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Atlético-MG demite Jorge Sampaoli após ruptura com diretoria

O Atlético-MG encerra nesta quinta-feira (13) o trabalho de Jorge Sampaoli como técnico do clube. A decisão ocorre após uma escalada de conflitos internos, pedidos de reforços fora do perfil financeiro do Galo e insistência na saída do atacante Hulk, capitão da equipe.

Ruptura vai além da má fase em campo

A saída de Sampaoli acontece em meio a uma fase ruim do time, mas não é o desempenho em campo que pesa mais na balança. A diretoria identifica que o treinador rompe o alinhamento interno construído desde 2023, quando o clube passa a adotar uma política de maior contenção de gastos, pressionado por dívidas e necessidade de reorganizar o orçamento.

O argentino chega em setembro de 2025 já sabendo do cenário de caixa apertado e da exigência por contratações mais criteriosas. Mesmo assim, ao fim da temporada e na virada para 2026, intensifica pedidos por reforços de alto custo, em volume e patamar considerados incompatíveis com a realidade atual do Atlético. A diretoria autoriza investimentos importantes, como as chegadas de Alan Minda, Renan Lodi, Preciado e Maycon, mas ouve reiteradamente do treinador que o elenco ainda é insuficiente para sua ideia de jogo.

Nos bastidores, o conflito se cristaliza na forma como as contratações são discutidas. O departamento de futebol mapeia nomes para posições carentes, submete os alvos a diferentes instâncias de aprovação e apresenta listas de alternativas. Sampaoli responde que nenhuma delas serve e insiste em indicações próprias, classificadas internamente como “pedidos sem sentido” diante do orçamento disponível e da filosofia de montagem do elenco.

A situação se agrava em posições específicas, como a de volante. A diretoria trabalha com a premissa de adaptar o modelo de jogo aos jogadores que tem, misturando volantes com características diferentes. Sampaoli fala abertamente em um “camisa 5 clássico” e deixa claro a pessoas próximas que não pretende moldar seu esquema aos atletas já contratados. O recado que chega aos corredores da Cidade do Galo é de pouca disposição para ceder.

Conflito com Hulk expõe fratura interna

O ponto mais sensível da crise envolve o atacante Hulk, referência técnica e símbolo recente do clube. Em meio à reformulação planejada por Sampaoli, o treinador passa a defender com insistência a saída do jogador de 39 anos, mesmo com contrato em vigor e peso político relevante no vestiário e entre torcedores.

Em determinado momento, o Fluminense manifesta interesse em contar com Hulk, e a possibilidade de transferência ganha corpo. O episódio acende alerta na torcida e pressiona a cúpula atleticana, que chama o atacante para uma conversa. Após negociações internas, o clube fecha um acordo pela permanência do ídolo, ciente do impacto esportivo e institucional que uma saída causaria em 2026.

Mesmo depois do desfecho, Sampaoli mantém o discurso pela saída do jogador, repetindo o pedido em reuniões e conversas com a diretoria. O paradoxo incomoda: ao mesmo tempo em que tenta acelerar a despedida de Hulk, o treinador o mantém como titular e capitão do time, com a faixa de líder em campo. A direção interpreta esse movimento como sinal de incoerência e como mais um foco de desgaste nos bastidores.

A relação entre o técnico e dirigentes se torna tensa ao longo dos meses. Relatos internos apontam críticas constantes, em tom negativo, ao funcionamento do clube e às decisões da cúpula. A leitura da diretoria é de que Sampaoli reproduz no Atlético um roteiro já visto em outras passagens pelo futebol brasileiro, marcado por choques de comunicação, desgaste acelerado e conflitos em torno de reforços.

Os resultados recentes, abaixo do esperado para um elenco caro e experiente, entram na equação, mas não são tratados como o elemento decisivo. Integrantes do clube descrevem a ruptura como um movimento de preservação do projeto esportivo e financeiro, mais do que uma mera resposta à sequência de atuações ruins.

Diretoria busca técnico que se ajuste ao elenco

A demissão de Sampaoli abre uma disputa silenciosa por nomes que aceitem trabalhar dentro de um modelo mais rígido de governança. O Atlético-MG já analisa perfis de treinadores que se encaixem nas características do elenco atual e que estejam dispostos a operar com limites claros de investimento, priorizando ajustes pontuais em vez de revoluções anuais.

Dirigentes avaliam que o próximo técnico precisa dominar mais do que esquemas táticos. Atribuem peso semelhante à capacidade de gestão de grupo, à comunicação com jogadores experientes como Hulk e à habilidade de conviver com decisões colegiadas em contratações. A ordem é evitar um novo ciclo de atritos em poucos meses.

A troca no comando também deve redesenhar o papel de líderes do vestiário. Hulk, que atravessa atritos recentes e vira alvo direto do último treinador, tende a ganhar sobrevida e responsabilidade redobrada como referência na transição. O futuro comandante terá de administrar um elenco que mescla medalhões e apostas, encaixando peças como Alan Minda, Renan Lodi, Preciado e Maycon em um plano que não pressione ainda mais o orçamento.

No curto prazo, a saída de Sampaoli coloca a diretoria sob holofotes. Cada rodada sem definição aumenta a pressão da arquibancada e das redes sociais, em um calendário que não oferece folgas. O Atlético precisa reagir em campo, sustentar a política de contenção de gastos e, ao mesmo tempo, convencer o torcedor de que a ruptura com o treinador é um passo necessário para estabilizar o clube.

A escolha do próximo técnico deve indicar qual caminho o Galo quer trilhar nos próximos anos: ceder à lógica de projetos personalizados, moldados inteiramente ao desejo de um treinador, ou consolidar uma ideia própria de futebol, na qual o técnico se encaixa em vez de ditar todas as regras. A resposta começa a ser escrita a partir desta quinta-feira.

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