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Atlético-MG rompe com Sampaoli após crise com diretoria e Hulk

Atlético-MG e Jorge Sampaoli rompem a parceria nesta quinta-feira (13), em Belo Horizonte. A decisão ocorre menos de um ano após a chegada do treinador e nasce de conflitos extracampo, não apenas de resultados.

Ruptura em meio a tensão nos bastidores

A saída de Sampaoli encerra um ciclo iniciado em setembro de 2025, quando o argentino assume o Atlético em meio a um cenário de contenção de gastos e necessidade de reequilíbrio financeiro. O clube informa internamente que o projeto passa por freio em investimentos, mas o técnico adota discurso firme por reforços e cobra a diretoria em tom crescente.

Na virada para a temporada 2026, o atrito se intensifica. Mesmo após a contratação de jogadores como Alan Minda, Renan Lodi, Preciado e Maycon, o treinador considera o pacote insuficiente e insiste em novos nomes de alto custo, fora do perfil traçado pela cúpula alvinegra. Nas reuniões, dirigentes apresentam listas de atletas possíveis para cada posição. Sampaoli descarta as opções, afirma que “nenhum serve” e pressiona por alternativas classificadas internamente como pedidos sem sentido para o momento financeiro do clube.

A relação azeda de vez quando o debate sai do campo das ideias para a condução do elenco. Em meio à reformulação que defende, Sampaoli insiste de forma recorrente na saída do atacante Hulk, principal referência técnica e símbolo recente do projeto atleticano. O atacante, de 39 anos, tem sondagem do Fluminense e chega a avaliar a transferência.

Dirigentes e o jogador costuram um acordo pela permanência, em diálogo que se arrasta por semanas. Mesmo depois da decisão, o treinador mantém o pedido para negociar o camisa 7, movimento que causa estranheza no vestiário e no Conselho de Administração. O contraste é explícito: enquanto cobra a saída do ídolo, Sampaoli mantém Hulk como titular e capitão em campo, gesto que aumenta a sensação de ruído e fragiliza a confiança mútua.

Nos corredores da Cidade do Galo, relatos apontam mudança de tom do técnico. Reuniões passam a ter críticas duras ao planejamento, ao modelo de contratações e à qualidade de algumas peças do elenco. A direção considera a postura “negativa” e vê repetição de um roteiro conhecido de outros trabalhos do argentino no futebol brasileiro, marcado por choques com a hierarquia e desgaste acelerado na reta final.

Impacto no elenco e no projeto esportivo

Os resultados em campo não empolgam o torcedor e contribuem para o ambiente pesado, mas não aparecem como estopim oficial da saída. A avaliação interna é que o ciclo se esgota principalmente pela incompatibilidade de métodos, pelo desalinhamento sobre o uso do elenco e pela dificuldade do treinador em se adaptar às peças disponíveis. A cobrança por um volante mais marcador, o clássico camisa 5, é citada como exemplo de resistência em explorar alternativas já presentes no grupo.

O rompimento força o Atlético a recalibrar o planejamento técnico de 2026 em ritmo acelerado. A temporada mal começa, e o clube se vê sem o treinador que ajudou a desenhar o elenco em menos de cinco meses de mercado. Jogadores trazidos sob influência direta de Sampaoli precisam agora se encaixar em uma futura ideia de jogo ainda indefinida, enquanto atletas que perdem espaço sob o comando anterior, caso de alguns meio-campistas, vislumbram retomada.

Hulk aparece no centro desse tabuleiro. A insistência do antigo comandante por sua saída, mesmo após o veto da diretoria, fortalece o atacante politicamente dentro do clube. A permanência ganha peso simbólico na disputa de projetos e tende a influenciar a escolha do próximo técnico, que será cobrado a valorizar a liderança do camisa 7 no vestiário. A decisão também envia recado direto ao mercado: a prioridade, neste momento, é blindar peças estratégicas e frear apostas caras motivadas por demandas individuais.

O episódio expõe de forma nua a dificuldade de conciliar ambição esportiva com responsabilidade financeira. O Atlético tenta manter a imagem de clube competitivo, capaz de brigar por títulos nacionais em 2026, mas precisa operar com mais filtros na hora de contratar. A tensão com Sampaoli revela um limite institucional, tanto para a interferência do treinador nas decisões de orçamento quanto para o espaço de conflitos pessoais na condução do elenco.

Busca por novo técnico e dúvidas para 2026

A diretoria inicia imediatamente a análise de perfis para o comando técnico. A ordem é clara: o próximo nome precisa se encaixar nas características atuais do elenco, aceitar o modelo de contratações com múltiplas instâncias de aprovação e reduzir o potencial de curto-circuito institucional. O clube mira treinadores que já trabalhem com orçamentos controlados e que tenham histórico de adaptação a grupos formados.

A curto prazo, a comissão permanente do Atlético assume os treinos enquanto a cúpula afina conversas. A escolha do novo treinador deve pesar diretamente no aproveitamento de contratações recentes e na definição de metas realistas para a temporada. O desafio é manter competitividade sem repetir o ciclo de promessas infladas, choques públicos e saídas antecipadas.

A ruptura com Sampaoli deixa no ar questões que vão além da troca de comando. O Atlético conseguirá, desta vez, alinhar projeto esportivo, limites financeiros e gestão de vestiário em torno de uma mesma figura? A resposta, nos próximos meses, define não apenas o desempenho em 2026, mas o rumo de um clube que ainda busca estabilidade após anos de investimentos agressivos e cobranças proporcionais em campo.

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