Trump dá prazo até junho de 2026 para fim da guerra na Ucrânia
Donald Trump estabelece, nos bastidores, um prazo até junho de 2026 para que Rússia e Ucrânia encerrem a guerra. A data é revelada por Volodymyr Zelensky em entrevista e expõe a tentativa de enquadrar politicamente o conflito em um cronograma rígido.
Prazo político para uma guerra sem trégua
Zelensky relata que o ex-presidente dos Estados Unidos define o meio de 2026 como limite para o fim dos combates, em um conflito que já ultrapassa dois anos desde a invasão em larga escala da Rússia, em fevereiro de 2022. O presidente ucraniano descreve o prazo como uma espécie de meta informal, apresentada em conversas que tratam de um possível plano de paz e de concessões que Kiev resiste em aceitar.
Ao tornar pública a data, Zelensky desloca o debate sobre a guerra para um calendário mais concreto. “Ele falou em junho de 2026 como momento para que haja um acordo e o fim da guerra”, diz o líder ucraniano, ao comentar as propostas em discussão. O relato surge em meio à fadiga do conflito, à pressão por resultados no campo de batalha e à necessidade de previsibilidade para a reconstrução do país.
Negociações travadas por território e poder
As conversas citadas por Zelensky ocorrem sob o peso das exigências de Moscou. O Kremlin insiste em manter sob controle áreas ocupadas desde 2014, como a Crimeia, e regiões tomadas após a ofensiva de 2022 no leste e no sul da Ucrânia. A hipótese de reconhecer a anexação de territórios ucranianos permanece o principal obstáculo a qualquer entendimento. “Não aceitaremos ceder nossa terra em troca de uma paz temporária”, reafirma Zelensky, ao mencionar as pressões para flexibilizar a posição de Kiev.
Trump, que constrói sua imagem como possível mediador capaz de “encerrar a guerra rapidamente”, tenta atrelar essa promessa a um horizonte preciso. O prazo até junho de 2026 funciona como sinal ao eleitorado norte-americano e à comunidade internacional de que, sob sua influência, o conflito pode ter desfecho em pouco menos de dois anos. A data cruza o mandato presidencial dos Estados Unidos, que vai até janeiro de 2029 para quem vencer a eleição de 2024, e insere a guerra no cálculo eleitoral e diplomático de Washington.
Pressão sobre Kiev, Moscou e aliados
O cronograma anunciado por Zelensky tende a intensificar pressões sobre os dois lados. Para Kiev, o relógio político se soma ao desgaste humano e econômico de um país que perde milhares de soldados, vê cidades destruídas e depende de bilhões de dólares em ajuda militar e financeira do Ocidente. Para Moscou, a perspectiva de um prazo público pode mexer com a estratégia de prolongar o conflito, na expectativa de dividir aliados e enfraquecer o apoio internacional à Ucrânia.
O impacto se estende para além do campo de batalha. Governos europeus calculam custos de defesa e de energia, investidores acompanham oscilações em preços de gás, petróleo e grãos, e sanções remodelam cadeias de comércio. Um acordo até meados de 2026 significaria, por exemplo, antecipar debates sobre redução de sanções, desbloqueio de ativos russos e financiamento da reconstrução ucraniana, estimada em centenas de bilhões de dólares por instituições internacionais.
Risco de impasse prolongado
O prazo também carrega um risco evidente: transformar a data em mais um marco simbólico, sem efeitos concretos, caso nenhuma das partes esteja disposta a recuar em questões territoriais. Especialistas em segurança europeia alertam que cronogramas políticos raramente se alinham à lógica militar, sobretudo em guerras de atrito como a que se desenrola na Ucrânia. Moscou conta com reservas de homens e recursos, enquanto Kiev aposta em tecnologia ocidental e na defesa de suas posições fortificadas.
A revelação feita por Zelensky recoloca a guerra no centro da agenda internacional e dá novo elemento às disputas políticas nos Estados Unidos. O desfecho até junho de 2026 dependerá da capacidade de alinhamento entre Washington, capitais europeias, Kiev e, sobretudo, da disposição do Kremlin em negociar algo além da vitória total. Até lá, o prazo de Trump funciona mais como pressão e promessa do que como garantia de paz, e deixa aberta a pergunta sobre quem estará disposto a pagar o preço de um acordo duradouro.
