Secretário de Itumbiara atira nos filhos, mata um e se suicida
O secretário de Governo de Itumbiara, Thales Machado, 40, atira nos dois filhos na madrugada desta quinta-feira (12/2), em Goiás. O menino mais velho, de 12 anos, morre no hospital. O mais novo, de 8, passa por cirurgia e segue internado em estado gravíssimo.
Tragédia familiar abala a política local
A casa da família, em Itumbiara, no sul de Goiás, se transforma em cena de crime por volta da madrugada. Segundo a Polícia Civil goiana, Thales dispara contra os dois meninos com uma arma de fogo e, em seguida, tira a própria vida. O caso envolve um agente público conhecido na cidade, genro do prefeito Dione Araújo (PSD), e provoca choque imediato no meio político e na vizinhança.
O filho mais velho ainda é socorrido e levado ao Hospital Municipal Modesto de Carvalho, referência na região. A equipe médica tenta reverter o quadro, mas o adolescente não resiste. O caçula, de 8 anos, é transferido ao Hospital Estadual de Itumbiara, onde passa por cirurgia de emergência e é levado para a Unidade de Terapia Intensiva. A Secretaria de Comunicação do município informa que o quadro clínico é “gravíssimo”.
A Polícia Civil classifica o caso, em nota oficial, como “homicídio consumado e homicídio tentado, seguidos de autoextermínio por parte do autor”. A corporação reforça que, até o momento, não há qualquer indício de participação de terceiros. O foco da investigação recai sobre a dinâmica dos disparos, a possível motivação e o histórico recente do secretário com a família.
O episódio ganha repercussão rápida em grupos de moradores e em perfis locais nas redes sociais. Mensagens de pesar se multiplicam ao longo da manhã, enquanto o entorno da residência permanece isolado para o trabalho da perícia técnica. A movimentação policial contrasta com a imagem pública recente de Thales, que se apresenta, em suas contas pessoais, como um pai presente e dedicado.
Investigação em sigilo e perguntas sem resposta
O inquérito fica a cargo do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Itumbiara. A delegacia especializada acompanha os peritos desde a madrugada, faz o levantamento fotográfico e coleta vestígios no imóvel antes da remoção do corpo do secretário. A arma é apreendida e encaminhada para análise balística, etapa padrão em casos de morte por disparo de fogo.
Em nota, a corporação informa que “instaurou inquérito para apurar os fatos ocorridos na madrugada desta quinta-feira” e que segue com “levantamentos, oitivas e requisições periciais, preservando o sigilo do inquérito e respeitando a dor dos familiares”. A polícia evita detalhar o teor dos depoimentos já colhidos e não confirma, por ora, se havia outras pessoas na casa no momento dos tiros.
A última postagem de Thales nas redes sociais chama atenção dos investigadores e da opinião pública. Em vídeo recente, ele aparece com o filho mais novo no colo, desenhando em um caderno, e ao lado do mais velho durante um treino de artes marciais. Na legenda, escreve: “Que Deus abençoe sempre meus filhos, papai ama muito”. A publicação, feita poucos dias antes da tragédia, contrasta com o desfecho violento desta madrugada.
Itumbiara, município de cerca de 110 mil habitantes, costuma associar a figura do secretário à gestão municipal e à proximidade com o prefeito. Thales ocupa um dos cargos mais estratégicos da administração, responsável por articulação política e interlocução com outros poderes. A tragédia, agora, expõe o impacto de conflitos domésticos e crises individuais no núcleo de poder da cidade.
Autoridades locais divulgam notas de pesar, mas evitam declarações extensas sobre a vida privada da família. Assessores reforçam, em caráter reservado, a orientação para que o caso seja tratado com discrição, diante da presença de uma criança em situação crítica. O cuidado com a exposição do menino de 8 anos também orienta o sigilo médico sobre detalhes da cirurgia e do tratamento intensivo.
Comoção, saúde mental e efeitos na gestão
A morte do adolescente de 12 anos e o estado gravíssimo do irmão mais novo geram forte comoção em Itumbiara. Escolas próximas à região relatam alunos abalados, e pais procuram orientação sobre como falar de violência dentro de casa. Psicólogos ouvidos pela reportagem apontam que situações como essa reacendem o debate sobre saúde mental, acesso a atendimento especializado e prevenção da violência doméstica.
A prefeitura, que perde um secretário em circunstâncias extremas, precisa reorganizar a linha de comando em meio à crise. A exoneração automática do cargo, pelo falecimento de Thales, abre uma disputa silenciosa pela função, mas auxiliares diretos do prefeito afirmam que qualquer definição só ocorre depois do luto oficial. A prioridade, segundo esses interlocutores, é garantir apoio à família e aos servidores mais próximos.
Casos de homicídio seguido de suicídio envolvendo pais e filhos, embora não sejam frequentes, se tornam tema recorrente em debates de segurança pública e políticas sociais. Especialistas lembram que, em grande parte dos episódios, há sinais prévios de sofrimento psíquico, conflitos conjugais intensos ou histórico de ameaça. A investigação em Goiás tenta identificar se algum desses elementos está presente na trajetória recente do secretário.
Entidades de proteção à infância reforçam a necessidade de ampliar canais de denúncia em situações de risco. Órgãos públicos mantêm serviços como o Disque 100 e o 190, disponíveis 24 horas, para acionar polícia e conselhos tutelares. Em cidades de porte médio, como Itumbiara, a rede de proteção depende do diálogo entre escolas, unidades básicas de saúde, vizinhos e famílias para interromper ciclos de violência.
Próximos passos e impactos que ainda se desdobram
O GIH de Itumbiara segue com a oitiva de testemunhas, análise de imagens de câmeras próximas e laudos periciais. Os investigadores trabalham com a linha de homicídio consumado e tentado, seguida de suicídio, mas ainda não divulgam hipóteses sobre a motivação. O resultado dos exames cadavéricos e balísticos, previsto para as próximas semanas, deve esclarecer a dinâmica exata dos disparos.
A cidade acompanha, em suspense, o boletim médico do menino de 8 anos internado na UTI do Hospital Estadual de Itumbiara. A cada atualização, cresce a expectativa por sinais de melhora que possam, ao menos em parte, aliviar o peso da tragédia. Enquanto isso, a gestão municipal tenta retomar a rotina administrativa, agora marcada por uma perda que levanta questões difíceis sobre violência doméstica, saúde mental e o limite entre a vida pública e a vida privada de quem ocupa cargos de poder.
