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Secretário de Itumbiara mata filho, fere outro e comete suicídio

O secretário municipal Thales Machado atira contra os dois filhos em Itumbiara (GO) na madrugada desta quinta-feira (12). Um menino morre, o outro segue internado em estado grave. Após os disparos, o secretário tira a própria vida.

Tragédia dentro de casa mobiliza cidade e autoridades

A cena ocorre em um imóvel da família em Itumbiara, no sul de Goiás, e rompe a rotina da cidade de pouco mais de 100 mil habitantes. Em poucas horas, a notícia de que um secretário municipal, genro do prefeito Dione Araújo, mata um filho, fere gravemente o outro e comete suicídio se espalha por grupos de mensagens e redes sociais.

Equipes de socorro são acionadas durante a madrugada. O filho mais novo é levado com vida a um hospital da região e permanece internado em estado grave até o início da manhã. O outro menino não resiste aos ferimentos causados pelos disparos de arma de fogo. O corpo de Thales é encontrado no local, após ele atirar contra si mesmo.

A Polícia Civil de Goiás afirma, em nota enviada à imprensa, que o caso é tratado como homicídio consumado e homicício tentado. A corporação informa que, até o momento, não há indícios de participação de terceiros. Investigadores do Grupo de Investigação de Homicídios de Itumbiara (GIH) assumem o caso e passam a reconstituir a sequência dos acontecimentos.

A Polícia Científica do Estado de Goiás realiza perícia durante a madrugada. Peritos recolhem projéteis, fotografam o ambiente e registram a posição dos corpos e dos objetos na casa. Em comunicado, o órgão manifesta “profundo pesar diante do ocorrido” e confirma que os exames técnicos necessários são concluídos ainda antes do amanhecer.

Os corpos do menino e de Thales são liberados para a família por volta das 5h desta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026. O filho sobrevivente permanece sob cuidados intensivos. A família, que ocupa posições centrais na administração municipal, se afasta da rotina pública e não se manifesta até o meio da manhã.

Repercussão política e debate sobre violência doméstica

A morte de uma criança e o ataque a outra dentro de casa, em um contexto de violência armada, acende alertas além das fronteiras de Itumbiara. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), usa as redes sociais para lamentar o crime e destaca o impacto simbólico do caso. “A notícia de violência dentro de um lar, sobretudo quando crianças são vítimas, atinge em cheio a família e coloca todo o nosso Estado de luto”, afirma.

Caiado anuncia que cancela a agenda desta quinta-feira e segue para Itumbiara para prestar solidariedade à família e às autoridades locais. A decisão tem efeito imediato no ambiente político do estado, já que envolve diretamente a gestão municipal e o círculo próximo do prefeito Dione Araújo, sogro de Thales.

Nos bastidores, integrantes do governo estadual e da prefeitura tratam a tragédia como um abalo na imagem da administração, mas evitam declarações públicas. Auxiliares falam em choque, enquanto equipes técnicas da segurança pública tentam concentrar as atenções na apuração dos fatos. A orientação oficial é aguardar o avanço das investigações antes de qualquer especulação sobre motivação.

O episódio ocorre em um país que registra, ano após ano, índices elevados de mortes e agressões dentro de casa. Casos de violência doméstica com uso de arma de fogo, como o de Itumbiara, reacendem debates sobre controle de armas, saúde mental e redes de proteção a crianças e mulheres. Especialistas ouvidos por veículos locais defendem a ampliação de canais de acolhimento para famílias em situação de conflito e o reforço da atuação de conselhos tutelares.

O fato de o autor dos disparos ocupar um cargo público e integrar o núcleo familiar do prefeito adiciona uma camada política à tragédia. A estrutura de governo municipal, que em dias normais opera com agendas, despachos e inaugurações, passa a lidar com luto, cobrança por respostas e necessidade de demonstrar transparência. Secretarias de assistência social e educação são pressionadas a oferecer apoio psicológico às comunidades mais afetadas.

Investigações em curso e dúvidas sobre motivação

Delegados do Grupo de Investigação de Homicídios concentram os primeiros passos do inquérito em três frentes: perícia na cena do crime, oitiva de familiares e análise de registros eletrônicos. A expectativa é ouvir parentes próximos, profissionais de saúde e pessoas que tiveram contato recente com Thales para entender o que antecede a madrugada de violência.

A Polícia Civil informa que, até o momento, não há elementos que indiquem envolvimento de terceiros. A arma usada nos disparos é apreendida e passa por exames balísticos. Laudos preliminares devem ficar prontos em poucos dias, enquanto análises mais detalhadas podem levar semanas. O inquérito tem prazo legal para ser concluído, mas pode ser prorrogado se a complexidade exigir.

No curto prazo, o impacto recai sobre a rotina da cidade, que amanhece sob forte comoção. Escolas discutem como tratar o tema com crianças e adolescentes. Serviços de saúde e assistência social se organizam para oferecer acolhimento psicológico gratuito. Lideranças religiosas marcam celebrações e vigílias, em um esforço para dar algum tipo de amparo simbólico à comunidade.

Autoridades estaduais afirmam que a prioridade imediata é garantir o tratamento do filho sobrevivente e apoiar a família no sepultamento das vítimas. A médio prazo, o caso tende a alimentar propostas de reforço a políticas de prevenção da violência doméstica, com foco em famílias em situação de estresse extremo. Iniciativas como capacitação de agentes de saúde para identificar sinais de risco e ampliação de canais de denúncia podem ganhar força na Assembleia Legislativa e em câmaras municipais.

As investigações seguem sob responsabilidade do GIH de Itumbiara e da Polícia Científica. As próximas semanas devem trazer respostas sobre a dinâmica exata dos fatos, o estado emocional de Thales e eventuais sinais prévios de risco. Enquanto isso, permanece a pergunta que ecoa entre autoridades, especialistas e moradores: o que poderia ter sido feito, antes daquela madrugada, para evitar que uma tragédia familiar se transformasse em luto coletivo?

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