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Trump impõe prazo até junho de 2026 para fim da guerra na Ucrânia

Donald Trump estabelece, segundo o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, um prazo até junho de 2026 para que Rússia e Ucrânia encerrem a guerra. A data funciona como novo marco político para um conflito que já dura mais de dois anos e redefine a pressão internacional sobre Kiev e Moscou.

Prazo político em meio ao impasse no front

Zelensky relata que o ex-presidente dos Estados Unidos vincula o horizonte de dois anos às negociações para um acordo que encerre os combates. A guerra começa em fevereiro de 2022, com a invasão russa em larga escala, e se arrasta desde então em sucessivas ofensivas, recuos táticos e destruição de infraestrutura civil.

A fixação de junho de 2026 surge enquanto canais diplomáticos esbarram em uma exigência central de Moscou: a cessão formal de territórios ocupados no leste e no sul da Ucrânia. O governo ucraniano rejeita abrir mão de áreas como Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, anexadas unilateralmente pela Rússia em 2022 após referendos considerados ilegais pela maior parte da comunidade internacional.

O prazo atribuído a Trump não vem acompanhado, até agora, de um plano detalhado ou de garantias concretas de cumprimento. Ainda assim, cria um relógio político visível para capitais que acompanham a guerra há mais de 700 dias. Em Kiev, assessores de Zelensky veem na fala uma oportunidade de manter o tema no centro da agenda dos Estados Unidos, mesmo com a polarização interna e o calendário eleitoral americano.

Negociações travadas e custo crescente da guerra

A disputa territorial se torna o principal obstáculo para qualquer cessar-fogo duradouro. Moscou exige o reconhecimento das anexações como preço básico para reduzir ataques e negociar uma retirada parcial. Kiev responde que aceitar essa condição equivaleria a legitimar a invasão e abrir precedente para novas ofensivas no futuro.

Desde 2022, estimativas independentes apontam centenas de milhares de mortos e feridos em ambos os lados, além de mais de 6 milhões de ucranianos refugiados fora do país. O Produto Interno Bruto da Ucrânia encolhe em torno de 30% no primeiro ano de guerra, segundo dados do Banco Mundial, e a reconstrução de cidades como Mariupol e Bakhmut pode custar centenas de bilhões de dólares nas próximas décadas.

A Rússia enfrenta sanções financeiras, tecnológicas e energéticas impostas por Estados Unidos, União Europeia e aliados. A economia russa se adapta, mas paga preço alto em acesso a tecnologia avançada, crédito externo e investimentos. O conflito também remodela o mapa energético, com a Europa reduzindo sua dependência do gás russo em poucos meses, num processo que antes parecia levar anos.

Trump insiste, desde o início da invasão, que poderia resolver a guerra em pouco tempo se voltasse ao poder em Washington. A fala de Zelensky, ao detalhar um horizonte até meados de 2026, reforça a ideia de que o republicano tenta se projetar como figura capaz de destravar o impasse, mesmo sem cargo oficial. “Existe um relógio político e ele sabe disso”, comenta um diplomata europeu, sob reserva, ao avaliar o impacto da declaração.

Pressão sobre Kiev, Moscou e aliados ocidentais

O prazo até junho de 2026 adiciona uma camada de pressão não apenas sobre Rússia e Ucrânia, mas também sobre os países que financiam e armam Kiev. Estados Unidos e União Europeia já mobilizam dezenas de bilhões de dólares em ajuda militar e econômica, em pacotes aprovados por margens cada vez mais apertadas em Parlamentos sob desgaste político.

Em Washington, o debate sobre o tamanho e a duração do apoio à Ucrânia divide o Congresso e alimenta campanhas presidenciais. Em Bruxelas, governos lidam com inflação, crise energética e eleitorados cansados das consequências indiretas da guerra. O horizonte de dois anos, sugerido por Trump, pode funcionar como argumento tanto para os defensores de mais pressão agora quanto para os que pedem redução gradual do envolvimento.

Para a Rússia, o novo marco temporal chega num momento em que o Kremlin tenta mostrar resiliência. O governo de Vladimir Putin aposta no desgaste político do Ocidente, confia na fadiga dos contribuintes europeus e americanos e explora brechas nas sanções com apoio de parceiros como China e Irã. Qualquer sinal de prazo pode ser lido em Moscou como chance de prolongar a guerra até que o cenário internacional lhe seja mais favorável.

Na Ucrânia, a mensagem produz efeito ambíguo. De um lado, reforça a ideia de que a janela para recuperar território militarmente não é infinita. De outro, expõe a vulnerabilidade de um país cujo destino depende, em grande parte, de decisões tomadas em Washington, Moscou e Bruxelas. “A paz não pode significar perder nossa terra”, repete Zelensky em discursos recentes, ao rejeitar concessões extensas a Moscou como pré-condição para qualquer acordo.

Diplomacia paralela e incerteza até 2026

A entrada de Trump nesse tabuleiro, ainda como ex-presidente, reacende a discussão sobre o papel de ex-líderes americanos em crises globais. Nos últimos meses, emissários informais, empresários e ex-integrantes de governos ocidentais circulam entre Kiev, Moscou e capitais intermediárias em busca de fórmulas que combinem cessar-fogo, garantias de segurança e algum arranjo territorial.

Analistas avaliam que a fixação de uma data até meados de 2026 não garante avanço, mas muda o tom da conversa. Negociadores passam a trabalhar com um horizonte conhecido, enquanto exércitos medem quanto terreno podem ganhar ou perder até lá. O risco é que o relógio político se traduza em escalada militar, com ofensivas mais agressivas nos próximos 24 meses para melhorar a posição de cada lado à mesa de negociação.

O que acontece se junho de 2026 chegar sem acordo permanece em aberto. A guerra pode se congelar em linhas de frente estáveis, transformar-se em conflito de baixa intensidade ou reacender em ondas de ataques mais violentos. A declaração atribuída a Trump não encerra a incerteza sobre o futuro da Ucrânia, mas deixa claro que o mundo volta a contar o tempo da guerra, desta vez com uma data marcada no calendário.

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