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Governo Trump recua e inicia retirada do ICE de Minnesota

O governo Donald Trump inicia em fevereiro de 2026 a retirada gradual de agentes do ICE de Minnesota, após duas mortes em operações federais em Minneapolis. O anúncio, feito pelo chefe do órgão no estado, Tom Homan, ocorre em meio a protestos e pressão de autoridades locais.

Mortes em operação aceleram recuo federal

O recuo encerra, aos poucos, a Operação Metro Surge, força-tarefa migratória que transforma o cotidiano de Minneapolis desde o início de janeiro. Em menos de um mês, uma mulher e um homem, ambos de 37 anos, morrem baleados em ações distintas conduzidas por equipes federais, o que desencadeia atos de rua e desgaste político para Washington.

As mortes acontecem em 7 e 24 de janeiro de 2026, em bairros diferentes da cidade. Na primeira ocorrência, uma mulher é atingida por tiros dentro de um veículo durante uma abordagem do ICE. No segundo caso, um homem é baleado no sul de Minneapolis, em operação descrita pelo Departamento de Segurança Interna como direcionada a um imigrante em situação irregular com antecedentes criminais.

Familiares contestam a versão oficial e afirmam que a vítima é Alex Pretti, enfermeiro nascido em Illinois, cidadão americano. O contraste entre o relato da família e a justificativa do governo alimenta a indignação nas ruas e dá novo fôlego a movimentos locais contra a presença de forças federais de imigração no estado.

As manifestações se espalham de Minneapolis para outras cidades de Minnesota nas semanas seguintes. Autoridades locais, sob forte pressão de grupos de direitos civis e lideranças comunitárias, cobram a saída do contingente extra do ICE e maior transparência sobre as circunstâncias das mortes.

Operação Metro Surge deixa saldo de 4 mil prisões

Ao anunciar o recuo, Tom Homan faz questão de apresentar números. Ele afirma que a Operação Metro Surge resulta em mais de 4 mil prisões no estado desde o início do reforço federal. Segundo Homan, Minnesota “está mais seguro” após a ofensiva migratória.

O chefe do ICE no estado diz que parte dos agentes já deixa Minnesota e que o restante será realocado nos próximos dias. Um grupo reduzido permanece temporariamente para concluir investigações, acompanhar a transição e manter equipes de resposta rápida em alerta, com a missão de evitar novos confrontos nas ruas.

Homan tenta enquadrar o recuo como ajuste operacional, não como derrota política. Ele reforça que a aplicação das leis migratórias continua em todo o país, com foco declarado em pessoas classificadas como ameaça à segurança pública. “Se você está no país ilegalmente, não está isento das leis de imigração. Se o encontrarmos, tomaremos as medidas cabíveis”, afirma.

O discurso endurece quando o assunto são os protestos. O representante federal afirma que mais de 200 pessoas são presas por acusação de agredir, resistir, intimidar ou interferir com agentes. “Agredir, resistir, intimidar ou interferir com um agente federal é crime, em violação da USC 111. Não é aceitável. Não será tolerado”, diz. Parte dos casos já tem denúncia apresentada pelo Ministério Público.

Homan também reage a relatos de prisões em locais considerados sensíveis pela comunidade. Ele assegura que o ICE “não prendeu ninguém dentro de hospital, escola primária ou igreja” durante a operação. “Essas histórias simplesmente não aconteceram”, declara, tentando conter o desgaste da imagem da agência.

Tensão entre promessa de deportações e pressão local

A retirada gradual de agentes marca um recuo raro em uma das vitrines da política migratória de Donald Trump. O presidente promete deportações em massa desde a campanha e faz do endurecimento contra imigrantes uma bandeira central. Homan, alinhado ao discurso da Casa Branca, reforça o tom: “O presidente Trump prometeu deportações em massa, e é isso que este país vai ter”.

A mudança em Minnesota não significa relaxamento da política, mas redistribuição de forças. Ao manter um núcleo de investigação no estado e equipes de resposta rápida em prontidão, o ICE sinaliza que continua presente, ainda que com perfil menos ostensivo nas ruas de Minneapolis. O recuo mira a redução de atritos com autoridades locais sem abrir mão da retórica de firmeza nacional.

Para comunidades imigrantes e grupos de direitos humanos, a saída parcial representa alívio imediato, mas não encerra o temor. As mais de 4 mil prisões realizadas em poucas semanas e as duas mortes registradas em janeiro se tornam símbolo de uma era de vigilância ampliada, em que qualquer contato com forças federais pode escalar rapidamente.

Na outra ponta, defensores da política de Trump veem na operação um modelo a ser replicado em outros estados. Argumentam que o aumento das prisões reduz a criminalidade e reforça a autoridade federal sobre fronteiras internas, mesmo em regiões governadas por autoridades céticas em relação ao endurecimento migratório.

Próximos passos e disputa política aberta

A ausência de manifestação direta de Trump sobre o recuo em Minnesota deixa margem para leituras divergentes em Washington e no meio político local. Aliados do presidente evitam falar em recuo estratégico e insistem na narrativa de realocação de recursos. Críticos afirmam que a Casa Branca cede à combinação de protestos nas ruas, pressão institucional e desgaste internacional gerado pelas mortes em Minneapolis.

Autoridades estaduais e municipais agora cobram investigações completas sobre as duas ocorrências fatais de janeiro, com identificação de responsabilidades e revisão de protocolos de atuação do ICE em áreas urbanas densas. Organizações civis pressionam por limites mais claros à presença de forças federais em cidades que se veem como acolhedoras de imigrantes, enquanto parlamentares discutem audiências e possíveis mudanças legais.

A Operação Metro Surge se encerra em sua forma mais visível, mas o conflito entre políticas federais de imigração e resistência local permanece aberto. A forma como Minnesota lida com as mortes, as prisões e a retirada gradual dos agentes tende a servir de referência para outros estados que enfrentam dilemas semelhantes. A principal questão agora é se o recuo em Minneapolis será lembrado como exceção tática ou como início de uma nova fase na disputa sobre quem define, de fato, as fronteiras da imigração dentro dos Estados Unidos.

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