Léo Linck desabafa após Vasco 2 x 0 Botafogo e cobra reação imediata
Titular na derrota por 2 a 0 para o Vasco, neste domingo (9), em São Januário, Léo Linck não suaviza o cenário no Botafogo. O goleiro admite frustração, elogia os jovens e cobra reação imediata em meio a uma sequência de três jogos sem vitória.
Derrota em clássico expõe limites e acelera cobranças
O placar em São Januário pesa mais do que um tropeço comum em Campeonato Carioca. O 2 a 0 do Vasco sobre um Botafogo recheado de garotos escancara a fase instável do clube e encurta o tempo de paciência com o elenco. Aos 23 anos, Léo Linck assume o microfone e verbaliza o que a arquibancada sente, sem filtro.
“É complicado. É um clássico, perdão a palavra, mas é uma merda perder”, dispara o goleiro, em entrevista à jornalista Julia Calabria logo após o apito final. A frase encontra eco em um Botafogo que deixa São Januário longe da bola que o levou a brigar por títulos recentes e mais perto de um alerta interno sobre desempenho e resultados.
O time entra em campo com mais da metade da formação vinda do sub-20. O cenário, comum em início de estadual, ganha contornos diferentes quando o rival é o Vasco e a tabela mostra três partidas sem vitória. Léo Linck sabe disso. Ele tenta equilibrar cobrança e proteção aos companheiros mais jovens.
“Mais da metade do nosso time era sub-20 e eles se portaram muito bem, fizeram tudo realmente como tinha que fazer, disputaram muito”, afirma. O elogio não mascara a frustração, mas dá contorno ao que o Botafogo tenta construir: uma base que aguenta clássico e pressão, mesmo em gramado hostil.
O goleiro aponta o campo de São Januário como adversário extra em uma noite em que o Botafogo pouco consegue fazer a bola rolar do jeito que gosta. “Jogo difícil, deu para ver principalmente por conta do gramado, não dava pra fazer o nosso jogo”, resume. Ele lembra que tanto o sub-20 quanto o profissional se acostumam a propor o jogo, com passes curtos, mudança rápida de lado, bola no chão. Nada disso funciona como planejado.
“A gente gosta de tocar a bola, trocar corredor, não tinha como. Então a gente precisou mudar totalmente o nosso estilo”, admite. O discurso expõe um Botafogo que se vê obrigado a abandonar a própria identidade por uma condição de campo ruim e por um adversário em noite mais eficiente. O Vasco aproveita, pressiona, encontra espaços e transforma o desconforto alvinegro em vantagem no placar.
Sequência sem vitórias liga sinal de alerta no clube
A derrota deste domingo não vem isolada. O próprio Léo lembra, em tom de cobrança, que o Botafogo chega a três jogos sem vencer na temporada. A sequência mina confiança, mexe com vestiário e acende alerta em um clube que se acostuma a falar em títulos e não em simples classificação.
“A gente já está, se não me engano, há três partidas sem vencer. Clube que quer ser campeão tem que voltar a vencer”, reforça o goleiro. A fala vai direto ao ponto que hoje mais inquieta a diretoria e o torcedor: desempenho irregular em jogos decisivos. Em mata-mata ou em pontos corridos, sequência ruim custa caro. No Carioca, compromete a disputa na parte de cima da tabela. No Brasileiro, arrasta problemas para um campeonato de 38 rodadas.
O uso massivo de garotos do sub-20 explica parte da oscilação, mas não resolve a equação. O clássico em São Januário vira vitrine e laboratório. De um lado, a coragem de expor jovens a um ambiente hostil e a um gramado ruim. Do outro, a constatação de que talento e disposição ainda não bastam para sustentar o Botafogo em nível alto durante 90 minutos contra rivais diretos.
Léo, um dos poucos com voz consolidada em campo, tenta proteger a geração que sobe agora. “Estou orgulhoso, principalmente dos meninos. Fizeram o que tinha que ter feito”, diz. A frase contrasta com o placar e ajuda a montar o quadro geral: o time perde, o projeto de renovação respira, mas a margem de erro diminui a cada rodada.
O torcedor vê um Botafogo competitivo em partes do jogo, mas incapaz de transformar esforço em pontos. Em clássico, a conta é dupla. Perde-se posição na tabela e se perde terreno na disputa simbólica da cidade. Cada revés em confronto direto com Vasco, Fluminense ou Flamengo pesa na confiança da arquibancada e, por consequência, na pressão sobre diretoria e comissão técnica.
O resultado também realimenta a discussão sobre priorizações na temporada. Quando a base entra em massa em um clássico, a mensagem pode soar contraditória. O clube quer título estadual, mas aceita correr risco maior em jogos grandes para dar rodagem aos garotos. A partir do momento em que a sequência negativa se alonga, a estratégia começa a ser cobrada com mais dureza.
Fluminense vira jogo-chave para reação e para discurso
A próxima quinta-feira já entra no calendário alvinegro com peso de decisão. O Botafogo encara o Fluminense pelo Campeonato Brasileiro sob a obrigação implícita de resposta rápida. Não se trata apenas de pontuar na tabela nacional, mas de reordenar a narrativa da temporada ainda em fevereiro.
“Quinta-feira já é um novo clássico, novo jogo e cabeça no lugar”, projeta Léo Linck, ainda à beira do gramado de São Januário. Ele emenda a receita sem floreio: “Vencer”. O verbo único condensa a urgência interna. A reapresentação está marcada já para segunda-feira, 10 de fevereiro, com treinos retomados e pouco espaço para luto esportivo.
A partida contra o Fluminense promete ser um termômetro da reação. Uma vitória quebra a sequência de três jogos sem ganhar, alivia a pressão instantaneamente e dá sobrevida ao discurso de que o planejamento, com espaço para a base, continua sob controle. Um novo tropeço, porém, empurra o clube para um cenário mais tenso, com cobrança crescente sobre elenco e diretoria.
O discurso sincero de Léo Linck, que viraliza em redes sociais após a entrevista, também muda o clima. A frase “é uma merda perder” atravessa os limites de São Januário e cai no gosto de uma torcida que cobra justamente isso: indignação pública com derrotas, principalmente em clássicos. A sinceridade, no entanto, traz junto responsabilidade. Quem fala alto passa a ser cobrado na mesma medida em campo.
O Botafogo chega à semana cercado por dúvidas e expectativas. A derrota para o Vasco mantém a equipe em alerta no Carioca e força ajuste rápido de rota. A base mostra personalidade, o goleiro assume o protagonismo no discurso, mas o campeonato não espera. A resposta que o clube promete entregar na quinta-feira dirá se a noite ruim em São Januário vira ponto de virada ou o início de uma crise mais profunda.
