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Neymar e Gabigol ficam fora de Athletico x Santos por gramado sintético

Neymar e Gabigol desfalcam o Santos contra o Athletico nesta quinta-feira (12), às 19h, na Arena da Baixada, pela 3ª rodada do Brasileirão. A decisão não tem relação com lesão: os dois optam por não atuar no gramado sintético do estádio paranaense.

Santos encara jogo grande sem suas principais estrelas

O Santos chega a Curitiba pressionado, com apenas um ponto somado nas duas primeiras rodadas, e sem seus dois principais nomes do ataque. Neymar, recém-recuperado de uma artroscopia no joelho, e Gabriel Barbosa, o Gabigol, estão liberados pelo departamento médico, mas ficam fora por opção técnica e estratégica diante da grama artificial da Arena da Baixada.

O tema não é novo na carreira do camisa 10. Neymar critica campos sintéticos desde os tempos de Europa e reforça o incômodo agora no retorno ao futebol brasileiro. A comissão técnica avalia que expô-lo logo de cara a uma superfície que exige mais das articulações aumenta o risco de um novo problema. Ele só estreia na temporada no fim de semana, contra o Velo Clube, pelo Paulistão, em gramado natural.

Gabigol vive situação diferente. O atacante joga normalmente, foi titular na vitória sobre o Noroeste e não tem lesão registrada. Mesmo assim, também não entra em campo em Curitiba. A decisão é tratada internamente como preservação e alinhamento com a posição de Neymar em relação a gramados artificiais.

O técnico Juan Pablo Vojvoda tenta equilibrar o discurso entre a necessidade esportiva e o cuidado com o elenco. “Eu preciso do Neymar. Sim, eu preciso. Mas, primeiro, eu tenho que pôr o Neymar acima do que nós precisamos como indivíduo”, afirma o argentino. “Neymar vai estar pronto e eu confio que no próximo jogo já podemos contar com ele. Se não é no próximo, vamos continuar trabalhando para que assim aconteça”, completa.

Desfalques, retornos e a estreia discreta de Moisés

A ausência da dupla se soma a outros problemas. O zagueiro Adonis Frías segue fora por lesão na panturrilha direita. No meio-campo, Willian Arão ainda se recupera de cirurgia para retirada de cálculo renal, enquanto Zé Rafael trata uma tendinite patelar. A espinha dorsal idealizada para o setor não viaja.

O alívio para Vojvoda vem com os retornos do zagueiro João Basso e do volante Gustavo Henrique, novamente à disposição após lesões musculares. A comissão técnica conta com os dois para dar alguma experiência a um time que encara um Athletico forte em casa, acostumado ao próprio gramado sintético e embalado pela vitória por 1 a 0 sobre o Internacional na estreia do campeonato.

A principal novidade na lista de relacionados é Moisés. O atacante chega do Fortaleza por 2 milhões de euros, cerca de R$ 12,3 milhões na cotação atual, e viaja a Curitiba antes mesmo da oficialização. O clube inclui um jogador a mais entre os relacionados prevendo a hipótese de o nome do reforço não aparecer a tempo no Boletim Informativo Diário da CBF.

A contratação ganha um toque de bastidor com a “anúncio” de Neymar. O camisa 10 publica uma foto do treino da última terça-feira (10), no CT Rei Pelé, e Moisés aparece ao fundo, ainda sem apresentação oficial. No elenco, o reforço é visto como peça importante para suprir a provável rotatividade de Neymar ao longo da temporada.

Sem as estrelas, a provável escalação do Santos para enfrentar o Athletico tem Gabriel Brazão; Igor Vinícius, Zé Ivaldo, Luan Peres e Escobar; João Schmidt, Gabriel Menino e Miguelito; Barreal, Thaciano e Rony. É um time mais operário, com mobilidade na frente, mas sem o brilho individual que Neymar e Gabigol costumam oferecer.

Pressão por resultados e debate sobre gramado sintético

O cenário esportivo não é confortável. O Santos perde por 4 a 2 para a Chapecoense na estreia, empata em 1 a 1 com o São Paulo e soma apenas um ponto em duas rodadas. A escolha de poupar Neymar e Gabigol em um jogo de grande exposição, diante de um rival direto por vaga em competições internacionais, desloca o foco do vestiário para a discussão sobre prioridades.

Parte da torcida cobra a presença dos ídolos em qualquer condição, lembrando o investimento feito e a expectativa criada para 2026. Outra parcela enxerga a decisão como um mal necessário para garantir Neymar inteiro nos jogos decisivos do Paulistão e da sequência do Brasileirão. A própria carreira recente do camisa 10, marcada por cirurgias e longos períodos fora de ação, pesa nessa balança.

O tema do gramado sintético ocupa espaço crescente no debate sobre segurança dos atletas. Jogadores relatam maior impacto em joelhos e tornozelos e maior desgaste após partidas em superfícies artificiais. Estudos sobre a diferença de lesões entre grama natural e sintética ainda geram controvérsia, mas a percepção no meio do futebol é de que o risco existe, principalmente para atletas com histórico de problemas físicos.

A Arena da Baixada se firma como palco temido por adversários, não apenas pelo desempenho do Athletico em casa, mas também pela fama de campo “duro” e de adaptação difícil. A recusa de Neymar, um dos maiores nomes da história recente da seleção brasileira, tende a reacender discussões na CBF, entre sindicatos de atletas e nos próprios clubes sobre critérios de homologação dessas superfícies.

O que vem pela frente para Neymar, Gabigol e Santos

O planejamento da comissão técnica mira a estreia de Neymar na temporada já no fim de semana, diante do Velo Clube, pelo Paulistão. A ideia é usar jogos em gramado natural para aumentar gradualmente a carga de minutos do camisa 10, evitando saltos bruscos de intensidade. Gabigol, em ritmo de jogo, deve voltar a ser opção imediata nas próximas rodadas, sem restrição relacionada ao tipo de campo.

O desempenho do Santos em Curitiba ajuda a definir o tom dos próximos dias. Um bom resultado, mesmo sem as estrelas, reforça o discurso de prudência e de elenco equilibrado. Uma derrota amplia a pressão sobre Vojvoda e alimenta o questionamento sobre até que ponto vale poupar jogadores em um campeonato de pontos corridos, que não admite muitos tropeços nas primeiras rodadas.

No médio prazo, a escolha de Neymar e Gabigol pode influenciar outros atletas de elite a se posicionar sobre gramados sintéticos, especialmente aqueles com histórico recente de lesão. Resta saber se o recado do elenco santista ficará restrito a uma noite em Curitiba ou se vai se transformar em pauta permanente no calendário do futebol brasileiro.

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