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Lula abre até 9 pontos sobre Flávio Bolsonaro em pesquisa para 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida presidencial de 2026 com vantagem de oito a nove pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo pesquisa Real Time Big Data realizada em 6 e 7 de fevereiro e divulgada nesta segunda-feira, 9.

Liderança consolidada em cenário ainda incerto

O levantamento, encomendado para medir o humor do eleitorado no início do ano eleitoral, indica que Lula aparece à frente em todos os cenários testados contra Flávio Bolsonaro. A diferença, que varia entre oito e nove pontos percentuais, dá ao petista uma margem confortável dentro de um quadro político ainda marcado pela polarização e pelas marcas do bolsonarismo.

A pesquisa entrevista 2.000 eleitores em todo o país, entre a sexta-feira 6 e o sábado 7, com margem de erro de dois pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. O estudo é registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06428/2026, condição obrigatória para divulgação em ano de eleição nacional.

Os números reforçam a leitura de que o campo bolsonarista ainda não encontra um nome com a mesma densidade eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje inelegível. Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente, assume o papel de principal antagonista de Lula, mas parte em desvantagem no início da disputa.

Analistas ouvidos pelo mercado político avaliam que a dianteira de Lula decorre, em parte, da maior exposição do presidente, que ocupa a vitrine do Palácio do Planalto. A visibilidade diária em viagens, anúncios de programas sociais e negociações com o Congresso mantém o petista em evidência e ajuda a consolidar sua lembrança entre os eleitores.

PSD testa nomes enquanto Tarcísio foca reeleição

A pesquisa Real Time Big Data também volta o olhar para um grupo que tenta se colocar como alternativa à polarização entre lulismo e bolsonarismo. Entre os três presidenciáveis do PSD testados, o governador do Paraná, Ratinho Junior, aparece à frente de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

O desempenho de Ratinho Junior é visto dentro do PSD como sinal de que o partido ainda dispõe de espaço para construir um nome nacional fora dos extremos da disputa. O governador paranaense explora a imagem de gestor pragmático, com discurso de desenvolvimento regional e aproximação do agronegócio, setor que mantém forte influência sobre o cenário eleitoral.

Eduardo Leite, que já tentou se viabilizar em 2022 como contraponto liberal a Jair Bolsonaro, aparece atrás de Ratinho Junior, em um momento em que ainda enfrenta os efeitos políticos das crises fiscais gaúchas. Ronaldo Caiado, por sua vez, também testa seu fôlego nacional após anos de protagonismo em Goiás, mas encontra dificuldades para romper a barreira de conhecimento fora de seu reduto.

O estudo não inclui o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), frequentemente citado em conversas de bastidor como possível presidenciável. Tarcísio insiste em público na busca pela reeleição em 2026 e tenta conter a especulação sobre um salto ao Planalto. Ao optar por ficar fora dos cenários da pesquisa, reforça o discurso de que prioriza a consolidação de sua gestão em São Paulo.

Apesar disso, dirigentes do centrão e aliados do bolsonarismo seguem atentos ao desempenho do governador paulista. Em conversas reservadas, avaliam que, se o nome de Flávio Bolsonaro não ganhar tração até meados de 2025, a pressão por uma alternativa mais competitiva dentro do campo bolsonarista deve aumentar.

Campanhas antecipam estratégias para 2026

Os resultados divulgados nesta segunda-feira funcionam como bússola inicial para partidos e marqueteiros que já desenham a disputa de outubro. A vantagem de Lula permite ao Planalto calibrar a estratégia de governo, alternando entre medidas de impacto social e sinalizações ao mercado, enquanto testa a capacidade de manter sua base mobilizada em mais uma eleição nacional consecutiva.

No campo bolsonarista, a fotografia da pesquisa acende um alerta. Flávio Bolsonaro precisa se tornar conhecido por eleitores que ainda identificam o bolsonarismo quase exclusivamente com a figura do pai. A missão envolve colar sua imagem ao legado político do ex-presidente, ao mesmo tempo em que tenta se diferenciar de desgastes acumulados desde 2019.

Para o PSD, os números servem como ponto de partida para negociações internas. A tendência é que o partido prolongue a disputa entre Ratinho Junior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado ao longo de 2025, usando novas pesquisas como critério para afunilar a escolha. A definição de um nome competitivo pode colocá-lo como fiel da balança em um segundo turno, seja com Lula, seja com um candidato do campo bolsonarista.

No Congresso, líderes partidários já calculam como a correlação de forças em 2026 pode redesenhar bancadas e alianças regionais. Governadores e prefeitos que disputam reeleição ou apoiam sucessores avaliam se aproximar de Lula, de Flávio Bolsonaro ou de um eventual nome do PSD, de acordo com as oscilações nas sondagens.

A pesquisa Real Time Big Data é um retrato de momento, mas oferece pistas sobre a direção da campanha que se avizinha. A liderança de Lula, a busca de protagonismo de Flávio Bolsonaro e o esforço do PSD para se firmar como terceira via desenham um tabuleiro em movimento. As próximas rodadas de pesquisas dirão se a vantagem do presidente se converte em tendência estável ou se a eleição de 2026 ainda guarda uma reviravolta em curso.

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