São Paulo dá prioridade ao Flamengo por Marcos Antônio em acordo verbal
São Paulo e Flamengo fecham, neste fim de semana, um acordo de prioridade pela futura compra do meio-campista Marcos Antônio, 26, sem contrato formal. O entendimento é verbal, vale para as próximas janelas e impede a saída imediata do jogador do Morumbi.
Prioridade sem papel passado
O acerto nasce nos bastidores depois de uma sequência de investidas rubro-negras. A diretoria do Flamengo chega a sinalizar com uma oferta de 10 milhões de euros, algo em torno de R$ 62 milhões, para levar o meio-campista. O São Paulo responde com uma pedida bem mais alta, próxima de 25 milhões de euros, mais de R$ 155 milhões, e deixa claro que não pretende fazer liquidação do principal ativo do elenco.
As conversas avançam nos últimos dias até chegarem ao chamado “acordo de cavalheiros”. Sem cláusulas assinadas, as partes combinam que o Flamengo terá o direito de cobrir qualquer proposta futura por Marcos Antônio nas próximas janelas de transferência. Em troca, o clube da Gávea encerra as tentativas de contratar o jogador nesta janela e aceita esperar um novo momento de mercado.
A diretoria tricolor reforça internamente que a palavra de ordem é paciência. O clube entende que o meio-campista, destaque na vitória sobre o Primavera neste sábado, ainda pode se valorizar mais ao longo da temporada. Por isso, a liberação segue condicionada a uma proposta “irrecusável”, expressão repetida por dirigentes em conversas reservadas. Não há previsão de reduzir a pedida, mesmo com o privilégio concedido ao Flamengo.
Nos bastidores do Morumbi, o acerto é visto com cautela. Dirigentes ouvidos pela reportagem avaliam que o acordo “não tem tanta força”, justamente por não estar ancorado em um contrato formal, com multas e punições em caso de descumprimento. O que vale, neste momento, é a palavra das partes e o interesse político de evitar um confronto público entre dois dos maiores clubes do país.
Mercado em alta e limites claros
O caso de Marcos Antônio escancara o tamanho da aposta do São Paulo no jogador. A multa rescisória está fixada em R$ 600 milhões para o mercado interno e em 100 milhões de euros, cerca de R$ 622 milhões, para o exterior. Os números praticamente blindam o atleta de uma saída unilateral, sem negociação direta entre os clubes. Mesmo as ofertas consideradas altas para o padrão brasileiro ficam muito abaixo desses valores.
O acordo verbal com o Flamengo não altera essas bases jurídicas. O São Paulo continua amparado pelas multas e não assume obrigação de vender em determinada faixa de preço. O compromisso é outro: se chegar uma proposta formal de qualquer clube, o Rubro-Negro terá a chance de igualar os termos e levar o meio-campista. A prioridade funciona, na prática, como uma espécie de “primeira opção de compra”, costumeiro no futebol, mas aqui sustentado apenas pela confiança entre as diretorias.
Para o Flamengo, a decisão é pragmática. Ao aceitar suspender as investidas atuais, o clube evita um desgaste público com o São Paulo e com o próprio jogador, que segue concentrado na temporada tricolor. A prioridade garante uma porta aberta em futuras negociações, sem a necessidade de elevar a proposta agora para patamares considerados exagerados pelo departamento de futebol.
O São Paulo ganha fôlego esportivo e financeiro. Mantém um titular importante ao menos até o fim da janela atual e reforça o discurso de que só vende quando a oferta muda o patamar do clube. “Não vamos abrir mão por qualquer valor”, diz um dirigente, sob condição de anonimato. A mensagem mira o mercado interno e externo e tenta afastar a ideia de que o Tricolor ainda precisa negociar seus principais nomes para fechar as contas.
Próximas janelas em foco
A curto prazo, a vida de Marcos Antônio pouco muda. Ele permanece no São Paulo, segue como peça central no esquema da comissão técnica e ganha tempo para consolidar o bom início de temporada. A expectativa interna é de que boas atuações em jogos decisivos valorizem ainda mais o passe do meio-campista, hoje um dos ativos mais cobiçados do elenco.
O Flamengo volta sua atenção para outras posições e adia o sonho de contar com o jogador ainda em 2026. O clube, no entanto, entra nas próximas janelas com vantagem estratégica: se um rival aparecer com proposta concreta, terá o direito de se igualar e tentar levar o atleta. A disputa, nesse cenário, passa a ser financeira e não mais de acesso direto ao São Paulo.
O acordo de cavalheiros também funciona como termômetro para o relacionamento entre os dois clubes. Se for respeitado, pode abrir caminho para novas composições em futuras negociações e até servir de referência para outros times que buscam reduzir o atrito em disputas por reforços. Se fracassar, reforçará a velha máxima de que, no futebol, palavra vale menos do que assinatura em papel timbrado.
As próximas janelas de transferência vão mostrar se a aposta na confiança resiste à pressão de propostas milionárias e à urgência por resultados. Entre multas na casa dos 100 milhões de euros e ofertas ainda distantes desse teto, São Paulo, Flamengo e Marcos Antônio entram em uma temporada em que cada atuação em campo pode redefinir o valor do acordo que, por enquanto, existe apenas na conversa entre dirigentes.
