Toffoli contesta relatório da PF no Caso Master, e Fachin aciona PGR
O ministro Dias Toffoli apresenta, nesta quinta-feira (12), resposta formal ao relatório da Polícia Federal no chamado Caso Master e contesta pontos centrais do documento. O ministro Edson Fachin envia o material à Procuradoria-Geral da República (PGR), que passa a avaliar se há elementos para pedir a suspeição de Toffoli no processo.
STF leva embate ao centro da Corte
A reação de Toffoli, em Brasília, transforma um relatório técnico da PF em novo foco de tensão dentro do Supremo Tribunal Federal. O documento, produzido em inquérito sob sigilo, embasa questionamentos sobre a atuação do ministro no Caso Master, um dos processos mais sensíveis hoje na agenda do tribunal.
Fachin, relator do caso, decide não tratar o relatório de forma reservada. Em despacho, ele encaminha o material à PGR e determina que o texto seja compartilhado com os demais ministros do STF, abrindo a discussão para todo o plenário. O movimento marca uma escolha política e institucional: submeter a crise a instâncias formais de controle, em vez de deixá-la restrita ao gabinete do relator.
Na resposta enviada à Corte, Toffoli rebate ponto a ponto as conclusões da Polícia Federal e sustenta que não há fato novo nem indício concreto que comprometa sua atuação. Ele argumenta que o relatório mistura ilações com interpretações jurídicas controversas e afirma que cumpre estritamente as decisões colegiadas do tribunal. A manifestação tem caráter técnico, mas é também um gesto público de defesa num momento em que a confiança no STF se torna alvo de disputa política.
Transparência interna e pressão externa
O Caso Master concentra interesses políticos e econômicos de grande porte, envolvendo decisões judiciais que podem afetar contratos bilionários e impactos fiscais ao longo de vários anos. A investigação nasce sob o argumento de apurar eventuais irregularidades na condução de processos estratégicos, em meio a um ambiente de polarização e desgaste das instituições de controle. Nesse cenário, qualquer movimento de ministros do Supremo ganha peso imediato fora dos autos.
Ao decidir que todos os 11 ministros terão acesso integral ao relatório da PF e à resposta de Toffoli, o STF tenta blindar a própria imagem. A abertura interna reduz o espaço para versões parciais e vazamentos seletivos, que multiplicam desconfianças. Também pressiona a PGR, que passa a lidar com um material que já circula na cúpula do Judiciário e deverá produzir um posicionamento formal em prazo considerado razoável no tribunal, medido em semanas, não em meses.
No campo político, a contestação de Toffoli tende a alimentar discursos antagônicos. Críticos do ministro enxergam, no relatório da PF, um ponto de inflexão e cobram afastamento imediato do caso, mesmo antes de manifestação da PGR. Aliados e parte da comunidade jurídica apontam risco de criminalização de decisões judiciais e veem na reação de Toffoli uma tentativa de frear a escalada de deslegitimação do Supremo. O equilíbrio entre investigação e preservação da independência judicial volta ao centro do debate.
Especialistas em direito público ouvidos reservadamente por ministros destacam que a análise de suspeição tem efeito prático imediato. Se a PGR entender que há elementos para pedir o afastamento de Toffoli, a composição do julgamento no Caso Master pode mudar, alterando correlações de votos já mapeadas nos bastidores. Dependendo da tese predominante, setores do mercado financeiro, empresas reguladas e administrações públicas estaduais podem ver decisões multibilionárias serem reavaliadas.
O que está em jogo e os próximos passos
O encaminhamento do caso à PGR reforça o caráter institucional da crise. A Procuradoria analisa agora se o relatório da PF, de um lado, e a resposta de Toffoli, de outro, sustentam um pedido formal de suspeição. Esse parecer, embora não vincule o STF, costuma pesar na formação de maioria em temas sensíveis. Uma sinalização clara da PGR pode acelerar ou retardar o calendário do Caso Master, influenciando prazos de julgamento e a agenda do plenário ainda em 2026.
No curto prazo, a expectativa no tribunal é que a PGR se manifeste por escrito e, em seguida, Fachin decida se leva a discussão sobre suspeição diretamente ao plenário ou a uma das turmas. A depender do rito escolhido, o debate pode ocorrer em sessão televisionada, ampliando a exposição pública do embate entre o ministro investigado e as conclusões da PF. A forma como o Supremo administra esse conflito interno, em meio à desconfiança de parte da opinião pública, tende a definir não apenas o desfecho do Caso Master, mas também o nível de credibilidade do tribunal em julgamentos de alto impacto político nos próximos anos.
