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Com gol de Flaco López, Palmeiras vence Corinthians na Neo Química

O Palmeiras vence o Corinthians por 1 a 0 neste domingo (8), na Neo Química Arena, e se mantém na vice-liderança do Campeonato Paulista de 2026. O gol de Flaco López decide um Derby tenso e reforça o domínio alviverde nos clássicos estaduais.

Vitória que pesa na tabela e na história

O triunfo em Itaquera vale mais do que três pontos. Com 15 somados em sete rodadas, o time de Abel Ferreira segue na cola do Novorizontino, líder com 16, e mantém aberta a disputa pela ponta da fase classificatória. Ao mesmo tempo, amplia uma trajetória de superioridade em decisões contra o maior rival.

O gol nasce em jogada que traduz o momento do argentino. Artilheiro do clube em 2025, com 25 bolas na rede, Flaco López aparece no lugar certo, na hora certa, para concluir com frieza e silenciar grande parte dos mais de 40 mil corintianos presentes. A festa é da torcida palmeirense, que vê o atacante chegar a quatro gols e três assistências em apenas oito partidas em 2026.

No banco, Abel Ferreira observa um roteiro que já se torna familiar. Desde 2022, o Palmeiras perde só sete vezes em 71 jogos de Paulistão, com 47 vitórias e 17 empates. Em três temporadas e meia, são 111 gols marcados e apenas 42 sofridos. No apito final, o técnico português se isola na quinta posição entre os treinadores com mais vitórias do clube no estadual, agora com 52 triunfos.

Domínio em clássicos e marcos individuais

A vitória em Itaquera vem com taça. O Derby deste domingo vale o Troféu Derby, instituído pela Federação Paulista de Futebol para os clássicos da fase de grupos. Com o resultado, o Palmeiras se torna o primeiro clube a erguer todos os três troféus possíveis desde 2024: o Clássico da Saudade contra o Santos, o Choque-Rei diante do São Paulo e, agora, o Derby contra o Corinthians.

O feito ressalta uma curva histórica. Em 36 jogos entre Palmeiras e Corinthians valendo taça, desde torneios amistosos até finais, o clube alviverde soma 23 conquistas, contra 10 do rival. Três duelos terminam empatados, dois deles nas edições de 2024 e 2025 da Taça Derby. O recorte confirma o que a estatística geral já sugere: o Palmeiras é o time que mais vence clássicos paulistas desde o início dos confrontos registrais, com 419 vitórias, contra 410 do Corinthians, 380 do São Paulo e 336 do Santos.

A própria distribuição dos rivais ajuda a contar essa história. O Santos é a principal vítima, com 155 derrotas em 356 partidas. O Corinthians vem logo atrás, com 140 reveses em 397 jogos. O São Paulo aparece em seguida, com 123 derrotas em 363 confrontos. No saldo final, o Palmeiras acumula 1117 clássicos, 419 vitórias, 334 empates e 364 derrotas, com 1619 gols marcados e 1451 sofridos.

O Derby desta rodada também projeta protagonistas individuais. No gol, Carlos Miguel soma a 11ª partida sem ser vazado em 19 jogos pelo clube, um índice de 57,8% de “balizas zeradas”. Entre os 18 goleiros que atuam pelo Palmeiras neste século, nenhum tem desempenho tão alto. “Defender aqui é saber que qualquer erro pesa muito. Mas também é saber que, se você segura lá atrás, o time resolve na frente”, afirma o camisa 1 ao deixar o gramado.

Os números sustentam a frase. A média de gols sofridos por Carlos Miguel é de 0,73 por jogo, com 14 gols em 19 partidas, igualando o melhor índice do século, ao lado de Weverton. Logo atrás aparecem Jailson, com 0,87 gol por jogo, Marcelo Lomba, com 0,96, e Fernando Prass, com 1,03. A sequência reforça a ideia de um elenco acostumado a disputar e decidir jogos grandes.

Paulistão em aberto e pressão sobre os rivais

No Campeonato Paulista, a regularidade recente ajuda a explicar a confiança palmeirense. Desde abril de 2021, o time perde apenas três vezes em 58 partidas de fase de grupos, com 39 vitórias e 16 empates. Os tropeços se limitam às derrotas para o Novorizontino, em 2025 e 2026, e para o Botafogo-SP, também em 2026. O atual vice-líder joga sabendo que, em mata-mata, qualquer vantagem acumulada agora pode ser decisiva mais adiante.

Enquanto o Palmeiras consolida o cenário, o Corinthians convive com a pressão. A derrota em casa, diante do maior rival, acentua cobranças sobre elenco e comissão técnica e reacende dúvidas sobre a capacidade de reação no próprio estadual. A lembrança recente da final de 2025, quando o Corinthians supera o Palmeiras no jogo de ida, mas vê o título escapar, volta ao debate entre torcedores e dirigentes.

Entre os palmeirenses, a leitura é oposta. A sequência de taças em clássicos estaduais, iniciada com o Clássico da Saudade contra o Santos em 2024, fortalece a narrativa de hegemonia regional. Santos, São Paulo e Corinthians também levantam troféus nesse período, como o San-São, o Majestoso e o Clássico Alvinegro, mas nenhum rival consegue reunir todos os títulos como o Palmeiras faz agora.

Disputa pela liderança e próximos capítulos

A tabela projeta um Paulistão mais apertado nas semanas seguintes. Com 15 pontos, o Palmeiras depende de ao menos um tropeço do Novorizontino para assumir a liderança, mas entra na reta final da fase de grupos em situação confortável para avançar com mando de campo nas quartas de final. No vestiário, o discurso é de foco jogo a jogo, mas a ambição é clara: brigar pelo quarto título estadual consecutivo.

Flaco López, agora protagonista de mais um clássico, sabe que cada gol em jogo grande muda a própria prateleira. “Atacante vive de decisão. Quando a bola entra num jogo como esse, tudo ganha outra dimensão”, diz o argentino, cercado por câmeras na zona mista. A frase ecoa o sentimento do torcedor alviverde, que deixa Itaquera com a sensação de que o time mantém a mão firme no volante do futebol paulista.

Os próximos jogos dirão se a vantagem estatística se transforma em outra taça no fim de 2026. A disputa direta com o Novorizontino pela melhor campanha, a pressão crescente sobre os rivais da capital e a consistência defensiva colocam o Palmeiras em posição privilegiada. A pergunta que fica, no entanto, é se alguém no estado consegue, de fato, tirar o clube desse eixo de domínio que agora passa também por uma vitória emblemática na Neo Química Arena.

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