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Chefe de gabinete de premier britânico cai após polêmica com Mandelson

Morgan McSweeney renuncia ao cargo de chefe de gabinete do premier britânico neste 8 de fevereiro de 2026, após a reação negativa à nomeação de Peter Mandelson. A pressão recai sobre o governo, acusado de ignorar alertas sobre a ligação do ex-embaixador ao caso Jeffrey Epstein.

Crise no coração do governo britânico

A saída de McSweeney ocorre menos de uma semana depois de vir a público a decisão de trazer Peter Mandelson de volta ao centro do poder em Londres. O movimento, desenhado para reforçar a articulação política do governo, sai pela culatra e transforma um cálculo estratégico em crise de credibilidade.

O nome de Mandelson volta ao noticiário acompanhado das referências a Jeffrey Epstein, financista norte-americano envolvido em escândalos de abuso sexual e tráfico de menores. A associação não é nova, mas reaparece com força em um ambiente político em que cada gesto é escrutinado em tempo real nas redes sociais e no Parlamento.

McSweeney assume publicamente a responsabilidade pela indicação e comunica sua renúncia como gesto de contenção de danos. Segundo auxiliares ouvidos pela imprensa britânica, o chefe de gabinete avalia que sua permanência alimentaria a narrativa de um governo tolerante com zonas cinzentas de influência e poder. “Eu errei na avaliação política e assumo integralmente as consequências”, teria dito a interlocutores próximos.

A renúncia é anunciada em meio a reuniões emergenciais no gabinete, marcadas desde a madrugada, para avaliar o impacto da crise sobre a coalizão governista. A prioridade, segundo fontes, é estancar a perda de apoio entre parlamentares moderados, preocupados com o desgaste acumulado após sucessivas controvérsias éticas na última década.

Epstein ainda assombra a política britânica

O episódio expõe a persistência do fantasma Epstein na política do Reino Unido, quase sete anos após a morte do financista em 2019. Cada nova menção reabre o debate sobre quem se beneficiou de sua rede de contatos e como figuras públicas lidam com esse passado. No caso de Mandelson, críticos apontam que qualquer retorno a funções estratégicas exige transparência máxima sobre encontros, viagens e interlocutores.

Parlamentares de oposição exploram o caso para questionar o padrão de checagem de antecedentes adotado pelo governo em nomeações para o alto escalão. Um deputado trabalhista resume o clima em Westminster: “O país não aceita mais zonas de sombra. Qualquer nome com histórico controverso precisa ser avaliado com rigor absoluto”. A cobrança reflete pesquisas recentes em que mais de 60% dos britânicos dizem desconfiar da capacidade dos políticos de agir com ética em cargos de poder.

Analistas ouvidos por veículos locais destacam que a renúncia de um chefe de gabinete não é gesto trivial. Em governos recentes, quedas nessa posição costumam sinalizar mudança de rota ou tentativa de preservação do próprio premier. McSweeney, figura-chave na engrenagem política e de comunicação, deixa um vácuo em um momento em que o governo tenta aprovar, até o fim do primeiro semestre, um pacote de reformas com impacto direto sobre gastos públicos e regulação financeira.

O desgaste atual se soma a uma década marcada por investigações, relatórios parlamentares e reportagens sobre vínculos de autoridades com empresários e lobistas de reputação contestada. A lembrança de comissões de inquérito abertas em 2020 e 2022, que investigaram conflitos de interesse em contratos públicos, volta às manchetes e reforça a sensação de reincidência institucional.

Pressão por transparência e possíveis investigações

A renúncia de McSweeney não encerra a controvérsia. Grupos de fiscalização da ética pública, organizações de transparência e partidos de oposição já defendem a abertura de investigações formais sobre o processo de nomeação que levou Mandelson ao centro da crise. O foco é entender quem participou da decisão, quais alertas foram emitidos e em que momento o risco político foi subestimado.

No curto prazo, o governo precisa indicar um novo chefe de gabinete e redefinir, em poucos dias, a cadeia de comando no núcleo do poder. Cada escolha passa a ser acompanhada com lupa pelo Parlamento e pela imprensa, que exigem compromissos claros com regras de compliance, publicação de agendas e divulgação de encontros com lobistas e representantes de grandes grupos econômicos.

O episódio também tende a influenciar futuras nomeações para embaixadas estratégicas e cargos de assessoramento direto ao premier. Perfis com qualquer associação a casos judiciais de grande repercussão devem enfrentar filtros adicionais, prolongando processos de checagem que já levam semanas. A expectativa é que novos códigos de conduta sejam apresentados ainda em 2026, com prazos específicos para publicação de informações e sanções mais rápidas em caso de descumprimento.

A repercussão midiática amplia o custo político de decisões consideradas opacas. Em um cenário em que uma única revelação pode viralizar em minutos, líderes partidários calculam o impacto de cada nomeação na popularidade do governo e no humor dos mercados. Investidores acompanham o desenrolar da crise atentos a sinais de instabilidade regulatória ou de paralisia decisória em áreas como infraestrutura, tecnologia e serviços financeiros, responsáveis por centenas de bilhões de libras em investimentos anuais.

O que está em jogo para o governo britânico

O governo enfrenta agora um teste de sobrevivência política e moral. A forma como administra a saída de McSweeney e lida com o papel de Mandelson se torna indicador da disposição real de enfrentar dilemas éticos. A resposta será observada não apenas por eleitores, mas por aliados internacionais que cobram padrões semelhantes de transparência em acordos bilaterais.

Nas próximas semanas, o premier deve anunciar um novo chefe de gabinete, detalhar mudanças em protocolos de nomeação e, possivelmente, acenar com a criação de um mecanismo independente de revisão ética para cargos de confiança. Se as medidas forem vistas como meramente cosméticas, a crise atual pode se transformar em gatilho para um ciclo prolongado de desgaste, com impacto sobre votações cruciais, composição de futuras chapas eleitorais e a própria estabilidade do governo no médio prazo.

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