Lula pressiona e Pacheco admite disputar governo de Minas em 2026
Lula reforça, em encontro de 30 minutos, a cobrança para que Rodrigo Pacheco dispute o governo de Minas nas próximas eleições. O senador não confirma, mas admite a possibilidade e se coloca à disposição se não houver alternativa viável.
Lula aposta tudo em Minas e fala em falta de plano B
O presidente volta a Minas Gerais com um objetivo claro: convencer Rodrigo Pacheco a encarar a disputa pelo governo do segundo maior colégio eleitoral do país. Na conversa reservada, de cerca de 30 minutos, Lula é direto e admite a aliados que não tem um plano B para o estado em 2026. Interlocutores relatam que o petista insiste há meses na candidatura do senador e vê em Pacheco a chance mais concreta de construir um palanque competitivo.
Minas reúne quase 16 milhões de eleitores e costuma decidir eleições nacionais. Em 2022, o estado reforça essa fama ao dar vitória a Lula no segundo turno, por margem apertada, enquanto reelege Romeu Zema ao governo com ampla vantagem no primeiro turno. O PT sai das urnas sem um nome natural para a sucessão estadual, o que transforma a movimentação atual em prioridade estratégica para o Planalto.
Resistência cede lugar a porta entreaberta
Rodrigo Pacheco resiste à pressão desde o início das articulações. O senador, que comanda o Senado entre 2021 e 2025, vinha descartando publicamente qualquer decisão precoce sobre 2026. Desta vez, porém, o tom muda. Segundo relatos de quem acompanha a negociação, ele não dá o “sim” definitivo, mas deixa claro que não se afastará da disputa se chegar à conclusão de que é a única alternativa consistente no campo governista.
“Não tendo outra alternativa mais viável, não vou me furtar à responsabilidade”, afirma a interlocutores. A frase circula em Brasília como sinal de que a porta está aberta. No PT mineiro, dirigentes tratam a conversa como avanço concreto. Há, segundo petistas, consenso interno para apoiar Pacheco, mesmo que ele não seja do partido, desde que a candidatura ajude a montar um palanque robusto para Lula ou seu sucessor na eleição presidencial.
Imbróglio partidário trava anúncio imediato
O principal entrave agora é a filiação partidária. Pacheco está no PSD, mas a sigla já tem um pré-candidato ao governo mineiro: o vice-governador Matheus Simões, aliado direto de Romeu Zema. A coexistência dos dois projetos é considerada inviável tanto pelos caciques do PSD quanto pelo entorno do senador. Para concorrer, Pacheco precisa trocar de legenda até o prazo legal, que deve cair entre abril e junho de 2026, seis meses antes do primeiro turno.
As conversas se concentram hoje em duas siglas: União Brasil e MDB. O União é comandado em Minas pelo deputado Rodrigo de Castro, aliado próximo do senador, e tem como um de seus articuladores nacionais o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, amigo de longa data de Pacheco. A outra opção é o MDB, partido ao qual o senador já foi filiado e que busca se reposicionar em estados-chave para manter relevância no xadrez nacional.
Disputa também passa por 2026 em Brasília
A escolha da legenda não depende apenas de arranjos locais. Auxiliares de Pacheco dizem que a definição passa obrigatoriamente pela posição do partido em relação à eleição presidencial de 2026. Se o União Brasil se alinhar a um projeto liderado por Flávio Bolsonaro ou pelo campo bolsonarista, a tendência é de que o senador migre para o MDB. O cálculo é claro: ele não quer subir ao mesmo palanque nacional que um possível candidato apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Essa equação nacional torna a negociação mais lenta, mas também mais relevante. Para o PT, apoiar Pacheco em Minas significa tentar remontar a aliança ampla que ajudou Lula a vencer em 2022, atraindo partidos de centro e de centro-direita para um mesmo bloco. Para o União Brasil e o MDB, a candidatura oferece a chance de comandar um dos estados com maior peso orçamentário, político e eleitoral do país, com orçamento anual superior a R$ 90 bilhões e capilaridade em todas as regiões.
Minas no centro da estratégia do Planalto
A preocupação de Lula com Minas não nasce agora. Pesquisas internas, feitas desde o segundo semestre de 2023, mostram dificuldade do PT em emplacar nomes próprios no estado e indicam vantagem de quadros ligados a Zema e à direita. Integrantes do governo descrevem a construção de palanques regionais como um jogo de “6 a 1”, numa referência à meta informal de vencer em ao menos seis grandes estados para compensar eventuais derrotas em outras praças estratégicas.
Nesse desenho, Minas aparece como peça central. Um candidato competitivo ao governo tende a puxar votos para a chapa presidencial e para as bancadas de deputados federais e estaduais, que controlam verbas, emendas e apoio político no dia a dia. Prefeitos, empresários e lideranças do interior acompanham de perto a movimentação, porque ela indica quais alianças terão mais acesso ao governo federal e ao caixa de obras e programas sociais a partir de 2027.
Próximos movimentos e incertezas
Pacheco promete decidir “no momento oportuno” e evita cravar prazos. Nos bastidores, aliados trabalham com uma janela entre o fim de 2024 e o primeiro semestre de 2025 para que o senador anuncie se entra ou não na disputa. Até lá, o PSD tenta segurar o espaço de Matheus Simões, o União Brasil discute internamente qual rumo tomar em 2026 e o MDB negocia, estado a estado, qual posição ocupar no tabuleiro.
Lula, por ora, mantém a pressão e repete a aliados que não enxerga outro nome com a mesma densidade de Pacheco em Minas. A dúvida que permanece é se o senador estará disposto a trocar a projeção nacional que constrói no Senado pela incerteza de uma campanha estadual dura, em um cenário ainda indefinido de alianças e adversários. A resposta, quando vier, tende a redefinir não apenas a disputa em Minas, mas também o mapa de forças da eleição presidencial de 2026.
