Ciencia e Tecnologia

Google libera recuperação de conta com vídeo selfie a partir de 9 de fevereiro

O Google passa a liberar nesta segunda-feira (9.fev.2026) um novo modo de recuperar contas pessoais: um vídeo selfie com movimentos da cabeça. A ferramenta, que precisa ser ativada antes de qualquer problema, mira situações de furto ou perda do celular, quando códigos por SMS ou email deixam de ser opção. A companhia aposta na biometria e em testes de vivacidade para reduzir fraudes e simplificar o retorno ao acesso.

Nova rotina para quem perde o celular

O recurso entra em cena em um momento em que o celular concentra banco, e-mail, fotos e documentos. Quando ele some, o caminho para recuperar a conta do Google costuma ser tortuoso: pedidos de códigos por SMS ou ligação, checagem de e-mails alternativos, perguntas de segurança e até formulários longos de verificação de identidade. A partir de agora, quem já tiver configurado a vídeo selfie pode driblar esse trajeto e provar quem é olhando para a câmera.

O funcionamento lembra aplicativos bancários que pedem um vídeo curto do rosto do cliente, mas com uma diferença central. Em vez de comparar a imagem com bases externas, como documentos oficiais, o Google usa um vídeo cadastrado antecipadamente como referência. A empresa analisa se a pessoa está viva naquele momento, repara nos movimentos da cabeça e confere se o rosto bate com o padrão guardado nos servidores.

A configuração é feita dentro da área de segurança da conta. No navegador, o caminho indicado pelo Google é digitar o endereço myaccount.google.com/video-verification e fazer login. Se a novidade já estiver ativa para aquele usuário, o sistema abre um passo a passo para a gravação, com orientações sobre luz, enquadramento e movimento. Quem prefere o celular pode acessar a mesma função pelo app do Google, em Gerenciar sua conta do Google, na seção de segurança e login, na opção Vídeo de selfie.

O vídeo não é um registro casual. O sistema exige um ambiente bem iluminado, de preferência com fundo branco, para captar detalhes do rosto e reduzir sombras. A gravação inclui instruções para que o usuário mexa a cabeça para cima, para baixo ou para os lados, em poucos segundos. Esses pequenos gestos servem para o teste de vivacidade, um mecanismo que tenta impedir fraudes com fotos impressas, imagens em outra tela ou montagens digitais simples.

Em conversa com jornalistas, Alex Freire, diretor sênior de engenharia do Google, resume a aposta da empresa em uma frase: Acreditamos num futuro sem senhas. E a vídeo selfie é uma forma de recuperar sua conta com algo que está sempre com você, que é o seu rosto. A declaração traduz a estratégia da gigante de tecnologia, que vem investindo em chaves de acesso e autenticação em duas etapas para reduzir a dependência de senhas tradicionais desde 2021.

Segurança, limites e quem fica de fora

O ponto sensível de qualquer solução biométrica é a proteção dos dados. O Google afirma que os vídeos são armazenados com criptografia e usados apenas para o propósito declarado: validar a identidade de quem tenta recuperar uma conta pessoal. A companhia não informa prazo de retenção dos arquivos, mas reforça que o material não serve para alimentar sistemas de reconhecimento facial fora desse contexto nem para segmentação de anúncios.

A estratégia se apoia em um argumento prático. Em situações de furto, é comum que criminosos tenham acesso ao chip da vítima, às notificações de SMS e até ao e-mail temporariamente. Em 2024, levantamentos de seguradoras e bancos já apontavam crescimento de golpes que exploram justamente códigos de verificação enviados por mensagem. Ao tirar esses códigos da equação, ou ao menos oferecer uma rota alternativa baseada no rosto, o Google tenta reduzir a superfície de ataque de quadrilhas especializadas em roubo de contas.

Nem todo mundo, porém, pode adotar o novo caminho. A empresa restringe a vídeo selfie, neste primeiro momento, a contas pessoais comuns. Ficam de fora perfis supervisionados de crianças, contas corporativas do Google Workspace e integrantes do Programa de Proteção Avançada, que atende jornalistas, ativistas e figuras públicas sob maior risco de ataque. Para esses grupos, o Google mantém protocolos mais rígidos e tradicionais, com chaves físicas de segurança e checagens extras.

A exclusão de contas corporativas abre espaço para um debate dentro de empresas que dependem dos serviços do Google para e-mail e arquivos. Setores financeiros e jurídicos, em especial, lidam com dados sensíveis e podem ver na biometria um reforço bem-vindo. Ao mesmo tempo, gestores de segurança da informação tendem a cobrar garantias adicionais de privacidade e governança sobre qualquer base de vídeos faciais, o que explica a cautela inicial do Google ao focar apenas usuários finais.

Entre especialistas em segurança digital, o consenso é que a biometria aumenta a barreira para o criminoso comum, mas não zera o risco. Ataques mais sofisticados, com imagens sintéticas geradas por inteligência artificial, já desafiam sistemas de reconhecimento facial em vários setores. É nesse ponto que os testes de vivacidade e as exigências de qualidade do vídeo se tornam decisivos. Quanto mais sinais o sistema consegue capturar do rosto real em movimento, mais difícil fica enganar o processo com deepfakes básicos.

O que muda para o usuário e os próximos passos

Na prática, a novidade coloca o rosto do usuário no centro da estratégia de recuperação de conta do Google. Quem ativar o recurso agora ganha uma segunda porta de entrada em caso de emergência, ao lado de códigos de segurança, dispositivos confiáveis e e-mails alternativos. A recomendação de especialistas é simples: gravar a vídeo selfie em um ambiente controlado, revisar o resultado antes de confirmar e combinar a medida com senhas fortes e autenticação em duas etapas.

O lançamento desta segunda marca apenas o início da expansão. Como faz em outros produtos, o Google costuma liberar novos recursos em ondas, por regiões e perfis de conta. A tendência é que, ao longo dos próximos meses de 2026, mais usuários vejam a opção de vídeo selfie na página de segurança. Paralelamente, concorrentes e outros serviços digitais observam a movimentação. Plataformas que hoje se apoiam apenas em SMS ou e-mail para recuperação de senha podem sentir pressão para adotar métodos semelhantes de verificação em vídeo.

O avanço também reabre a discussão sobre até onde empresas de tecnologia devem ir na coleta de dados biométricos. O equilíbrio entre conveniência e privacidade volta ao centro do debate, desta vez com a recuperação de contas em jogo. Enquanto o Google promete criptografia e uso restrito das imagens, reguladores e defensores de direitos digitais acompanham de perto o que nasce hoje como um recurso opcional. A adesão dos usuários e a forma como a empresa lida com eventuais falhas ou abusos vão indicar se a selfie em vídeo vira padrão ou apenas mais uma camada entre tantas senhas esquecidas.

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