Atlético de Madri atropela Barça por 4 a 0 e encaminha vaga na Copa do Rei
O Atlético de Madri goleia o Barcelona por 4 a 0 nesta quinta-feira (12), no Metropolitano, e encaminha a vaga na final da Copa do Rei. A noite começa com uma falha grotesca do goleiro Joan García e termina com a torcida colchonera em clima de classificação antecipada.
Erro cedo abre ferida e Atlético não perdoa
O roteiro da semifinal muda aos 6 minutos, quando um recuo simples de Eric García se transforma em tragédia para o Barcelona. Joan García tenta dominar com tranquilidade, erra o contato com a bola e vê o chute involuntário rolar manso até cruzar a linha do gol. O estádio explode, e o Atlético sente o cheiro de um rival desnorteado.
O time de Diego Simeone pressiona a saída de bola, acelera as transições e transforma a vantagem em massacre ainda no primeiro tempo. Aos 14 minutos, a jogada coletiva expõe a desorganização do Barça: Lookman recebe na esquerda, acha Álvarez por dentro, que abre para Nahuel Molina. O lateral cruza rasteiro e encontra Griezmann livre na área. O francês finaliza de primeira, firme, e marca o 2 a 0 com menos de um quarto de hora de jogo.
O Barcelona tenta reagir com Lamine Yamal, único ponto de lucidez ofensiva antes do intervalo. O garoto de 17 anos parte para cima pela direita, busca combinações curtas e arranca faltas perigosas. A melhor chance vem em bola parada: após escanteio, Fermín López acerta o travessão de Juan Musso e desperdiça o que poderia ser o gol da sobrevida culé.
O Atlético responde com mais volume e eficiência. Giuliano Simeone, titular e muito participativo, se movimenta às costas dos volantes, abre espaços e incomoda a zaga. Em rápida tabela pela direita, ele invade a área e encontra Álvarez, que de primeira aciona Lookman na esquerda. O nigeriano finaliza cruzado, no canto, e transforma o placar em 3 a 0 antes dos 40 minutos, enquanto o Barcelona parece atordoado.
O quarto gol fecha um primeiro tempo que beira a perfeição ofensiva dos colchoneros. Outra vez pela direita, Giuliano Simeone inverte o jogo para Lookman, que devolve de primeira para Julián Álvarez na entrada da área. O argentino domina e solta uma bomba no ângulo, aos 47 minutos, encerrando um jejum de 860 minutos sem marcar pelo clube, desde 9 de dezembro, contra o PSV, pela Champions. O 4 a 0 expõe uma defesa desorganizada e um time emocionalmente abalado.
Barça sente o golpe, Atlético mira a final
O intervalo chega como alívio para o Barcelona, que termina o primeiro tempo sem Raphinha, lesionado, e com uma montanha para escalar no jogo de volta, marcado para 3 de março, no Camp Nou. A equipe volta do vestiário com mais iniciativa, ocupa o campo de ataque e testa Musso em finalizações de Fermín López. O goleiro argentino, seguro, segura o ímpeto inicial e mantém a vantagem larga.
O momento simbólico da tentativa de reação culé surge na bola parada que termina em frustração. Lamine Yamal sofre falta, cobra curto para a entrada da área, Fermín tenta o chute colocado e a bola desvia em Lewandowski antes de sobrar para Cubarsí, que empurra para o gol. A comemoração dura pouco. Após cerca de cinco minutos de checagem, o árbitro de vídeo aponta impedimento milimétrico do centroavante polonês e anula o gol. O clima em campo esfria junto com as esperanças do Barça.
O Atlético administra o resultado com organização defensiva e disciplina tática. Simeone recua linhas, fecha espaços pelo meio e permite poucas infiltrações. A cada recuperação, o time tenta acionar a velocidade de Lookman e as chegadas de Griezmann, que segue como cérebro ofensivo mesmo com o placar definido. A torcida canta, comemora desarmes como gols e transforma o Metropolitano em palco de festa e alívio após semanas de oscilação na temporada.
A goleada de 4 a 0 tem peso que vai além da classificação encaminhada. O Atlético mostra um ataque eficiente, com quatro gols em 45 minutos oficiais, e resgata a confiança de peças importantes. Griezmann mantém protagonismo, Lookman confirma boa fase, e Álvarez volta a ser decisivo justamente em um mata-mata nacional. Do outro lado, o Barcelona expõe uma fragilidade defensiva que se repete em jogos grandes e volta a depender de um talento adolescente para criar algum tipo de ameaça.
Em termos de tabela, o duelo deixa os colchoneros a um passo da final em jogo único, marcada para 25 de abril, em Sevilha. A equipe madrilenha aguarda o vencedor de Athletic Bilbao e Real Sociedad, que fazem a outra semifinal, com vantagem mínima dos alvicelestes depois da vitória por 1 a 0 no jogo de ida, no dia 11. A perspectiva de decisão nacional em campo neutro adiciona urgência ao projeto de temporada do Atlético, que mira um título relevante em meio à disputa intensa em La Liga e na Champions.
Pressão sobre o Barcelona e o que vem pela frente
A derrota em Madri aumenta a pressão sobre o trabalho no Barcelona, que volta para casa com a missão quase impossível de reverter um 4 a 0 em menos de um mês. A equipe precisa corrigir erros básicos de saída de bola, recuperar a confiança de Joan García após a falha decisiva e encontrar alternativas ofensivas caso Raphinha não esteja em plenas condições físicas até 3 de março. O Camp Nou deve receber um time entre a obrigação histórica de lutar até o fim e o peso psicológico de um revés humilhante.
A diretoria culé se vê pressionada a responder, ao menos no discurso, ao que se viu no Metropolitano. A goleada mexe com a imagem do clube em uma competição que, tradicionalmente, oferece respiro em temporadas instáveis. A forma como o time se desorganiza após o primeiro gol, e a dificuldade para se recompor emocionalmente, levantam dúvidas sobre a capacidade de o elenco competir em alto nível em jogos eliminatórios.
O Atlético vive cenário oposto. A noite em Madri pode funcionar como ponto de virada em 2026, principalmente pela forma como o time domina um adversário de peso sem recuar ao primeiro sinal de vantagem. A consistência defensiva no segundo tempo reforça a ideia de um elenco maduro, capaz de controlar um resultado sem abrir mão da agressividade. Em caso de confirmação da vaga, Simeone terá mais de um mês para preparar a decisão em Sevilha, ajustando cargas físicas e definindo prioridades entre as competições.
A semifinal ainda reserva 90 minutos no Camp Nou, mas o recado do Metropolitano é claro. O Atlético joga como candidato ao título e transforma um erro individual em combustível para uma atuação coletiva convincente. O Barcelona volta para casa com a obrigação de responder em campo e fora dele. A pergunta que fica é se um dos maiores clubes da Europa ainda tem força, esportiva e mental, para virar uma história que hoje parece já escrita.
