Influencer filipina morre após comer “caranguejo do diabo” em Palawan
A influenciadora filipina Emma Amit, de 51 anos, morre em 6 de fevereiro de 2026, dois dias após ingerir o chamado “caranguejo do diabo” durante uma gravação em Palawan. O crustáceo abriga neurotoxinas letais que resistem ao cozimento e desencadeiam uma intoxicação fulminante.
Gravação termina em tragédia em manguezal de Palawan
Na manhã de 4 de fevereiro, Emma sai de casa na província de Palawan, região de manguezais e mariscos fartos, para mais um vídeo de aventuras gastronômicas. A proposta é simples e rende boas audiências: mostrar a coleta de frutos do mar ao lado de amigos e preparar, diante da câmera, um prato típico com leite de coco.
O grupo avança pelo manguezal, recolhe diferentes espécies e improvisa uma cozinha ao ar livre. Entre conchas e pequenos crustáceos, surge o animal que moradores chamam de “caranguejo do diabo”, conhecido localmente pela toxicidade e por relatos de envenenamento. O crustáceo entra na panela como mais um ingrediente exótico, mesmo após alertas recorrentes de autoridades ambientais sobre o risco do consumo.
O vídeo registra o passo a passo do preparo, do fogo aceso à panela fumegante, e segue o roteiro que ajuda a construir a audiência de Emma. Ela se especializa justamente em experimentar pratos incomuns e frutos do mar pouco conhecidos, quase sempre em cenários turísticos das Filipinas. A refeição é servida ali mesmo, poucos minutos depois do cozimento, e parte do material deve alimentar também cortes curtos para redes sociais.
No dia seguinte à gravação, o enredo se rompe. Emma passa a sentir um mal-estar súbito, descrito por testemunhas como mais intenso do que uma intoxicação alimentar comum. Convulsões e perda de consciência se instalam em poucas horas, obrigando amigos e vizinhos a chamar socorro.
O transporte até a unidade de saúde local expõe a gravidade do quadro. Durante o trajeto de ambulância, relatos de moradores e de autoridades indicam que os lábios de Emma ganham coloração azulada, sinal de oxigenação insuficiente no sangue. Os socorristas tentam estabilizar a respiração, mas o envenenamento progride com rapidez.
Internada, a influenciadora recebe apenas tratamento de suporte, como ventilação assistida e monitoramento intensivo. Especialistas lembram que, para o tipo de neurotoxina associada a esse crustáceo, não há antídoto específico disponível. Dois dias depois da refeição no manguezal, em 6 de fevereiro, Emma morre por complicações da intoxicação.
Neurotoxina resiste ao fogo e acende alerta sobre segurança alimentar
A morte de Emma expõe um perigo que não se restringe a Palawan. O chamado “caranguejo do diabo” carrega neurotoxinas capazes de afetar diretamente o sistema nervoso, provocando paralisia muscular e falência respiratória. Ao contrário de bactérias comuns, essas substâncias não se quebram com o calor: continuam ativas mesmo depois de cozidas em água fervente ou misturadas a temperos e leite de coco.
Autoridades de saúde filipinas voltam a repetir um aviso que circula há anos em cartilhas e campanhas locais. “Algumas espécies marinhas são intrinsecamente perigosas, independentemente da forma de preparo”, ressaltam técnicos consultados pela imprensa local. “Não existe antídoto para essa toxina, e o tratamento se limita a manter o paciente vivo até que o organismo elimine a substância.” Essa corrida contra o tempo nem sempre é bem-sucedida, como mostra o desfecho do caso.
Em Palawan, a comoção se mistura a um sentimento de culpa difuso entre vizinhos e seguidores. Moradores relatam que Emma é conhecida por transformar refeições simples em eventos comunitários e por incentivar produtores locais de frutos do mar. Amigos a descrevem como uma mulher “apaixonada pela culinária” e pela troca com o público. Nas redes, mensagens de luto se espalham em diferentes idiomas, reflexo da audiência construída ao longo dos últimos anos.
O episódio reacende também um debate global sobre até que ponto vale arriscar a própria segurança em nome de engajamento digital. Conteúdos de risco, baseados em desafios extremos ou em provas gastronômicas com animais exóticos, se multiplicam em plataformas de vídeo curtos e lives. Especialistas em comunicação alertam que a lógica da viralização incentiva experiências cada vez mais ousadas, frequentemente sem checagem adequada de riscos sanitários.
Autoridades ambientais das Filipinas aproveitam a repercussão internacional do caso para ampliar o alcance de campanhas educativas. O recado é direto: espécies não reconhecidas como seguras para consumo devem ser evitadas, ainda que façam parte de tradições locais ou de lendas culinárias. A advertência mira tanto moradores quanto turistas que buscam experiências “autênticas” nas ilhas do país.
Pressão por responsabilidade digital e novos limites para o conteúdo de risco
O impacto da morte de Emma já se traduz em movimentos concretos. Órgãos de saúde e meio ambiente estudam intensificar, nas próximas semanas, ações de fiscalização em áreas de pesca artesanal e em mercados populares de frutos do mar. A ideia é reforçar, com placas e orientações verbais, quais espécies não devem entrar na mesa, mesmo em pequenas porções.
Associados ao governo local discutem ainda parcerias com plataformas digitais para incluir avisos e links de segurança alimentar em vídeos que mostrem consumo de animais potencialmente perigosos. A pressão pública por mais responsabilidade não recai apenas sobre influenciadores. Executivos de redes sociais são cobrados a revisar regras de monetização de conteúdos que envolvam práticas arriscadas, sobretudo quando há incentivo explícito à imitação por parte de seguidores.
Na comunidade de criadores de conteúdo, o episódio alimenta um incômodo antigo. Muitos reconhecem, em conversas privadas, que o modelo de negócios digital recompensa quem se arrisca mais. A tragédia em Palawan funciona como um ponto de inflexão, ao evidenciar que a busca por cliques pode ter custo irreversível, não apenas para quem aparece na tela, mas também para quem tenta repetir a experiência em casa.
Enquanto amigos e familiares se preparam para o velório de Emma Amit, o caso segue repercutindo em fóruns especializados em segurança alimentar e regulamentação digital. Perguntas sobre responsabilidade, limites éticos e dever de alerta atravessam fronteiras. A resposta das autoridades e das plataformas nos próximos meses vai definir se a morte da influenciadora se transforma em mudança concreta ou se ficará restrita a mais um episódio trágico na cronologia dos excessos online.
