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Atlético demite Jorge Sampaoli após série negativa em 2026

O Atlético anuncia na tarde desta quinta-feira (12) a saída do técnico Jorge Sampaoli. A decisão vem após reunião na Cidade do Galo e um acordo entre as partes para encerrar o trabalho, em meio a uma forte pressão por resultados e desempenho.

Reunião, desgaste e fim de ciclo

A cúpula atleticana se reúne com Sampaoli no início da tarde em Vespasiano. A conversa confirma o que já se desenha há semanas: a relação não resiste à sequência ruim em 2026. Em comunicado oficial, o clube informa que o auxiliar Lucas Gonçalves assume interinamente e comanda o time contra o Itabirito, no sábado (14), às 16h, no estádio Castor Cifuentes, em Nova Lima, pelo Campeonato Mineiro.

Sampaoli deixa o comando com 32 jogos nesta segunda passagem, dez vitórias, 15 empates e sete derrotas. O recorte recente pesa mais do que o balanço geral. O Atlético soma apenas três vitórias nas últimas 17 partidas, um aproveitamento que derruba o time na tabela e esgota a paciência de dirigentes e torcedores.

Pressão em alta e desempenho em queda

O empate por 3 a 3 com o Remo, na noite de quarta-feira (11), na Arena MRV, funciona como gatilho. O time abre vantagem, vacila na defesa e volta a sofrer gols em série num estádio que simboliza o projeto de modernização do clube. Com o resultado, o Atlético chega a apenas dois pontos em nove disputados na Série A do Campeonato Brasileiro e ocupa o 14º lugar, zona perigosa para quem entra na temporada falando em vaga na Libertadores.

Nos bastidores, a avaliação é de que o rendimento não acompanha o investimento recente em elenco e estrutura. A diretoria entende que o time oscila demais, mesmo quando o resultado não é derrota. O excesso de empates, 15 em 32 jogos, vira sintoma de um problema maior: dificuldade para controlar partidas e manter intensidade durante os 90 minutos.

A memória do trabalho de 2020, quando Sampaoli lidera um Atlético agressivo e protagonista no Brasileirão, ajuda a explicar o tamanho da frustração. O retorno, anunciado em setembro de 2025 após a demissão de Cuca, chega cercado de expectativa. O argentino assume com duas missões claras: afastar o risco de rebaixamento e levar o time o mais longe possível na Copa Sul-Americana.

No fim de 2025, as metas formais estão cumpridas. O Atlético escapa sem sustos e termina o Brasileirão em 11º lugar, com 48 pontos. Na Sul-Americana, chega à final, mas perde o título para o Lanús nos pênaltis, por 5 a 4, após empate no tempo normal. Em campo, porém, o futebol não empolga. O time alterna bons momentos curtos com longos períodos de instabilidade.

Na Copa do Brasil, a passagem é ainda mais discreta. Sampaoli assume depois da derrota por 2 a 0 para o Cruzeiro, na Arena MRV, no jogo de ida das quartas de final. No Mineirão, na volta, o roteiro se repete: novo 2 a 0 para o rival e eliminação que expõe fragilidades defensivas e emocionais. A leitura interna é de que o time não mostra resposta em jogos decisivos.

Números, ruídos e impacto no elenco

O início de 2026 confirma as preocupações. Em 17 jogos, são três vitórias, dez empates e quatro derrotas. O último revés, por 1 a 0 para o RB Bragantino, pelo Brasileirão, reforça a imagem de um Atlético previsível e pouco agressivo. A equipe cria, finaliza, mas erra na definição e sofre em bolas paradas e contra-ataques.

No Campeonato Mineiro, a situação também incomoda. O clube soma 11 pontos e é apenas o segundo colocado do Grupo A. O regulamento, que garante vaga no mata-mata apenas aos líderes de cada grupo e ao melhor segundo colocado geral, transforma qualquer tropeço em ameaça real de eliminação precoce. A possibilidade de cair ainda na primeira fase liga o alerta na Cidade do Galo.

Dirigentes admitem, em conversas reservadas, que o ambiente fica pesado nos últimos dias. Parte do elenco demonstra desgaste com o estilo intenso de Sampaoli, que cobra ao limite em treinos e jogos. As constantes mudanças na escalação e no desenho tático geram desconforto em jogadores que se veem sem função clara em campo.

Nas arquibancadas e nas redes sociais, o movimento é dividido, mas barulhento. Uma ala defende a permanência do treinador, argumentando que o clube precisa de projeto longo. Outra cobra ruptura imediata e aponta a queda de desempenho em 2026 como evidência de que o ciclo se esgota. A diretoria tenta equilibrar o discurso. No comunicado, agradece “pelos serviços prestados” e deseja “sucesso na sequência da trajetória profissional” de Sampaoli.

Transição imediata e futuro em aberto

A escolha de Lucas Gonçalves para comandar o time contra o Itabirito indica uma transição interna, sem ruptura total no dia a dia. O auxiliar conhece o vestiário, participa da rotina de treinamentos e ajuda a construir o plano de jogo recente. O desafio imediato é simples e urgente: vencer sábado, somar pontos no Mineiro e reduzir a tensão em torno do clube.

Nos próximos dias, o Atlético entra em outro tipo de corrida. A diretoria começa a mapear o mercado em busca de um nome capaz de redesenhar a temporada. O novo técnico terá de lidar com uma tabela apertada, um elenco pressionado e uma torcida que cobra reação rápida no Brasileirão e segurança no Estadual. A demissão de Sampaoli encerra um capítulo de altas expectativas e resultados irregulares. A pergunta que fica, enquanto a bola volta a rolar no sábado, é se o próximo comandante conseguirá entregar o protagonismo que o clube insiste em projetar para si.

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