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Polícia investiga morte de jovem após aula em piscina de academia em SP

Uma mulher de 27 anos morre na noite de sábado (7/2), após uma aula de natação em uma academia da zona leste de São Paulo. O marido também passa mal e é internado, e o caso levanta suspeita de contaminação química na piscina.

Sintomas após a aula e corrida ao hospital

O casal chega à academia no início da noite para participar de uma atividade aquática em uma piscina coberta. Segundo o boletim de ocorrência, os dois concluem a aula e, pouco depois de deixar a água, começam a sentir mal-estar intenso.

Relatos feitos à Polícia Civil indicam náuseas, tontura, dificuldade para respirar e irritação nos olhos e nas vias aéreas. Outros frequentadores também descrevem um cheiro químico forte no ambiente, associado a queimação nos olhos e no nariz, além de episódios de vômito.

A mulher e o marido são socorridos em seguida e levados a um hospital em Santo André, na região do Grande ABC. Ela chega a receber atendimento emergencial, mas não resiste. O companheiro permanece internado e, até a noite deste domingo (8/2), seu estado de saúde não é detalhado pela polícia.

O caso é inicialmente registrado como morte suspeita no 6º Distrito Policial de Santo André. A investigação passa, em seguida, para o 42º Distrito Policial (Parque São Lucas), responsável pela área onde fica a academia, na zona leste da capital paulista.

Cheiro químico, fechamento da academia e ação policial

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informa que, além do casal, outras pessoas relatam sintomas semelhantes depois de usar a mesma piscina. Na manhã de domingo, um pai procura a delegacia para relatar que o filho de 14 anos também sente mal-estar após nadar no local. Até agora, a polícia contabiliza cinco vítimas, sendo uma morte.

Em entrevista à CNN, o delegado Alexandre Bento, titular do 42º DP, afirma que os responsáveis pela academia encerram as atividades e deixam o imóvel sem comunicar as autoridades. A decisão surpreende investigadores, que ainda aguardavam o acesso formal ao local para a coleta de provas e a análise da água.

“Eles fecharam as portas e saíram sem avisar a polícia”, diz o delegado. Para garantir o trabalho do Instituto de Criminalística e do Corpo de Bombeiros, os agentes precisam arrombar a academia. A medida é adotada para evitar que eventuais evidências se percam com o passar das horas, como resíduos químicos no ar ou na água da piscina.

Testemunhas ouvidas pelo canal de notícias e pela polícia relatam que, durante a aula, o cheiro de produto químico é muito mais intenso do que o habitual. Frequentadores descrevem ardência imediata nos olhos, coceira na pele e incômodo ao respirar. Alguns interrompem a atividade antes do término por causa do desconforto.

Os peritos recolhem amostras da água e do ar e levam equipamentos da casa de máquinas da piscina, como bombas, filtros e recipientes de armazenamento de produtos usados na limpeza. A Vigilância Sanitária municipal também acompanha a vistoria, para avaliar se a academia cumpre as normas de segurança para piscinas de uso coletivo.

Risco químico em piscinas e falhas de fiscalização

Piscinas de academias, clubes e condomínios recebem diariamente substâncias para desinfecção, como cloro e outros agentes químicos. Em concentrações corretas, esses produtos eliminam microrganismos e tornam a água segura. Em excesso ou aplicados de forma inadequada, podem causar irritação, intoxicação e, em situações extremas, levar à morte.

Especialistas em saúde pública explicam que erros comuns vão desde a dosagem incorreta até a mistura de substâncias incompatíveis, como determinados tipos de cloro com ácidos, que podem liberar gases tóxicos. O cheiro forte, acima do normal, costuma ser um sinal de alerta para o usuário, especialmente em ambientes fechados, com pouca ventilação.

No Brasil, normas técnicas e resoluções municipais e estaduais determinam parâmetros de qualidade da água, frequência de testes e procedimentos de segurança em piscinas abertas ao público. A fiscalização, porém, depende de vistorias regulares e de denúncias de frequentadores. Em muitas cidades, o número de agentes é insuficiente para monitorar todos os estabelecimentos.

O caso na zona leste de São Paulo expõe esse ponto cego. A morte da jovem e os relatos de ao menos outras quatro vítimas pressionam o poder público a apertar o cerco sobre academias e clubes que mantêm piscinas fechadas. A Vigilância Sanitária pode determinar interdição imediata do espaço aquático quando identifica risco à saúde dos usuários.

A suspeita de falha técnica ou negligência na manutenção da piscina também abre espaço para responsabilização criminal e cível dos proprietários. Dependendo do resultado dos laudos, a conduta pode ser enquadrada como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas ocorre desrespeito a regras de segurança básicas. Famílias das vítimas podem ainda buscar indenização na Justiça por dano moral e material.

Laudos periciais, pressão por respostas e próximos passos

Os investigadores do 42º DP aguardam laudos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal para definir o rumo da investigação. Exames toxicológicos vão indicar se a vítima inala ou ingere alguma substância específica e em que concentração. A análise da água deve revelar a presença de produtos acima dos limites recomendados ou de misturas indevidas.

Os resultados costumam levar alguns dias e, em casos mais complexos, até semanas. Enquanto isso, a polícia ouve funcionários, professores, alunos e os próprios responsáveis pelo estabelecimento. A linha de apuração inclui desde erro na dosagem de químicos até falha em equipamentos de ventilação da área da piscina.

A academia permanece fechada, e a tendência é que continue assim ao menos até a conclusão das perícias e da análise da Vigilância Sanitária. Se forem confirmadas irregularidades graves, o local pode ser interditado por prazo indeterminado e perder o alvará de funcionamento.

Moradores da região relatam preocupação com a falta de informações oficiais por parte dos donos da academia. Nas redes sociais, alunos cobram transparência e exigem a divulgação dos relatórios de manutenção da piscina, com datas, produtos utilizados e responsáveis técnicos.

O episódio deve repercutir também em outras cidades da Grande São Paulo, onde academias, clubes e condomínios mantêm piscinas aquecidas e cobertas, usadas por crianças, idosos e pessoas em reabilitação. A morte da jovem de 27 anos, ainda sem causa confirmada, funciona como alerta para gestores e para o poder público sobre os riscos de tratar procedimentos de segurança como mera formalidade administrativa.

À espera dos laudos e de uma eventual responsabilização, permanece a pergunta que inquieta familiares, frequentadores e vizinhos: o que exatamente havia naquela água para transformar uma aula de natação de sábado em tragédia?

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