Seahawks dominam Patriots e conquistam Super Bowl 60 por 29 a 13
O Seattle Seahawks conquista neste domingo (9) o Super Bowl 60 ao vencer o New England Patriots por 29 a 13, no Levi’s Stadium, em São Francisco. A defesa impõe ritmo sufocante, Kenneth Walker III desequilibra no ataque e deixa o campo eleito MVP da decisão.
Defesa sufoca New England e reescreve 2015
O troféu volta a Seattle 11 anos depois da derrota traumática para o mesmo rival, no Super Bowl 49, em 2015. A revanche vem em tom de controle absoluto, com um plano de jogo que desmonta o ataque dos Patriots desde o primeiro snap e pouco a pouco transforma o placar em consequência lógica do domínio em campo.
New England passa o primeiro tempo engessado. Em dois quartos, soma pouco mais de 60 jardas totais e mal atravessa o meio do campo. A linha defensiva dos Seahawks vence os bloqueios com frequência, pressiona o quarterback, fecha as rotas curtas e força decisões apressadas. A cada campanha do time de Massachusetts, o relógio anda, o campo não e o punt volta a ser a saída mais segura.
Do outro lado, o ataque de Seattle não explode em grandes jogadas logo de início, mas é eficiente o bastante para castigar o adversário. A primeira campanha termina em field goal e define o tom do primeiro quarto: posse de bola controlada, corredores abertos para Kenneth Walker III e nenhum risco desnecessário. O 3 a 0 parcial parece modesto, mas traduz uma diferença clara de desempenho.
No segundo período, Walker começa a justificar o status de protagonista. Em uma corrida de mais de 30 jardas, ele invade o campo de ataque, desequilibra a defesa dos Patriots e arrasta marcadores. A campanha termina em novo field goal e amplia a vantagem para 6 a 0. Antes do intervalo, Seattle chega à linha de uma jarda, vê um passe desviado e decide pelo chute curto, que fecha o primeiro tempo em 9 a 0, placar que não espelha o abismo técnico entre as equipes.
Turnovers viram pontos e consolidam título
O roteiro não muda na volta do intervalo. Seattle abre o terceiro quarto com outro field goal e leva o placar a 12 a 0, mantendo a defesa em posição confortável. O período se transforma em duelo de trincheiras, com as duas defesas ganhando terreno. Os Patriots, porém, seguem presos ao mesmo problema: não conseguem produzir jardas consistentes e se expõem a erros quando tentam acelerar.
Nos segundos finais do terceiro quarto, os Seahawks encontram a brecha que aguardam. A defesa força um fumble no campo de ataque e recupera a bola já em posição favorável. A jogada muda a dinâmica emocional do estádio e abre caminho para o golpe seguinte. No início do último quarto, Sam Darnold encontra A.J. Barnes em lançamento de 26 jardas para a end zone. O touchdown, seguido do ponto extra, leva o placar a 19 a 0 e aproxima Seattle do troféu.
O primeiro suspiro dos Patriots surge restando cerca de 12 minutos para o fim. O ataque finalmente cruza o meio do campo e, em passe de 43 jardas, Holins escapa da marcação e marca o primeiro touchdown da equipe na noite. O extra point entra e reduz a diferença para 19 a 7, devolvendo alguma esperança à torcida de New England.
Qualquer possibilidade de reação, porém, dura pouco. Faltando pouco mais de quatro minutos, a defesa de Seattle aparece de novo. Em novo fumble forçado, Uchenna Nwosu recupera a bola e corre 45 jardas até a end zone, num retorno que praticamente sela a partida e leva o placar a 29 pontos. Os Patriots ainda anotam mais um touchdown no fim e fecham o marcador em 29 a 13, mas já não ameaçam o controle da franquia da costa oeste.
Walker vira estrela, Seahawks consolidam era vencedora
Kenneth Walker III deixa o gramado consagrado. As corridas que quebram tackles, as jardas conquistadas após o primeiro contato e a capacidade de manter o ataque em campo o colocam no centro da conquista. O prêmio de MVP do Super Bowl 60 coroa não só o desempenho na decisão, mas a ascensão como uma das principais referências ofensivas da NFL em 2026.
A vitória confirma o Seattle Seahawks como protagonista da liga na década. O título, o segundo da história da franquia, pesa ainda mais por vir contra o velho algoz. O 28 a 24 de 2015, com a interceptação na linha de uma jarda, vira memória distante diante do controle exibido agora no Levi’s Stadium. A nova geração de torcedores de Seattle passa a associar Patriots não a um trauma, mas ao jogo da retomada.
O impacto também atinge New England. A derrota expõe limitações ofensivas e pressiona a comissão técnica a revisar conceitos, chamadas e até peças do elenco. Um time que por anos simbolizou eficiência em playoffs termina a noite refém de uma defesa rival que dita o ritmo e transforma erros em pontos, com interceptações e fumbles decisivos em momentos-chave.
Fora do campo, o Super Bowl 60 reforça a dimensão cultural do evento. Bad Bunny assume o intervalo, é ovacionado e entrega um show que exalta a América Latina em rede mundial. Ao lado de Lady Gaga, canta “Die With a Smile” em ritmo mais latino, chama ao palco nomes como Pedro Pascal e Ricky Martin e encerra a apresentação citando, um a um, os países das Américas. Atrás dele, bandeiras ocupam o palco enquanto o telão exibe a frase “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”. A mensagem ecoa em uma NFL que busca se internacionalizar e fala com um público cada vez mais diverso.
Calendário, mercado e próximos capítulos da rivalidade
O troféu muda a prateleira de Seattle na discussão sobre as grandes franquias da era recente. Com dois títulos em pouco mais de uma década e participações constantes em playoffs, o time consolida uma identidade apoiada em defesas fortes e ataques físicos, capazes de controlar relógio e território em jogos decisivos. A conquista influencia o mercado de free agency, valoriza jogadores do elenco e fortalece o argumento de que investir pesado em defesa ainda é um caminho viável em uma liga dominada por quarterbacks.
Os Patriots saem do Levi’s Stadium com mais perguntas do que respostas. A necessidade de reforçar a linha ofensiva, diversificar o playbook e encontrar peças que consigam produzir contra defesas agressivas entra imediatamente na pauta da intertemporada. O desempenho desta noite dificilmente passa incólume por reuniões de diretoria e debates em Boston, que voltam a se perguntar qual será o desenho do próximo ciclo competitivo.
No calendário global, o Super Bowl 60 reforça a posição da NFL como um dos principais eventos esportivos do planeta, com reflexos diretos na audiência, na venda de direitos de transmissão e na conversa esportiva também no Brasil. A combinação de um jogo decidido pela defesa com um show de intervalo de forte marca latino-americana alimenta discussões sobre como o futebol americano se reinventa sem abandonar suas raízes.
O futuro imediato de Seahawks e Patriots passa por manter ou recuperar protagonismo em uma liga em renovação constante. Seattle entra na próxima temporada com o peso e a confiança de um campeão recente. New England precisa provar que ainda pode desafiar a nova ordem. A rivalidade, reaberta em mais um Super Bowl, deixa uma pergunta em aberto: quanto tempo vai levar até que os dois voltem a se encontrar em fevereiro?
