Reparo na ETA Guandu permite retomada gradual de água no Rio
A Cedae conclui neste domingo (8) o reparo na Estação de Tratamento de Água Guandu, após três dias de trabalho contínuo. A produção é retomada e o abastecimento começa a voltar, de forma gradual, para mais de 30 bairros do Rio de Janeiro afetados pelo vazamento.
Crise no principal sistema de abastecimento do Rio
O fim do conserto na ETA Guandu marca o início do alívio para moradores que passaram dias com torneiras secas. A estação é a principal fonte de água tratada da região metropolitana do Rio e, sozinha, responde por boa parte do fornecimento para a capital e municípios vizinhos. O vazamento, que força a parada parcial do sistema, desmonta a rotina de milhares de famílias e expõe a fragilidade de uma infraestrutura que opera no limite.
Três dias atrás, o defeito em uma estrutura da estação obriga a Cedae a reduzir drasticamente a produção. Bairros de diferentes zonas da cidade entram, em poucas horas, em regime de racionamento ou ficam totalmente sem água. A companhia monta uma força-tarefa, desloca equipes técnicas em regime de plantão e concentra esforços na área atingida da ETA Guandu. O objetivo é único: restabelecer o fornecimento com rapidez suficiente para conter o avanço da crise.
Três dias de trabalho para conter o vazamento
As equipes iniciam o reparo ainda na quinta-feira (5), logo após a confirmação do vazamento que compromete a operação da estação. Técnicos especializados trabalham dia e noite, em turnos que se revezam, para acessar a área danificada, conter o fluxo de água e substituir partes comprometidas da estrutura. A intervenção envolve ações simultâneas em tubulações de grande porte e em sistemas de controle que garantem a qualidade da água tratada.
Ao longo dos três dias, a Cedae mantém a produção reduzida para preservar a segurança do sistema, o que aprofunda a falta de água em mais de 30 bairros do Rio. Moradores recorrem a caixas d’água, estocam baldes e alteram horários de banho e limpeza. Comércios de alimentação e serviços, especialmente pequenos restaurantes, salões de beleza e lavanderias, relatam queda no movimento e custos extras com caminhões-pipa. A cena se repete em diferentes pontos da cidade, da Zona Norte à Zona Oeste.
No domingo pela manhã, a companhia conclui a etapa principal do conserto e inicia os testes de pressão e vazão nas tubulações ligadas à ETA Guandu. A produção volta a subir gradualmente ao longo do dia, em um ajuste fino que busca equilibrar velocidade de retomada e segurança operacional. Técnicos monitoram em tempo real os indicadores de qualidade da água, para evitar qualquer risco de contaminação ou rompimento de novas estruturas.
Impacto direto no dia a dia dos moradores
A interrupção atinge desde o banho diário até o funcionamento de escolas, unidades de saúde e pequenos negócios. Em muitos bairros, moradores relatam que o abastecimento some por períodos longos, às vezes por mais de 24 horas seguidas. Em regiões mais altas, onde a pressão é naturalmente menor, o impacto é ainda maior. A recomendação agora é que, com a volta da água, a população faça uso racional, evitando desperdícios enquanto o sistema se equilibra.
Com mais de 30 bairros afetados, a crise reforça a dependência do Rio em relação à ETA Guandu. A estação, inaugurada na década de 1950 e ampliada ao longo das décadas seguintes, se torna um símbolo da capacidade de abastecimento em larga escala, mas também da concentração de risco. Quando há falha ali, praticamente não existe alternativa em volume equivalente. Especialistas em saneamento defendem, há anos, investimentos em diversificação de fontes e em manutenção preventiva mais rigorosa.
A Cedae admite que episódios como o deste fim de semana evidenciam a necessidade de reforço constante na infraestrutura. A companhia destaca o esforço das equipes que atuam “de forma dedicada” durante os três dias de reparo e enfatiza, em nota, o compromisso com o “monitoramento contínuo” do sistema. O discurso coincide com a pressão de moradores e entidades por mais transparência sobre o estado real das estruturas que sustentam o abastecimento da metrópole.
Normalização leva alguns dias e reacende alerta
Com o conserto concluído, a água não volta ao mesmo tempo para todos. O caminho entre a estação e as torneiras passa por grandes adutoras, reservatórios intermediários e redes de distribuição de bairro. Esse trajeto leva horas e, em alguns pontos mais distantes ou altos, pode demorar até dois ou três dias para se estabilizar. A Cedae informa que a normalização total depende do equilíbrio entre produção e consumo ao longo da semana.
A recomendação técnica é que a população acompanhe os comunicados oficiais e, quando a água chegar, verifique cor, cheiro e aspecto antes do consumo direto. Em situações de retorno após longas interrupções, é comum que as primeiras horas tragam água mais turva, por causa do arraste de sedimentos nas tubulações internas dos prédios. Especialistas orientam descartar essa primeira leva, sempre que possível, e priorizar o uso para limpeza, não para beber.
O episódio deste fim de semana se soma a outras crises recentes de abastecimento no Rio e reforça um debate antigo sobre a manutenção de grandes sistemas de saneamento. Falhas em adutoras, vazamentos em estruturas estratégicas e episódios de água com gosto e cheiro alterados alimentam a desconfiança de parte da população. Enquanto a ETA Guandu volta a operar em ritmo crescente, permanece a pergunta sobre quando o Rio terá uma rede de abastecimento menos vulnerável a incidentes que, em poucos dias, viram a cidade de cabeça para baixo.
