Trump tem síncope ao ver Bad Bunny no Super Bowl e cria ‘Good Bunny’
Donald Trump sofre uma síncope na Casa Branca durante o show de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl, em 9 de fevereiro de 2026. O colapso expõe o impasse do presidente entre sequestrar ou deportar o astro porto-riquenho.
Crise em tempo real entre o palco e a Casa Branca
O gramado ainda vibra com os primeiros acordes de Bad Bunny quando o clima muda a quase 2,5 mil quilômetros dali. No salão oval, assessores relatam um cenário de guerra: telas ligadas, telefones em loop e um presidente paralisado diante da transmissão do intervalo mais caro da TV americana, com anúncios que somam mais de US$ 500 milhões em menos de 15 minutos.
Trump acompanha o show ao vivo, cercado por conselheiros de segurança e comunicação. Segundo dois auxiliares presentes, ele repete em voz alta perguntas sobre o status de Bad Bunny. “Ele é de Porto Rico, que é nosso mas não é nosso. Ele é latino, mas está cantando na festa mais americana que existe. Ele é muito atraente, mas não é branco”, explica, em tom didático, sua porta-voz Karoline Leavitt, em conversa transmitida minutos depois para redes nacionais.
Enquanto o cantor porto-riquenho domina o palco diante de mais de 70 mil pessoas no estádio e de uma audiência estimada em 120 milhões de telespectadores, a hesitação presidencial se transforma em pane. Assessores descrevem um Trump ruborizado, com a respiração curta e o olhar perdido. A equipe médica da Casa Branca é acionada e decide levá-lo às pressas ao gabinete de crise, no subsolo, onde o presidente permanece por cerca de 40 minutos.
Karoline Leavitt tenta imprimir normalidade à situação. Em pronunciamento oficial, patrocinado pela marca de fraldas Pampers, ela diz confiar na capacidade de reação do chefe. “É uma situação complexa, mas temos certeza que nosso supremo líder vai conceber uma saída fenomenal”, afirma. A menção ao patrocínio, incomum em declarações presidenciais, reforça a atmosfera de espetáculo que envolve tanto o Super Bowl quanto a política americana em 2026.
Choque cultural, imigração e a invenção do ‘Good Bunny’
A crise de Trump não nasce no vácuo. Porto Rico ocupa, há mais de 120 anos, um lugar ambíguo no mapa político dos Estados Unidos: território sob soberania americana, mas sem status pleno de estado. Cidadãos porto-riquenhos votam em primárias, servem nas Forças Armadas, pagam impostos federais, mas não elegem senadores e têm representação limitada no Congresso. Esse limbo jurídico alimenta, há décadas, disputas sobre pertencimento, identidade e direitos.
Bad Bunny se torna, nos últimos anos, um símbolo global dessa interseção. Porto-riquenho, latino, cantor em espanhol, ele ocupa o centro do palco em um dos rituais máximos do imaginário americano. Só em 2025, seus álbuns superam a marca de 15 bilhões de streams nas plataformas digitais, e sua presença no intervalo do Super Bowl é negociada por cifras que passam de US$ 20 milhões em patrocínios diretos.
No gabinete de crise, o impasse presidencial se condensa em uma pergunta que assessores resumem de forma brutal: sequestrar ou deportar o artista? A dúvida parece menos uma possibilidade real de ação e mais um sintoma da dificuldade da Casa Branca em encaixar a cultura latina em sua narrativa nacionalista. A opção por um ato de força, ainda que retórico, ecoa a política migratória do governo, marcada por promessas de deportação em massa, construção de novos trechos de muro e ampliação dos poderes do ICE, a agência de imigração e alfândega.
Trump escolhe responder no terreno que mais domina: o espetáculo. Em vez de um gesto concreto de política pública, anuncia, ainda na mesma noite, um plano para o próximo Super Bowl. O show do intervalo de 2027, afirma, será protagonizado por ele próprio, vestido de coelhinho do ICE, personagem batizado de Good Bunny.
Segundo a versão apresentada por Leavitt, Good Bunny encarna um superagente migratório em escala épica. No roteiro preliminar divulgado pela Casa Branca, o personagem aparece bombardeando barcos de pescadores latino-americanos, sequestrando navios petroleiros em rotas estratégicas e deportando pessoas sem julgamento para centros de tortura em El Salvador. Entre um ataque e outro, ele posta vídeos racistas, humilha presidentes europeus em lives improvisadas e ameaça, em rede global, dar início a uma Guerra Mundial.
A direção de arte dessa apresentação fica a cargo, anuncia o governo, de uma grife de alta costura inspirada na iconografia da Ku Klux Klan. O comunicado não traz detalhes sobre orçamento, mas interlocutores no Congresso estimam custos na casa das dezenas de milhões de dólares, somando cachês, cenografia e direitos de transmissão. A proposta provoca reação imediata de entidades de direitos civis, que veem apologia aberta a grupos extremistas e ao uso de violência de Estado como entretenimento.
Super Bowl, disputa simbólica e o que vem depois
O colapso de Trump e a criação acelerada de Good Bunny expõem a disputa em torno do maior palco da cultura pop americana. O intervalo do Super Bowl, historicamente vitrine de artistas consagrados, se transforma em ringue de narrativas políticas. Em 2020, a apresentação de Shakira e Jennifer Lopez já havia provocado debate sobre latinidade e fronteiras, com a imagem de crianças em gaiolas remetendo a centros de detenção de imigrantes. Seis anos depois, a reação da Casa Branca assume contornos oficiais.
Para estrategistas republicanos, o episódio abre uma frente arriscada. Parte da base de Trump aplaude o confronto direto com ícones culturais latinos e vê na performance prometida um gesto de reafirmação nacional. Outra ala, preocupada com o impacto econômico, lembra que imigrantes latino-americanos movimentam centenas de bilhões de dólares por ano em consumo, mão de obra e produção cultural. A NFL, que lucra com esse público, observa com atenção: em 2025, a liga registra crescimento de cerca de 18% em audiência entre hispânicos.
Democratas exploram o episódio como sintoma de um governo incapaz de lidar com a diversidade que já compõe quase 20% da população americana. Organizações de defesa de imigrantes planejam campanhas coordenadas para as próximas semanas, com foco em boicotes a anunciantes que apoiarem o show de Good Bunny caso ele avance. Especialistas em comunicação política, por sua vez, apontam que a linha entre sátira e ameaça se torna cada vez mais tênue quando o protagonista é o próprio presidente.
Bad Bunny mantém silêncio público até o fim da noite do dia 9, enquanto suas músicas seguem em alta nas plataformas após o Super Bowl. Produtores próximos ao artista afirmam, em reserva, que ele enxerga o episódio como mais um capítulo de uma longa disputa por quem tem direito de representar o que significa ser americano em 2026. Entre a síncope presidencial e o coelhinho do ICE, o país se vê diante de uma pergunta que não cabe em 30 segundos de comercial: quem controla o show quando a própria política decide virar entretenimento?
