Lula e Pacheco afinam articulação em Minas de olho em 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta quinta-feira (12) com o senador Rodrigo Pacheco em Brasília para discutir o tabuleiro eleitoral de Minas Gerais em 2026. A conversa mira a candidatura ao Senado no estado e tenta redesenhar o espaço de aliados estratégicos, com foco no senador Messias.
Lula testa força em Minas e busca reorganizar o tabuleiro
A movimentação ocorre a pouco mais de um ano e meio das eleições municipais de 2026 e trata Minas como peça-chave do jogo nacional. O estado, segundo maior colégio eleitoral do país, com cerca de 16 milhões de eleitores, volta ao centro das atenções do Planalto. Lula quer ampliar a presença de aliados em cargos estratégicos e reduzir arestas em uma base que ainda se mostra fragmentada.
Rodrigo Pacheco chega ao encontro como interlocutor privilegiado. Presidente do Congresso em mandatos recentes e liderança de expressão em Minas, ele preserva canais com o governo e com a oposição. A aproximação com Lula, em meio a um ambiente de recomposição de forças, é lida em Brasília como uma tentativa de calibrar a influência do Palácio do Planalto no estado sem provocar rompimentos imediatos.
Messias ganha centralidade na disputa pelo Senado
No centro das conversas aparece o nome do senador Messias, que enfrenta dificuldades para se firmar como referência no Senado e em Minas. A meta do entorno de Lula é dar ao parlamentar mais protagonismo nas votações relevantes e mais exposição em agendas públicas no estado. A avaliação entre aliados é que, sem essa musculatura, a chance de consolidar seu nome para uma disputa majoritária em 2026 diminui sensivelmente.
Em reservado, um articulador político ligado ao Planalto resume a estratégia: “Minas não admite vácuo de liderança. Ou você organiza o campo ali agora, ou outros ocupam esse espaço em poucos meses”. O foco imediato recai sobre votações econômicas e de infraestrutura, áreas em que Messias pode se apresentar como voz ativa na defesa de recursos para o estado, em especial nas regiões do Norte de Minas e do Vale do Jequitinhonha.
Reedição de alianças e recado para outros estados
A reunião também é vista como uma tentativa de reproduzir, em novo contexto, o modelo de alianças amplas que marcou eleições recentes em Minas. Lula sabe que o estado já decidiu disputas presidenciais apertadas e quer evitar a repetição de 2022, quando o desempenho petista ficou aquém do esperado em algumas cidades estratégicas. Ao reforçar pontes com Pacheco e projetar Messias, o governo busca um arranjo capaz de atrair setores hoje dispersos entre MDB, PSD e partidos do centrão.
O movimento não passa despercebido por caciques regionais. Prefeitos, deputados estaduais e federais observam como será a divisão de espaços na negociação com Pacheco e quais compromissos Lula está disposto a assumir. Lideranças avaliam, nos bastidores, que uma composição em torno de um nome forte ao Senado tende a influenciar também a disputa ao governo mineiro e a formação de chapas proporcionais, com impacto direto em fundos partidários e tempo de televisão em 2026.
Cenário dinâmico e efeitos além de Minas
Os desdobramentos da conversa em Brasília podem ir além das fronteiras do estado. Um acordo sólido com Pacheco em Minas tende a funcionar como sinal político a outros senadores que negociam apoio ao governo em votações sensíveis. A leitura é que, se Lula consegue costurar uma saída que fortaleça Messias e preserve o espaço de Pacheco, abre caminho para replicar o modelo em outros colégios eleitorais relevantes do Sudeste e do Nordeste.
No curto prazo, aliados esperam gestos concretos. A expectativa é que, nos próximos 90 dias, Messias assuma relatorias de projetos de maior visibilidade e participe de agendas públicas ao lado de Lula e de Pacheco no interior de Minas. Esse calendário deve indicar se a articulação atual é o início de uma coalizão mais ampla ou apenas um ajuste tático. A pergunta que permanece em aberto é se o arranjo costurado agora resistirá à pressão crescente das pré-campanhas de 2026, quando interesses locais e nacionais voltam a se chocar com intensidade.
