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Polícia investiga morte após uso de piscina em academia de SP

A Polícia Civil abre investigação para apurar a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, 27, após aula de natação em academia na zona leste de São Paulo, em 8 de fevereiro de 2026. O marido dela e um adolescente que também usaram a mesma piscina seguem internados em estado grave.

Tragédia após aula comum de natação

Juliana chega à academia no início da noite de domingo para mais uma aula de natação, rotina que incorpora ao dia a dia há meses. Ao lado do marido, entra na piscina climatizada, em uma turma com poucos alunos, entre eles um adolescente que também participa da atividade. O que começa como exercício regular termina, horas depois, em emergência médica.

Após deixar a piscina, Juliana passa mal, sente forte mal-estar e apresenta sintomas súbitos que evoluem de forma rápida, segundo relatos de frequentadores à polícia. O marido também começa a ter sinais semelhantes. O adolescente, que não tem parentesco com o casal, é levado a outro serviço de saúde com o mesmo quadro grave. A sequência das ocorrências, todas ligadas à mesma piscina, leva a direção da academia a acionar o Samu e comunicar as autoridades.

Juliana é encaminhada a um hospital da região, mas não resiste. Morre poucas horas depois do atendimento inicial. O marido permanece internado em unidade de terapia intensiva, entubado, e o adolescente também segue sob observação em estado grave, segundo fontes médicas ouvidas pela reportagem. As unidades de saúde não divulgam boletins detalhados por causa do sigilo médico, mas confirmam a proximidade de horário entre as internações.

Investigadores trabalham com a hipótese de que a água da piscina esteja contaminada ou tenha recebido dosagem inadequada de produtos químicos utilizados na limpeza, como cloro e outros desinfetantes. A linha de apuração considera ainda a possibilidade de contato com alguma substância tóxica liberada no ambiente ou no sistema de filtragem. A causa exata da morte e do adoecimento dos demais só deve ser conhecida após laudos periciais.

Alerta sobre manutenção e fiscalização de piscinas

A morte da professora provoca choque entre alunos e moradores da região. A academia, localizada em um bairro residencial da zona leste, atende dezenas de pessoas por dia e mantém turmas de natação infantil e adulta ao longo da semana. Após o registro do caso, as atividades na piscina são suspensas por tempo indeterminado. A decisão tenta conter o temor entre os frequentadores, que lotam grupos de mensagens em busca de informações.

Especialistas em saúde pública ouvidos pela reportagem reforçam que a manutenção de piscinas exige controle rigoroso de cloro, pH da água e limpeza dos filtros. Explicam que erros de dosagem podem causar irritações, intoxicações e, em situações extremas, levar a quadros graves respiratórios e neurológicos. Em São Paulo, normas municipais e estaduais determinam que academias e clubes mantenham registros diários da qualidade da água e passem por inspeções periódicas da vigilância sanitária.

Casos de intoxicação coletiva em piscinas não são comuns, mas encontram precedentes. Em 2014, por exemplo, um clube na capital paulista interdita sua área aquática após ao menos 15 pessoas relatarem ardência nos olhos e dificuldade para respirar, atribuídas à aplicação incorreta de produtos de limpeza. Situações como essa ajudam a contextualizar a preocupação atual de órgãos de fiscalização com ambientes de uso compartilhado.

Para famílias que frequentam a academia na zona leste, o domingo de aula vira referência de medo. Pais de alunos relatam que crianças nadam regularmente no local, inclusive em turmas infantis com mais de 10 alunos por horário. Uma moradora que prefere não se identificar resume o clima: “A gente traz filho, marido, todo mundo confiando que está tudo em ordem. Quando acontece algo assim, a confiança some na hora”.

Juristas consultados avaliam que o caso pode abrir caminho para ações judiciais tanto da família de Juliana quanto dos demais atingidos. Se a perícia confirmar falha na manutenção da piscina, a academia pode responder civilmente por danos morais e materiais, além de enfrentar sanções administrativas. Dependendo do resultado da investigação, não se descarta também responsabilização criminal por homicídio culposo e lesão corporal.

Perícia, laudos e o que ainda falta responder

A Delegacia responsável pelo caso colhe depoimentos de funcionários, professores de natação e frequentadores presentes na data do episódio. Documentos de manutenção, registros de compra e aplicação de produtos químicos e contratos com empresas terceirizadas entram na mira dos investigadores. A academia informa, em nota, que colabora com as autoridades e que “segue todas as normas de segurança e higiene”. Afirma também que lamenta a morte de Juliana e aguarda o esclarecimento dos fatos.

Equipes de vigilância sanitária recolhem amostras da água da piscina e de pontos do sistema de filtragem. Os materiais seguem para análise laboratorial, processo que pode levar alguns dias até a conclusão, segundo técnicos. O laudo necroscópico do corpo de Juliana, somado aos exames toxicológicos, deve indicar a causa da morte e verificar se há relação direta com substâncias presentes na água ou no ambiente da academia.

No curto prazo, a principal consequência atinge a própria rotina dos frequentadores, que ficam sem acesso à piscina e aguardam definição das autoridades. A morte de uma jovem professora de 27 anos, em um contexto de lazer e cuidado com a saúde, acende debate sobre a fiscalização de espaços privados abertos ao público. Acadêmicos da área de saúde coletiva defendem, há anos, normas mais rígidas e fiscalização mais frequente em academias, clubes e condomínios.

O caso também se torna termômetro para a atuação do poder público. Se a investigação apontar falhas de fiscalização, o episódio pode pressionar prefeitura e governo estadual a rever protocolos, ampliar equipes de inspeção e exigir transparência maior na divulgação de laudos de qualidade da água. Famílias de alunos já se mobilizam em grupos de mensagens para acompanhar os desdobramentos e cobram respostas rápidas.

A morte de Juliana, o estado grave do marido e do adolescente e a suspeita sobre a água da piscina deixam uma pergunta central: quem deveria ter evitado que uma aula de natação terminasse em tragédia? A resposta, que depende de laudos e decisões oficiais nas próximas semanas, tem potencial para redesenhar regras, rotinas de fiscalização e a própria relação de confiança entre usuários e estabelecimentos de lazer em São Paulo.

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