FPF barra tentativa do São Paulo de levar jogo contra Ponte ao Morumbi
O São Paulo tenta, no domingo, comprar o mando de campo da última rodada do Campeonato Paulista contra a Ponte Preta, mas esbarra no regulamento. A Federação Paulista de Futebol rejeita a movimentação por descumprimento do prazo mínimo de 10 dias para mudança na tabela, e o duelo permanece em Campinas.
Consulta informal mira bilheteria maior no Morumbis
A diretoria tricolor se movimenta nos bastidores ao perceber, com o rebaixamento já confirmado da Ponte Preta, a chance de transformar o jogo em evento de casa cheia. A partida está marcada para o estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, mas o clube paulista vê no Morumbis a possibilidade de faturar mais em bilheteria e aproximar o time de sua torcida em um momento de pressão esportiva e financeira.
A ideia parte do presidente são-paulino, Harry Massis Júnior, e nasce como consulta, não como proposta formal. Dirigentes do São Paulo sondam interlocutores da Ponte Preta e da própria Federação Paulista de Futebol para medir a disposição de todos em negociar o mando. Não há ofício protocolado, nem valor colocado na mesa, apenas o desenho inicial de um acordo que poderia transformar um jogo de fim de fase em fonte extra de receita.
Regulamento trava negociação mesmo com abertura da Ponte
Nos bastidores, a Ponte Preta não fecha as portas de imediato. Pessoas próximas à diretoria campineira relatam que o clube estaria disposto a ouvir uma oferta financeira, desde que a compensação fosse relevante diante da perda de renda em casa e do deslocamento do torcedor. A situação esportiva, com o time já rebaixado, abre brecha para tratar o confronto mais como oportunidade de caixa do que como vantagem técnica.
O avanço, porém, para na FPF. O artigo 17 do regulamento do Campeonato Paulista é taxativo ao exigir que qualquer mudança na tabela seja solicitada com, pelo menos, 10 dias de antecedência. O texto determina que as alterações só podem ocorrer mediante ofício motivado, endereçado ao Departamento de Competições, e posterior publicação oficial. A sondagem tricolor acontece no domingo, já dentro da janela inferior a dez dias da data do jogo, o que torna impossível seguir o rito formal.
Com o relógio contra a operação, a Federação veta qualquer desenvolvimento da negociação. O mando de campo segue com a Ponte Preta, e o palco continua sendo o Moisés Lucarelli, como previsto desde a divulgação inicial da tabela. Dirigentes ouvidos reservadamente avaliam que, sem o entrave de prazo, a discussão financeira entre os clubes teria espaço para avançar.
Disputa de mando expõe tensão entre receita e organização
A tentativa do São Paulo revela a busca por novas fontes de renda em uma temporada de orçamento pressionado por folha salarial alta, bônus contratuais e custos de elenco. Um jogo decisivo em um estádio de capacidade superior a 60 mil pessoas, como o Morumbis, representa potencial de arrecadação bem maior do que o Moisés Lucarelli, que comporta pouco mais de 19 mil torcedores. Um simples aumento de público de 10 mil pagantes, com ingressos médios em cerca de R$ 60, já significaria algo em torno de R$ 600 mil extras em um único dia.
O movimento também explicita a disputa recorrente entre interesse esportivo imediato e estabilidade da competição. Para o São Paulo, atuar em casa significa não só renda maior, mas ambiente mais favorável, logística simples e rotina conhecida. Para a Ponte Preta, ainda que rebaixada, manter o mando preserva algum controle sobre o espetáculo e garante receita local em um jogo que, de outro modo, se transformaria em ativo negociado a distância.
O lado da FPF se ancora na previsibilidade. Ao aplicar o artigo 17 sem brechas, a entidade sinaliza que não pretende abrir precedentes a menos de 10 dias da rodada final. Dirigentes temem que, em um cenário de mais flexibilidade, a tabela vire alvo de disputas de ocasião, com troca de mando de última hora e insegurança para torcedores, emissoras e patrocinadores, que montam logística com semanas de antecedência.
Prazos em debate e pressão por mais flexibilidade
A frustração do São Paulo alimenta uma discussão recorrente em campeonatos estaduais: até que ponto a rigidez dos prazos protege a competição e quando passa a engessar soluções razoáveis? Em conversas de bastidor, dirigentes de diferentes clubes relatam que o intervalo de 10 dias, fixado no regulamento, dificulta ajustes alinhados com a realidade de caixa de equipes que dependem, cada vez mais, de bilheteria e ações de matchday.
O episódio deve reforçar a pressão para revisar regras de alteração de mando nas próximas reuniões de conselho técnico do Paulistão. Dirigentes estudam defender, por exemplo, janelas específicas na fase classificatória para negociação de mando, com salvaguardas esportivas e exigência de anuência da federação. Uma eventual mudança precisa ser aprovada coletivamente e publicada com antecedência clara para evitar distorções.
O jogo entre Ponte Preta e São Paulo, mantido no Moisés Lucarelli, ganha assim um significado que vai além da tabela. A partida vira lembrete público de que, em um calendário apertado e financeiramente desigual, cada decisão de mando, cada prazo e cada artigo de regulamento podem definir não só onde a bola rola, mas quem tem condições de transformar 90 minutos em receita decisiva. A próxima discussão não será sobre este domingo, e sim sobre como os campeonatos paulistas vão lidar com esse tipo de dilema nas próximas temporadas.
