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Palmeiras projeta estreia de Jhon Arias para mata-mata do Paulista

O meia-atacante colombiano Jhon Arias, novo reforço do Palmeiras, tem chegada prevista ao Brasil para o fim desta semana e deve estrear apenas no mata-mata do Campeonato Paulista, a partir das quartas de final, e no Brasileirão depois de 25 de fevereiro de 2026.

Investimento alto e pressa contida

O Palmeiras desembolsa cerca de 25 milhões de euros, algo em torno de R$ 154 milhões, para tirar Arias do Wolverhampton e recolocá-lo no futebol brasileiro. O valor coloca o colombiano entre as contratações mais caras da história do clube e expõe a aposta da diretoria em um jogador pronto para decidir partidas grandes, no Brasil e no cenário internacional.

O anúncio oficial sai no último sábado, 7, mas Arias ainda não se apresenta na Academia de Futebol. O jogador pede alguns dias para resolver questões pessoais ligadas à mudança da Inglaterra para São Paulo, o que inclui logística familiar, mudança de residência e acerto de documentos. O atraso empurra a estreia para o período mais decisivo do início da temporada.

Calendário ajusta a estreia do reforço

A previsão de desembarque para o fim da semana do dia 9 de fevereiro de 2026 impede qualquer chance de participação nos dois próximos compromissos do Palmeiras. O time enfrenta o Internacional na quinta-feira, 12, pelo Campeonato Brasileiro, e fecha a primeira fase do Paulistão diante do Guarani, no domingo, 15. A comissão técnica trabalha com cautela, tanto pela adaptação física após a viagem quanto pela necessidade de integrar o jogador ao modelo de jogo.

O cenário mais provável é que Arias esteja à disposição nas quartas de final do Campeonato Paulista, quando o torneio passa a ser decidido em mata-mata, e volte ao Brasileiro no duelo contra o Fluminense, marcado para 25 de fevereiro. A estreia contra o ex-clube adiciona um elemento simbólico ao roteiro: o meia-atacante retorna ao país justamente diante da equipe em que vira protagonista e campeão continental.

De ídolo no Flu a aposta pesada no Allianz

A trajetória recente ajuda a explicar o tamanho da expectativa. Arias ganha status de ídolo no Fluminense entre 2021 e 2025, período em que lidera o setor ofensivo e conquista a Copa Libertadores de 2023. A passagem abre portas para a Europa e o leva ao Wolverhampton, na Inglaterra, antes do retorno ao Brasil. Desde 2022, o jogador também defende a seleção colombiana e participa de convocações regulares, consolidando o nome no cenário sul-americano.

O Palmeiras mira exatamente esse pacote: experiência de Libertadores, vivência europeia e adaptação já comprovada ao futebol brasileiro. Arias se encaixa no setor de criação, atuando como meia-atacante aberto pelos lados ou centralizado, oferecendo alternativa a um elenco que disputa simultaneamente Campeonato Paulista, Brasileiro, Copa do Brasil e competições continentais. A diretoria vê no colombiano um reforço capaz de elevar o nível técnico do meio-campo ofensivo, hoje um dos pontos sensíveis do elenco.

Abel cobra cautela e reforços em campo

O técnico Abel Ferreira adota um discurso de freio de mão puxado diante da empolgação da torcida. Depois da vitória sobre o Corinthians, no domingo, 8, ele fala pela primeira vez sobre a chegada do colombiano e evita tratar Arias como solução imediata. “Os jogadores são reforços quando começam a jogar. Enquanto eu não ver jogar, é esperar que nos ajudem em campo”, afirma. “Até aí, se o clube o anunciou, é ótimo, porque realmente precisávamos de mais soluções. Sei que o clube está fazendo um esforço muito grande para ir atrás dessas contratações”, completa.

Abel também expõe os bastidores da negociação e o peso político da operação. “Quando falamos de jogadores deste nível, é contratação de presidente. Contratação de scout, Barros e treinador, é o López, Murilo… Jogadores como Vitor Roque, Andreas, Arias, é de presidente. Mas eu quero vê-los disponíveis e jogando dentro de campo. Aí, sim, falamos em reforços”, diz o treinador, ao citar o diretor Anderson Barros e jogadores já consolidados no elenco.

Disputa por espaço e impacto imediato

A presença de Arias tende a redesenhar o setor ofensivo. O colombiano chega para disputar vaga com meias e pontas que hoje acumulam minutos importantes com Abel. A disputa interna promete esquentar o ambiente na Academia de Futebol e pode afetar o tempo de jogo de atletas em fase de afirmação. Para a comissão técnica, o ganho está na multiplicação de variações táticas, com possibilidade de atuar com três meias criativos ou inverter posições entre linhas.

O investimento pesado também pressiona por resultados rápidos. Um jogador que custa 25 milhões de euros dificilmente tem margem ampla para um período longo de adaptação. A torcida espera impacto imediato a partir do mata-mata do Paulista e nas primeiras rodadas do Brasileiro, especialmente nos jogos contra rivais diretos por títulos. A forma como Arias se encaixa no desenho de Abel, e a velocidade dessa adaptação, tende a influenciar a leitura de mercado do clube para o meio do ano.

Contrato longo e apostas para os próximos anos

O vínculo até dezembro de 2029 mostra que o Palmeiras não trata Arias como solução de curto prazo. O clube projeta o colombiano como peça central de um ciclo de ao menos quatro temporadas, com presença em campanhas de Libertadores, disputas nacionais e eventual revenda futura ao mercado europeu. A idade e o histórico recente de seleção jogam a favor dessa estratégia.

A estreia, prevista para as quartas de final do Paulistão e para o jogo do Brasileiro contra o Fluminense, marca apenas o primeiro capítulo. A partir desse momento, o desempenho de Arias passa a ser medido a cada rodada, em números e influência dentro de campo. O tamanho do investimento, o peso da camisa e a expectativa criada pela diretoria deixam uma pergunta aberta: quanto tempo o Palmeiras vai precisar para transformar o nome de Jhon Arias em um novo protagonista de sua história recente?

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