Lula lança candidatura à reeleição e chama eleição de 2026 de guerra
Lula oficializa na noite de 7 de fevereiro de 2026, durante a festa de 46 anos do PT, sua candidatura à reeleição. No palanque, cobra autocrítica, prega alianças amplas e define a disputa de outubro como uma guerra política.
Lançamento em clima de campanha
O anúncio ocorre no centro das celebrações do aniversário do PT, que reúne militantes, dirigentes e aliados de vários Estados. O presidente sobe ao palco ao lado do vice, Geraldo Alckmin, e transforma o ato festivo em ponto de partida da corrida eleitoral. Ao assumir publicamente que disputa mais quatro anos no Planalto, Lula encerra qualquer dúvida sobre seu projeto e acelera a reorganização do tabuleiro de 2026.
Diante da plateia em clima de comício, ele diz que o partido precisa olhar para dentro antes de enfrentar os adversários. Pede “autocrítica séria” sobre erros de governo, alianças mal costuradas e distância da base social. O discurso mira tanto as correntes internas quanto governadores e prefeitos petistas, que entram agora em fase decisiva de montagem de palanques estaduais.
Autocrítica e pragmatismo nas alianças
A presença de Alckmin no palco simboliza a continuidade da frente ampla que garante a vitória de 2022 e que o Planalto tenta preservar. Lula reforça, no microfone, que a eleição não se vence “só com convicção ideológica”. Fala em atrair setores de centro e centro-direita, repetir acordos regionais com partidos que vão de PSB e PDT a PSD, MDB e União Brasil e conter fissuras com aliados tradicionais, como o PCdoB e o PSOL, em praças estratégicas.
Ele afirma a dirigentes que a prioridade é derrotar o que chama de “extremismo autoritário”. A mensagem mira a provável candidatura da direita radical, ainda em construção, e tenta enquadrar siglas que hoje participam da base, mas flertam com a oposição em Estados-chave. O clima é de mobilização antecipada. Coordenadores políticos falam em organizar até abril comitês em 5.000 municípios e preparar militantes para a campanha de rua a partir do início oficial do calendário eleitoral, em agosto.
Eleição como guerra e impacto político
Ao definir a disputa de 2026 como uma guerra, Lula sinaliza que espera um ambiente ainda mais tenso que o de 2022. Interlocutores relatam preocupação com desinformação em massa, ataques nas redes e tentativas de deslegitimar o processo eleitoral. O comando da campanha discute, desde já, uma estrutura profissional de monitoramento digital e uma rede de influencers pró-governo, para reagir em tempo real ao que classifica como ataques coordenados.
O tom bélico ajuda a consolidar a tropa, mas tende a elevar a polarização. No Congresso, aliados avaliam que a frase oferece munição à oposição, que tenta colar no governo a imagem de radicalismo e de desprezo ao diálogo. A aposta do Planalto é que a tensão mobiliza o núcleo duro do eleitorado petista, estimado hoje por estrategistas em algo entre 25% e 30% dos votos, ao mesmo tempo em que a imagem de Alckmin na chapa atua como contrapeso moderado para o centro.
Partido em disputa interna e olhos no passado
O pedido de autocrítica ecoa divisões antigas no PT. Setores mais à esquerda cobram distanciamento de velhos aliados do centrão e maior confrontação com o sistema financeiro, enquanto governistas defendem a manutenção de pontes com o Congresso para assegurar maioria em votações econômicas. O balanço dos primeiros anos de governo entra no centro do debate: crescimento abaixo do projetado, inflação em torno de 4,5% em 2025 e dificuldades para avançar em reformas estruturais alimentam críticas internas.
No palco, Lula relembra vitórias eleitorais anteriores, como 2006 e 2010, para reforçar a mensagem de que o PT só vence quando combina discurso social e pragmatismo político. Cita a importância de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e da política de valorização do salário mínimo, que acumula reajustes reais em torno de 15% desde 2023. O apelo é claro: mostrar continuidade de políticas populares e tentar neutralizar o discurso adversário de que o atual governo perdeu capacidade de entrega.
O que muda na prática e próximos passos
A formalização da candidatura mexe com todo o campo político. Governadores aliados, muitos em pré-campanha para a reeleição ou para o Senado, ajustam agendas e discursos para se alinhar ao Planalto. Partidos que hoje oscilam entre governo e oposição passam a negociar apoio em troca de espaço em palanques regionais e, sobretudo, na Esplanada. A expectativa é de novas tensões por cargos e orçamento, num Congresso em que o governo depende de cerca de 320 votos para aprovar projetos estruturantes.
A oposição acelera a escolha de um nome competitivo para enfrentar o presidente. Dirigentes falam em lançar, até junho, um candidato único da direita, capaz de ocupar o espaço deixado pelo desgaste de lideranças que dominaram a eleição anterior. Nesse cenário, a campanha de Lula entra oficialmente em campo com dois desafios centrais: reter a base popular em meio ao custo de vida elevado e ampliar pontes ao centro sem rachar o núcleo histórico do PT. A resposta a essas dúvidas, nos próximos oito meses, define não só o resultado de outubro, mas o desenho político do país na década que começa.
