansi Flick sai do Riyadh Air Metropolitano pressionado, com a classificação à final agora dependente de uma virada quase improvável no Camp Nou.
Atlético é cirúrgico, Barça se perde em erros
O roteiro da noite em Madri derruba qualquer ilusão de equilíbrio. O Barcelona termina o primeiro tempo com 70% de posse de bola, mas volta ao vestiário praticamente eliminado. Em vez de controlar o jogo, a equipe catalã se afoga nos próprios erros, enquanto o Atlético é preciso em cada transição.
O relógio marca seis minutos quando o desastre começa. Em um lance despretensioso, Eric García desvia contra o próprio gol e abre o placar para os anfitriões. O zagueiro vive um daqueles jogos que marcam carreiras, pelo motivo errado: além do gol contra, acaba expulso aos 40 do segundo tempo, após revisão do VAR por falta dura em Alex Baena.
O golpe seguinte vem rápido. Aos 13 minutos, Antoine Griezmann recebe de Molina na entrada da área e finaliza com categoria, no canto, sem chance para o goleiro. O 2 a 0 expõe o plano de Diego Simeone: entregar a posse, fechar espaços e castigar qualquer vacilo. Cada saída errada do Barcelona parece um convite ao contra-ataque madrilenho.
O Barcelona ainda reage em alguns momentos. Bola na trave, chegadas pelo lado, sete finalizações antes do intervalo. Falta precisão, sobra ansiedade. À medida que o relógio avança, o time se torna previsível, e o Atlético se sente confortável em recuar e esperar o próximo erro.
O terceiro gol resume a diferença de eficiência. Lookman aproveita nova transição rápida, entra na área e amplia, deixando a defesa catalã estática. Já nos acréscimos da primeira etapa, Julián Álvarez transforma um placar amplo em goleada, ao marcar o quarto. O estádio explode, e a semifinal, na prática, muda de patamar.
Cubarsí ainda balança a rede em lance que poderia reacender a disputa, mas o alívio dura pouco. O assistente aponta impedimento, o VAR confirma, e o gol não vale. Cada tentativa de reação encontra um obstáculo, seja na arbitragem, seja na falta de contundência ofensiva.
Vantagem histórica, pressão máxima em Barcelona
O 4 a 0 coloca o Atlético com um pé na decisão da Copa do Rei. Para o Barcelona, o cenário é quase matemático: no dia 3 de março, no Camp Nou, precisa vencer por quatro gols de diferença apenas para levar a disputa à prorrogação. Para avançar no tempo normal, a equipe tem de construir vantagem de cinco ou mais gols.
A missão esbarra não só nos números, mas no contexto. O time já não conta com Raphinha, fora desde 31 de janeiro por lesão, e sente falta de um atacante capaz de definir as jogadas criadas. Em Madri, produz sete finalizações, mesmo número do Atlético, mas vê o rival converter quase tudo o que tem.
O peso psicológico da derrota também entra em campo. A expulsão de Eric García, somada ao gol contra logo no início, deixa o zagueiro no centro de um jogo que o clube tende a revisitar por muito tempo. A atuação fragiliza ainda mais um sistema defensivo pressionado por críticas ao longo da temporada.
A torcida colchonera, por outro lado, deixa o estádio com a sensação de que presencia um marco recente do clube no torneio. A goleada abre caminho para uma possível final contra Athletic Bilbao ou Real Sociedad, que se enfrentam na outra semifinal. A perspectiva de decidir o título contra outro adversário espanhol tradicional alimenta o ambiente de confiança.
A vitória também reforça a identidade competitiva do Atlético. O time não domina a bola, mas domina o placar. Em 45 minutos, traduz posse escassa em vantagem de quatro gols, apoiado em organização defensiva e contragolpes bem executados. A semifinal ganha contornos de confronto de estilos, com clara vantagem para quem decide ser pragmático.
Mesmo com um jogador a menos após a expulsão, o Barcelona ainda se lança ao ataque nos minutos finais. O árbitro concede 10 minutos de acréscimo, e a equipe tenta ao menos reduzir o prejuízo. As investidas esbarram na defesa bem postada e em escolhas ruins no último passe. O apito final sela um resultado que pesa mais do que três pontos: mexe com moral, planejamento e confiança.
Camp Nou vira palco de tentativa de milagre
O reencontro marcado para 3 de março no Camp Nou deixa o Barcelona diante de um dilema. O time precisa atacar desde o primeiro minuto, mas não pode se expor ao ponto de sofrer um gol que faria a missão beirar o impossível. Cada detalhe tático passa a ser decisivo na preparação das próximas semanas.
Do lado madrilenho, a orientação tende a ser clara: administrar a vantagem sem abrir mão da agressividade que marcou o jogo de ida. Um gol fora de casa pode encerrar a disputa cedo e transformar os minutos restantes em treino de luxo rumo à final. A comissão técnica estuda a melhor forma de equilibrar cautela e ambição.
O desdobramento da semifinal ainda influencia a temporada como um todo. Se confirmar a classificação, o Atlético ganha fôlego político e esportivo, reforça o trabalho da comissão técnica e se credencia a disputar outro título nacional. O Barcelona, em caso de eliminação precoce e sonora, enfrenta mais questionamentos, inclusive sobre elenco e direção esportiva.
As próximas semanas revelam se a goleada em Madri representa apenas uma noite desastrosa ou o retrato fiel da distância atual entre os dois projetos. A resposta começa a ser construída no vestiário, passa pelo campo de treinamento e encontra seu veredito diante de dezenas de milhares de torcedores no Camp Nou.
